A REPÚBLICA DA RACHADINHA: OS CRIMES DA FAMÍLIA BOLSONARO (PARTE 2)

Cris Couto

Eduardo Bolsonaro, o terceiro filho de Jair, também conhecido por “bananinha”, se destaca por espalhar Fake News que ameaçam a democracia, recebendo, inclusive, multas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Além disso, Eduardo foi cercado por suspeitas de rachadinha, com assessores ligados ao esquema e ligações próximas a aliados envolvidos. O “Zero 3” está sob investigação por atuar em conluio com seu pai e outros apoiadores para promover uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro em 2022. A denúncia formal da Polícia Federal incluiu o ex-presidente, o ex-ministro Braga Netto e alguns militares. Por sua vez, Eduardo foi identificado por delatores como incentivador de ações radicais, incluindo a pressão sobre seu pai para assinar um decreto golpista e mobilizar milícias dos CACs (caçadores, atiradores e colecionadores). Porém, dentre as ações do “bananinha”, o mais grave é seu apoio às sanções econômicas de Trump contra o Brasil, um verdadeiro crime de lesa-pátria, que entrega a soberania nacional aos interesses estrangeiros. O “Zero 3” está nos Estados Unidos desde 2025, onde atua para que o governo americano passe a apoiar seu pai, Jair Bolsonaro, e tenta influenciar a política externa contra o Brasil. Bolsonaro já afirmou que enviou a Eduardo cerca de R$ 2 milhões para agir contra os interesses nacionais e a favor de sua anistia. Isso configura obstrução de justiça e crime de lesa-pátria! Ademais, segundo investigações, o “bananinha” pode ter vazado informações privilegiadas para o mercado financeiro. Essas ações geram crise diplomática e mostram seu alinhamento com a extrema-direita internacional, priorizando interesses pessoais em detrimento da soberania nacional.

Jair Renan, o filho “04” do clã Bolsonaro, tornou-se réu em 2024 pela Justiça do Distrito Federal, acusado dos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso, no contexto da Operação Nexum. Segundo a investigação da Polícia Civil, ele teria inflado o faturamento da sua empresa — a Bolsonaro Jr. Eventos e Mídia — em aproximadamente R$ 4,6 milhões, com o objetivo de obter empréstimos bancários que não foram quitados.

Michelle Bolsonaro, ex-primeira-dama, tem uma família um tanto quanto problemática. Sua avó era traficante de drogas e sua mãe foi condenada por falsificação de documentos. Além disso, João Batista Firmo Ferreira, tio de Michelle, que é miliciano, foi preso por participar de organização criminosa no Distrito Federal. Já, Gilberto Firmo Ferreira, outro tio materno da esposa de Jair Bolsonaro, recebeu 14 anos de prisão por ter estuprado uma sobrinha quando ela ainda era criança, no início dos anos 2000. Gilberto também foi preso, em 1/7, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) por armazenar conteúdo de abuso sexual infantil e pedofilia! Eita família tradicional, né? Ademais, como é sabido, Michelle Bolsonaro teve sua primeira filha, Letícia, em um relacionamento anterior, quando ainda era solteira. Isso é problema? Obviamente não, mas para a “família tradicional brasileira” é — muito embora fechem os olhos para o passado da ex-primeira-dama. Outro fato interessante é que Michelle conheceu Jair Bolsonaro em setembro de 2007, quando foi contratada como secretária parlamentar em seu gabinete na Câmara dos Deputados. Na época, Bolsonaro ainda era casado com Ana Cristina Valle. Poucos dias depois da contratação, iniciaram um relacionamento amoroso! Talvez essa seja a razão pela qual os filhos de Jair não gostarem de Michelle. O relacionamento entre eles está muito bem detalhado no livro O Negócio do Jair, de Juliana Dal Piva. O romance entre Michelle e Jair evoluiu rapidamente e, em 28 de novembro de 2007, eles oficializaram a união civil, antes mesmo de o divórcio de Bolsonaro ser registrado. O casamento religioso só aconteceu em 2013, três anos após o nascimento da filha do casal, Laura. Michelle já tinha seu nome envolvido em polêmicas antes mesmo de Jair se tornar presidente. Afinal, quem não se lembra dos famosos “cheques do Queiroz”? Entre 2011 e 2016, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, realizou 21 depósitos em cheques na conta de Michelle Bolsonaro, totalizando cerca de R$ 72 mil. Sua esposa, Márcia Aguiar, acrescentou mais R$ 17 mil, totalizando R$ 89 mil. Bolsonaro tentou dizer que havia feito um empréstimo ao Queiroz, ex-policial e miliciano, mas referido empréstimo nunca foi verdadeiramente comprovado. E mais: quando questionado à respeito, Bolsonaro, inúmeras vezes, perdeu o controle, tal como aconteceu quando disse a um jornalista “Minha vontade é encher tua boca na porrada”. Durante o mandato presidencial de Jair Bolsonaro, Michelle aparecia pouco, mas sempre acompanhada de Agostín Fernandes, seu maquiador que se diz gay ou, por vezes, bissexual e que já beijou na boca a entrevistadora Antonia Fontenelle. Na época da pandemia, nunca se viu Michelle Bolsonaro, “cristã”, ajudando, rezando ou dando força às pessoas que estavam perdendo suas vidas, seus familiares ou seus empregos. Aliás, foi ainda durante a pandemia que o frigorífico Marfrig doou R$ 7,5 milhões ao Ministério da Saúde, com o propósito explícito de adquirir 100 mil testes rápidos de Covid-19. No entanto, o então governo Bolsonaro destinou o recurso ao programa Pátria Voluntária, coordenado pela então primeira-dama Michelle Bolsonaro, por meio de um projeto chamado Arrecadação Solidária, em vez da compra dos testes. Michelle Bolsonaro e o maquiador fizeram algumas viagens custeadas pelo Estado em plena pandemia, como a viagem de lazer a São Miguel dos Milagres, em 2021, cuja hospedagem foi custeada pelo cartão corporativo. Michelle também viajou com Damares Alves e o maquiador Agostín, também em 2021, ocasião em que usaram um avião da FAB para ir a São Paulo com familiares para um evento do governo, mas também participaram da festa de aniversário do maquiador. E, em 2022, fizeram uma viagem pessoal a Israel. Em 2020, a então primeira-dama usou o cartão corporativo para custear a troca de implantes de silicone nos seios e outros procedimentos estéticos. Michelle Bolsonaro foi apontada como destinatária de um conjunto de joias de luxo da Arábia Saudita, avaliadas em cerca de R$ 5 milhões, trazidas irregularmente ao Brasil por membros do governo em 2021. E, além de tudo isso, Michelle também foi mencionada na delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid como integrante de uma ala considerada “radical”, que teria incitado Jair Bolsonaro a dar um golpe de Estado. Muitas coisas para quem se apresenta como “uma mulher de Deus”, né?

Após breve relato sobre o clã Bolsonaro, pode-se compreender como conseguiram adquirir 107 imóveis, sendo que 51 foram comprados com dinheiro vivo — totalizando cerca de R$ 13,5 milhões em espécie, ou aproximadamente R$ 25,6 milhões corrigidos pela inflação!!! Quem tem dinheiro vivo para comprar um apartamento? E 14 apartamentos? E mais 2, mais 1, mais 19….são muitos imóveis. Dinheiro vivo? Isso é possível? É claro que não! Os políticos brasileiros ganham bem, mas não ao ponto de se enriquecer dessa maneira, comprando tantos imóveis e com DINHEIRO VIVO, cuja procedência é desconhecida.

Até agora vimos um pouquinho da família Bolsonaro, mas nada ou quase nada foi visto do chefe desta família ou organização. A partir de agora, falaremos de alguns crimes praticados por Jair Messias Bolsonaro nos últimos anos. Bolsonaro possui inúmeros escândalos que expõem o projeto autoritário e corrupto por trás de seu discurso moralista. Durante seu governo, Bolsonaro foi denunciado por incentivar o garimpo ilegal, inclusive em terras indígenas, destruindo o meio ambiente e violando direitos conquistados com muita luta.  Bolsonaro, enquanto presidente, apoiou, declaradamente, o garimpo ilegal no Brasil. Quando procurado por garimpeiros ilegais – aqueles que contrariam a legislação pátria, ou seja, que cometem crimes – Bolsonaro deixou clara sua intenção de ajudá-los! Aliás, o ex-presidente se orgulha de ter saído, sem autorização do Exército, para ir garimpar na Bahia, quando era apenas um soldado. Durante a campanha eleitoral de 2018, Bolsonaro fez promessas relacionadas ao garimpo: não demarcar nem um centímetro de terra indígena; “dar uma foiçada” no pescoço da Funai; fomentar a perseguição a lideranças indígenas; colocar o Ministério do Meio Ambiente e a Agência Nacional de Mineração a serviço de garimpeiros. O ex-presidente cumpriu todas essas promessas. Segundo dados atualizados divulgados pelo Mapbiomas, o garimpo ilegal em terras indígenas aumentou drasticamente durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2021, esse garimpo ilegal e criminoso, apoiado pelo então presidente, registrou a maior expansão em 36 anos, alcançando 15 mil hectares em um único ano. Em cinco anos, de 2017 a 2021, novas áreas de garimpo atingiram 59 mil hectares, superando todo o espaço tomado pela atividade garimpeira até o fim da década de 1980. As três terras indígenas mais afetadas pelo garimpo ilegal são: 1-Kayapó, com 11.542 hectares invadidos; 2-Munduruku, com 4.743 hectares; 3- Yanomami, com 1.556 hectares.

Durante toda sua carreira política, Bolsonaro sempre defendeu a redução das terras indígenas e sempre exaltou o garimpo ilegal. Quem não se lembra de Bolsonaro dizendo: “No que depender de mim, não tem mais demarcação de terra indígena. Temos uma área maior que a região sudeste de terra indígena e qual é a segurança para o homem do campo? O fazendeiro pode acordar hoje e de pronto ter conhecimento de que via portaria ele vai perder sua fazenda para nova terra indígena”; “As reservas foram superdimensionadas. O que pretendo, se houver amparo legal, é que como o índio é um ser humano igual a nós, ele quer evoluir, ter energia elétrica, médico, dentista, internet, jogar um futebol, ter um carro, quer viajar de avião, porque ele quando tem contato com a civilização ele rapidamente vai se moldando à nova maneira de viver que é bem diferente e melhor do que a dele”; em entrevista concedida em 2016 ao New York Time, quando ainda era deputado federal, Bolsonaro disse que  “Cozinha (o índio) por dois ou três dias, e come com banana. Daí, eu queria ver o índio ser cozinhado. Comeria sem problema nenhum”; em 2022, Bolsonaro, em conversa com apoiadores, comemorou o desmonte da política indigenista dizendo que “No meu governo, não foi demarcada nenhuma terra indígena. No meu governo, nenhuma terra indígena foi demarcada. Já temos 14% do Brasil demarcado“. Em 15 de abril de 1998, Bolsonaro disse que “A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema em seu país”. A administração do governo Bolsonaro reduziu DOLOSAMENTE as inspeções de órgãos que protegem o meio ambiente e os povos originários e enfraqueceu a proteção das terras indígenas contra invasões, em especial para a mineração, fortalecendo o garimpo ilegal de forma proposital. CONCLUI-SE, ASSIM, QUE O GARIMPO ILEGAL, IMPULSIONADO PELA POLÍTICA DO EX-PRESIDENTE, É A CAUSA DA VULNERABILIDADE, FOME, DOENÇAS, ESTUPROS E MORTE DOS YANOMAMI.

Bolsonaro e sua família também estiveram envolvidos em casos como o escândalo do ouro do MEC e esquemas de superfaturamento de tratores e computadores por meio do orçamento secreto. E, por falar em orçamento secreto, é importante ressaltar que foi durante o governo Bolsonaro que foi criado o “orçamento secreto” que, segundo a então candidata à presidência da República Simone Tebet, hoje ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, é o maior esquema de corrupção do planeta Terra. Afirmou Tebet que: “Podemos estar diante do maior esquema de corrupção do planeta Terra. Exemplo: numa cidade do interiorzinho do Maranhão, (a população) fez mais exame de HIV que toda a cidade de São Paulo, de 12 milhões de habitantes. Tem uma cidade que diz que extraiu num único ano 540.000 dentes, (uma cidade) pequenininha. Significa ter tirado 14 dentes de cada boca, de cada cidadão da cidade, inclusive do bebê recém-nascido que não tem dentes”. A então presidenciável destacou ainda a falta de transparência e a baixa capacidade de fiscalização pelos órgãos de controle, o que facilita ainda mais a corrupção. A falta de controle sobre bilhões geridos por parlamentares para gastos pelo Brasil abre espaço para grandes desvios e distorções no uso do dinheiro público. O orçamento secreto, mecanismo criado durante o governo Bolsonaro, envolvia a distribuição de verbas a parlamentares com o objetivo de garantir apoio ao ex-presidente. Era uma maneira de o governo Bolsonaro e o comando da Câmara e do Senado distribuírem verbas públicas para atender interesses dos deputados e senadores que os apoiavam. Ressalte-se que SÓ RECEBIA VERBA DESTE ORÇAMENTO SECRETO QUEM APOIASSE BOLSONARO. Esse mecanismo pode ser compreendido como uma troca de favores, mas com dinheiro público: Bolsonaro comprava o apoio dos parlamentares e estes recebiam a verba sem serem identificados – por isso a mídia batizou o mecanismo como “orçamento secreto”. E por falar em corrupção do ex-presidente Bolsonaro, temos ainda que citar: 1- bolsolão do MEC, 2- esquema de tratores superfaturados, 3- bolsolão do busão, 4- escolas Fake, 5- propina da SECOM, 6- empreiteira Codevasf, 7- escândalo do asfalto, 8- laranja do PSL, 9- caso Wal do Açaí, 10- escândalo da Covaxin, 11- cartão corporativo, 12- KIT Robótica, 13- ligação direta de Bolsonaro com a fraude do INSS, dentre inúmeros outros casos. Note-se que apenas alguns casos de corrupção de Jair Bolsonaro foram citados, sem maiores explicações, pois são tantos episódios de corrupção que o presente artigo se tornaria um livro.

Na CPMI da Covid, seu nome surgiu vinculado à negligência criminosa e a omissões deliberadas que agravaram a pandemia e custaram milhares de vidas. Bolsonaro foi acusado por nove delitos graves, incluindo crime de epidemia com resultado de morte, infrações de medidas sanitárias, charlatanismo, prevaricação, uso irregular de verba pública, incitação ao crime, falsificação de documentos, crime de responsabilidade e crimes contra a humanidade por expor indígenas e outras populações ao risco por negligência deliberada. A CPMI concluiu que ele liderou um “gabinete paralelo” que promoveu tratamentos sem eficácia, tal como ocorreu com a cloroquina, atrasou a compra de vacinas, desestimulou o uso de máscara e o incentivo ao isolamento, NEGLIGENCIANDO INTENCIONALMENTE a resposta à pandemia, resultando em milhares de mortes que seriam evitáveis.

Convém ainda destacar que, durante a pandemia da Covid-19, Bolsonaro tentou adquirir vacinas superfaturadas, ignorando ofertas mais baratas e eficazes, sem se importar com as vidas que se perdiam. E enquanto as pessoas morriam, ele ria e imitava pessoas morrendo de falta de ar.

O caso das joias sauditas é um dos escândalos mais graves envolvendo Bolsonaro. Durante seu governo, ele e assessores tentaram entrar no Brasil com presentes milionários do regime da Arábia Saudita, incluindo colares, relógios e outras peças de luxo avaliadas em milhões de reais, sem declarar à Receita Federal, o que é crime de descaminho. É fato que o ex-presidente agiu de forma deliberada para apropriar-se indevidamente de patrimônio público, pois presentes recebidos em função do cargo pertencem à União e não ao presidente. Investigações revelaram manobras ilegais para recuperar os bens apreendidos, além da venda ilegal de outras joias no exterior, convertendo o dinheiro para uso pessoal. O escândalo, que envolve peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa, expõe o uso privado da máquina pública por Bolsonaro. As ações de Bolsonaro configuram corrupção e atentado à moralidade administrativa.

O ex-presidente ainda promoveu uma máquina de ofensas a instituições democráticas, desinformação e Fake News que atacaram a imprensa, o STF e a democracia. Seu legado é o do caos, da corrupção e do autoritarismo.

Um dos episódios mais nojentos protagonizados pelo ex-presidente se deu quando, em abril de 2021, Bolsonaro, com 70 anos de idade, afirmou ter sentido que “pintou um clima” ao ver adolescentes venezuelanas enquanto passava de moto. Disse Bolsonaro:”Parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas; de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei, ‘posso entrar na tua casa?’ Entrei. Tinha umas 15, 20 meninas, [num] sábado de manhã, se arrumando —todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas, 14, 15 anos se arrumando num sábado para quê? Ganhar a vida. Você quer isso para a tua filha, que está nos ouvindo aqui agora. E como chegou neste ponto? Escolhas erradas. Embora Bolsonaro não tenha sido criminalmente denunciado pelo episódio, ele poderia ser enquadrado por aliciamento de menores (art. 241-D do ECA) ou, em casos mais graves, por tentativa de estupro de vulnerável. Até o momento, o ex-presidente apenas foi condenado a pagar indenização de R$ 150 mil por danos morais coletivos. O valor será revertido para o Fundo da Infância e da Adolescência do Distrito Federal ou para projetos de promoção de direitos da infância a serem indicados pelo Ministério Público.

Ademais, vale ainda ressaltar que Bolsonaro também está envolvido no caso da Abin Paralela, uma operação de espionagem ilegal conduzida dentro da Agência Brasileira de Inteligência durante seu governo. A Polícia Federal concluiu que existia uma organização criminosa dentro da ABIN, voltada a monitorar ilegalmente adversários políticos, ministros do STF, jornalistas e servidores públicos.

A tentativa de golpe de Estado protagonizada por Jair Bolsonaro é considerada um dos episódios mais graves da história democrática recente do Brasil. Não restam dúvidas de que o ex-presidente não só despreza a democracia, como também ameaçou impedir a realização das eleições de 2022, tudo para se manter no poder. Sabe-se ainda que Bolsonaro interferiu direta e indiretamente no processo eleitoral. Sua campanha de reeleição custou 300 bilhões de reais aos cofres públicos. FOI A DERROTA ELEITORAL MAIS CARA DA HISTÓRIA! Bolsonaro ainda usou a Polícia Rodoviária Federal para tentar impedir os eleitores de Lula de chegarem aos locais de votação, dentre outros absurdos. Mesmo assim, Bolsonaro foi derrotado nas urnas! Porém, sua tentativa de permanecer no Planalto não havia terminado, pois o capitão nunca foi um democrata e nunca respeitou as regras. Mesmo após as eleições, Bolsonaro continuou a instigar um golpe, o que acabou culminando no fatídico dia 8/1. E, por isso, Bolsonaro está sendo processado pelos crimes de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito (art. 359-L), tentativa de golpe de Estado (art. 359-M) e organização criminosa (art. 288), todos previstos pelo Código Penal. Este processo, aliás, já está na fase final e há provas consubstanciais de que Bolsonaro está diretamente envolvido. Segundo o Procurador-Geral da República (PGR), Bolsonaro foi o principal articulador, maior beneficiário e autor dos atos mais graves na tentativa de golpe, destacando seu controle sobre as manifestações e uso de instituições estatais para minar a democracia. Bolsonaro deve, em breve, ser condenado e preso.

E é na certeza dessa condenação que Eduardo Bolsonaro viajou para os EUA e, juntamente com Paulo Figueiredo, neto de ditador e também denunciado no processo de golpe de Estado, passou a tramar contra as instituições brasileiras e contra o Estado Democrático de Direito. Bolsonaro chegou a repassar R$ 2 milhões a Eduardo para que ele permanecesse nos EUA e agisse contra o Judiciário brasileiro, com o objetivo de influenciar decisões do STF e, portanto, ferir a soberania nacional. O ministro Alexandre de Moraes (STF) ressaltou que Jair Bolsonaro e seu filho Eduardo cometeram os crimes de coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal), obstrução de investigação envolvendo organização criminosa (Lei 12.850/13, § 1º) e abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal). E foi por essa razão que, atualmente, o ex-presidente se encontra com tornozeleira eletrônica, medida cautelar alternativa à prisão preventiva.

Os crimes que envolvem Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados não são meras infrações administrativas ou deslizes éticos que admitiriam uma espécie de “acordão”. Não! Eles são atentados diretos contra a Constituição Federal, contra a soberania nacional e contra o povo brasileiro. São rachadinhas, corrupção, aparelhamento ilegal do Estado, sabotagem sanitária na pandemia e até a tentativa de golpe de Estado. Diante de tamanha gravidade, não pode haver espaço para o esquecimento, tampouco para acordos conciliatórios em nome da “pacificação”. A democracia brasileira não pode conviver com a impunidade de quem tentou destruí-la. Para a família Bolsonaro e seus cúmplices, a história exigirá uma resposta clara, firme e irrevogável. E, dessa forma, há três mantras: 1) O BRASIL É SOBERANO; 2) O BRASIL É DOS BRASILEIROS; 3) SEM ANISTIA!

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