ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS, ATENTADOS TERRORISTAS, CARTÃO CORPORATIVO, YANOMANIS, MORTES NA PANDEMIA. A CULPA É DO PT? (PARTE 3)

Cris Couto

Todos os crimes que recordamos no post anterior, em especial, os atentados do dia 8/1, possuem incontestável conotação político-partidária. Assim, importante fazer uma breve retrospectiva dos atos de Bolsonaro e de Lula nos últimos anos. Comecemos com Jair Bolsonaro, o “mito”.

Bolsonaro fez da política “um negócio de família”, tanto que três dos seus cinco filhos possuem cargos eletivos: Flávio, senador; Eduardo, deputado federal; e Carlos, vereador no Rio de Janeiro, muito embora este último tenha passado mais tempo em Brasília, comandando o conhecido “gabinete do ódio”. Jair Renan, o “zero quatro”, disse que também quer entrar para a política em 2028. Em 28 anos, a família Bolsonaro nomeou para seus gabinetes 286 assessores, dos quais 102 possuíam laços familiares com o clã e pelo menos 39 eram FUNCIONÁRIOS FANTASMAS. Segundo denúncias, Bolsonaro manteve um esquema de “rachadinhas” em seu gabinete, entre os anos de 1991 e 2018, e o uso de ex-funcionários comissionados para DESVIOS DE DINHEIRO PÚBLICO. Destaque-se que “rachadinha” é CORRUPÇÃO! Esse esquema também foi praticado no gabinete de Flávio Bolsonaro e, conforme o Ministério Público do Rio de janeiro, os servidores eram obrigados a depositar parte dos salários na conta do ex-assessor Fabrício Queiroz. Sim, o mesmo Queiroz que depositou 89 mil reais na conta de Michelle Bolsonaro sem origem conhecida. O Ministério Público do Rio de Janeiro suspeita que o senador Flávio Bolsonaro tenha realizado vários negócios imobiliários com o objetivo de lavar dinheiro fruto dessas “rachadinhas”. Aliás, estando Flávio acuado pelas investigações da “rachadinha”, o ex-presidente Bolsonaro interferiu na Polícia Federal, com o objetivo de barrar as investigações contra seu filho, conforme revelado por Sérgio Moro, seu então aliado. A dúvida que resta é se apenas as “rachadinhas” seriam capazes de proporcionar à família Bolsonaro tantos imóveis e tanto dinheiro. Será que o fato de Fabrício Queiroz e Adriano da Nobrega, amigos que já foram funcionários da família Bolsonaro, terem ligação com a milícia carioca pode ter alguma relação com o aumento significativo do patrimônio de Bolsonaro e seus filhos? Esse é um fato que deve ser investigado pelo Ministério Público-RJ.

E por falar em negócios imobiliários, como Bolsonaro gosta de imóveis! E o que mais chama a atenção é que quase a metade dos imóveis da família Bolsonaro foi adquirida por meio de DINHEIRO EM ESPÉCIE! Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro, comprou 14 imóveis, parte deles em DINHEIRO VIVO, enquanto casada com o ex-presidente. Ana Cristina, que não possuía nenhum bem, saiu da relação matrimonial com um patrimônio de 5,3 milhões de reais em valores corrigidos pela inflação. Eduardo Bolsonaro comprou dois imóveis na zona sul do Rio de Janeiro e, como parece costume de família, pagou 150 mil reais em DINHEIRO VIVO. O filho “zero dois” do presidente, Carlos Bolsonaro, não fugiu à tradição familiar e, em 2003, comprou imóvel também com DINHEIRO VIVO, cujo valor corrigido é de 366 mil reais. Flávio, o primogênito, comprou 19 imóveis por 9 milhões de reais e, segundo procuradores, as operações possuem indícios de LAVAGEM DE DINHEIRO, além do fato de que o valor dos bens foi maior que seus rendimentos como deputado. Quem tem dinheiro vivo para comprar um apartamento? E 14 apartamentos? E mais 2, mais 1, mais 19…. enfim, são muitos imóveis. Dinheiro vivo? Isso é possível? É claro que não! Os políticos brasileiros ganham bem, mas não ao ponto de enriquecerem dessa maneira, comprando tantos imóveis, e com DINHEIRO VIVO, cuja procedência é desconhecida. Forte indício de corrupção! Em março de 2021, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) comprou uma mansão por R$ 5,97 milhões em um bairro nobre de Brasília, valor incompatível com bens declarados na Justiça Eleitoral e com o salário de senador. Seguindo o exemplo da família, Jair Renan e sua mãe, também adquiriram uma mansão em 2022. Com salário de R$ 8.100 reais, Ana Cristina Valle, mãe de Jair Renan, o “zero quatro”, movimentou uma fortuna – R$ 9,3 milhões de reais – e comprou uma mansão de R$ 3,1 milhões em área nobre de Brasília. As investigações levam a crer que pelo menos parte dos imóveis são frutos de CORRUPÇÃO e lavagem de dinheiro.

Em 2014, Bolsonaro recebeu da JBS – pivô da crise política do Brasil em anos recentes – 200 mil reais. Se Bolsonaro realmente não quisesse o dinheiro, teria feito o quê? Devolvido à JBS. Mas, em vez disso, o então deputado federal encaminhou o dinheiro para seu partido que, na época, o Partido Progressista (PP). Pouco depois, Ciro Nogueira, então presidente do PP, ligou para Bolsonaro e disse que iria depositar 300 mil em sua conta. “Disse que tudo bem, mas que colocasse 200 mil na minha conta e 100 mil na conta do meu filho”, ressaltou Bolsonaro. Obviamente que esse era o dinheiro que veio da JBS. Quando questionado se o seu partido recebeu propina, Bolsonaro disse “partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”.

Durante o governo Bolsonaro, foi criado o “orçamento secreto” que, segundo a então candidata à presidência da República Simone Tebet, hoje ministra do Planejamento e Orçamento do Brasil, é o maior esquema de corrupção do planeta Terra. Afirmou Tebet que: “Podemos estar diante do maior esquema de corrupção do planeta Terra. Exemplo: numa cidade do interiorzinho do Maranhão, (a população) fez mais exame de HIV que toda a cidade de São Paulo, de 12 milhões de habitantes. Tem uma cidade que diz que extraiu num único ano 540.000 dentes, (uma cidade) pequenininha. Significa ter tirado 14 dentes de cada boca, de cada cidadão da cidade, inclusive do bebê recém-nascido que não tem dentes”. A então presidenciável destacou ainda a falta de transparência e a baixa capacidade de fiscalização pelos órgãos de controle, o que facilita ainda mais a corrupção. A falta de controle sobre bilhões geridos por parlamentares para gastos pelo Brasil abre espaço para grandes desvios e distorções no uso do dinheiro público! O orçamento secreto, mecanismo criado durante o governo Bolsonaro, envolvia a distribuição de verbas à parlamentares com o objetivo de garantir apoio ao ex-presidente. Era uma maneira de o governo Bolsonaro e o comando da Câmara e do Senado distribuírem verbas públicas para atender interesses dos deputados e senadores que os apoiavam. Ressalte-se que SÓ RECEBIA VERBA DESTE ORÇAMENTO SECRETO QUEM APOIASSE BOLSONARO. Esse mecanismo pode ser compreendido como uma troca de favores, mas com dinheiro público: Bolsonaro compra o apoio dos parlamentares e estes recebem a verba, sem serem identificados – por isso que a mídia batizou o mecanismo como “orçamento secreto”. A Transparência Internacional Brasil, organização que atua no combate à corrupção, avalia que o orçamento secreto é o maior processo de “institucionalização da corrupção” de que se tem registro no Brasil. Bruno Brandão, diretor executivo dessa organização, afirmou que “O que a gente chama de institucionalização da corrupção é uma forma de dar um verniz legal, institucional, a uma prática absolutamente corrupta na sua essência, que é a apropriação do erário público para interesses privados, sejam eles políticos, de reprodução de poder, ou pecuniários mesmo, interesses materiais”.

O chamado Orçamento Secreto deveria contar com R$ 19,4 bilhões em 2023, segundo a proposta de lei orçamentária encaminhada por Bolsonaro ao Congresso Nacional. Porém, o Supremo Tribunal Federal, por seis votos a cinco, no julgamento de ações que questionaram a constitucionalidade dessa prática, considerou inconstitucional as emendas de relator – nome oficial do “orçamento secreto”. As ações foram propostas por quatro partidos – Cidadania, PSB, PSOL e PV – e questionaram a falta de transparência sobre autoria, valor e destinação das emendas de relator, além da falta de critérios técnicos para alocação das verbas e a escolha arbitrária dos parlamentares beneficiados.

É inquestionável que o ORÇAMENTO SECRETO gerou inúmeros casos de CORRUPÇÃO. Esse mecanismo foi criado pelo ex-presidente Bolsonaro, o mesmo que, em 2018, ganhou o pleito eleitoral com a promessa de acabar com a velha política e com a corrupção. Ora, Bolsonaro é a representação máxima do que há de pior na velha política. Em sua gestão, nada foi proposto para intensificar a luta contra a corrupção. Pelo contrário, a intervenção na PF, a tentativa de compra de vacina superfaturada durante a pandemia da covid-19 – COVAXIN, o orçamento secreto, o episódio do ouro no MEC, a “boiada” do Ministério do Meio Ambiente, as joias da Arábia Saudita, são alguns dos exemplos que evidenciam que, durante o mandato de Bolsonaro, a corrução se intensificou no Brasil e alcançou patamares nunca antes imaginados.

É óbvio que a bandeira bolsonarista da “luta contra a corrupção” nunca foi autêntica, como pode ser comprovado pelos episódios até agora revelados. Aliás, nas eleições presidenciais de 2022, Bolsonaro usou indevidamente dinheiro público para obter votos. O atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revela que Bolsonaro deixou um rombo de R$ 300 bilhões para o país com gastos destinados a promover sua reeleição! No entanto, ainda há muitos brasileiros que continuam acreditando na honestidade de Bolsonaro. Até acharam normal o ex-presidente ter dito que “pintou um clima” em relação a meninas de 14 anos! Que Brasil é esse?! Assim, no próximo post, daremos sequência à análise dos fatos que comprovam que Bolsonaro nunca trabalhou para o desmonte do sistema de corrupção no país.

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