DEMOCRACIA EM RISCO ANTE AS INVESTIDAS MESSIÂNICAS E TOTALITÁRIAS DA EXTREMA-DIREITA BOLSONARISTA. BORA TRABALHAR, PGR? (PARTE 2)

Cris Couto

A história de vida de Jair Messias Bolsonaro, suas falas e ações comprovam que ele jamais teve apresso pela Democracia. Ao contrário. É um homem autoritário, amante da tortura, de ditadura e de ditadores. Nos anos 1980, Bolsonaro foi condenado por unanimidade por um conselho formado por 3 coronéis, por elaborar um plano para explodir bombas-relógio em unidades militares do Rio de Janeiro (posteriormente, foi absolvido em um recurso um tanto quanto controverso). Fez fortuna na vida pública de maneira questionável, pois com o salário dos cargos que ocupou, jamais teria condições de possuir a quantidade de imóveis que possui. Sempre teve um discurso do “nós contra eles”. Chegou à presidência da República devido a alguns fatores não muito democráticos: 1) tiraram da disputa Luís Inácio Lula da Silva, que estava à frente das pesquisas. Lula foi preso INJUSTAMENTE e SEM PROVAS, por um juiz SUSPEITO e INCOMPETENTE; 2) o uso exacerbado de FAKE NEWS, que a mídia e o Poder Judiciário demoraram a desmentir; 3) o atentado à faca sofrido por Bolsonaro, visto que, devido a esse lamentável crime, o então candidato à presidência deixou de comparecer aos debates, escondendo seu total despreparo e truculência; 4) o ódio ao PT fomentado por mentiras produzidas pela Lava Jato e reproduzidas pela imprensa, fez com que parte considerável da população brasileira votasse em qualquer um, exceto em algum candidato de esquerda.

Bolsonaro incitou seus apoiadores a não aceitarem o resultado das urnas, mentiu sobre fraude no processo eleitoral e estimulou que pessoas ficassem em frente a quartéis, na tentativa frustrada de mostrar ao alto comando do Exército que “tinha o apoio popular” no caso de um golpe, tal como ocorreu, de certa forma, em 1964. Fez vários discursos de teor golpista.  Em 2020, o então presidente, hoje inelegível, participou de uma manifestação a favor da intervenção militar, em frente ao Forte Apache, o quartel-general do Exército, em Brasília, e discursou para os seus apoiadores: “Eu estou aqui porque acredito em vocês. Vocês estão aqui porque acreditam no Brasil”. Neste evento golpista, enquanto manifestantes ocupavam parte da Avenida do Exército e gritavam “Fora, Maia”, “AI-5”, “Fecha o Congresso”, “Fecha o STF”, ou seja, se manifestavam contra a democracia, Bolsonaro se mostrava a favor das pautas criminosas. Em julho de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) e o general Walter Braga Netto (PL) lançaram candidatura à Presidência da República no Ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. O evento reuniu aproximadamente 10.000 pessoas. No discurso que encerrou o evento, Bolsonaro fez com que seus apoiadores jurassem “dar a vida pela liberdade”. Obviamente, ele incitava uma guerra civil para mantê-lo no poder! Fez reuniões golpistas com o alto comando das Forças Armadas e, talvez, não tenha obtido apoio total devido a um homem: o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, que ameaçou dar voz de prisão ao então presidente Jair Bolsonaro quando ele mencionou a possibilidade de dar um golpe de Estado para se manter no poder após ser derrotado nas urnas pelo presidente Lula.

As investidas de Bolsonaro contra o Estado Democrático de Direito e sua intenção de dividir a sociedade brasileira são claras. Bolsonaro plantou o ódio na sociedade por meio de mentiras e temor, trazendo à tona a fantasia do século passado de “medo ao comunismo”! Ele se colocou como o “escolhido de Deus” para salvar a pátria, usando a religião como instrumento de poder. Quando sinais de truculência social começaram a surgir no Brasil, como o assassinato de Genivaldo por integrantes da Polícia Rodoviária Federal ou quando o policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, apoiador do presidente Bolsonaro, invadiu a festa de aniversário de Marcelo Aloizio de Arruda, guarda municipal e tesoureiro do PT, e lhe tirou a vida na frente de sua esposa e filhos, o então presidente deveria ter feito alguma coisa. Mas, ao contrário, sempre ficou ao lado daqueles que promoveram a violência.

As investidas contra as instituições democráticas e a lavagem cerebral foram diárias. Quem não se lembra das famosas conversas no “cercadinho” e as lives de toda quinta-feira promovidas por Bolsonaro? O ex-presidente incitou ódio a um ministro do STF em particular: Alexandre de Moraes, ou, como se convencionou dizer, “Xandão”. Mas por que justamente Alexandre de Moraes? Ora, à época, Moraes, além de ministro da Suprema Corte, era também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para que Bolsonaro pudesse concretizar seu intento golpista, ele precisava descredibilizar todo o Judiciário, mas, mais do que isso, precisava intimidar o presidente do TSE. Qualquer ministro na posição de Moraes teria recebido o mesmo tratamento. Além disso, Moraes já estava investigando Bolsonaro em casos como o famoso inquérito das Fake News. Sabendo que Moraes estava descobrindo muitos crimes, o que fez Bolsonaro? Tentou cavar um impedimento do ministro! Contudo, como prevê o art. 256 do Código de Processo Penal, “A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a parte injuriar o juiz ou de propósito der motivo para criá-la”. É lamentável que muitos articulistas desconheçam essa imposição legal e continuem a espalhar desinformação acerca de um possível impedimento de Moraes.

Bolsonaro, no feriado de 7 de setembro de 2022, mostrou que estava indo para o “tudo ou nada”. Com discursos de teor antidemocrático e cada vez mais golpista, arregimentava ainda mais seus apoiadores para que pudesse se manter no poder. Sem contar o uso de dinheiro público para “comprar votos”. Foi o verdadeiro “voto de cabresto” do século XXI! A campanha de reeleição de Jair Bolsonaro custou 300 bilhões de reais aos cofres públicos.

A tentativa de golpe de Estado era clara. Hoje, graças às investigações da PF, descobriu-se minúcias dessa tentativa e a prova inequívoca do envolvimento de Bolsonaro, de Braga Neto e da alta cúpula das Forças Armadas, algo que será melhor delineado em outro post. Contudo, já em 12 de dezembro de 2022, no dia da diplomação do presidente eleito Luís Inácio Lula da Silva, houve sinais de que a derrota de Bolsonaro e a transferência de poder não seriam tão democráticas. Nesse dia, apoiadores radicais de Bolsonaro deflagraram uma série de atos de vandalismo em Brasília. Houve tentativa de invasão ao prédio da Polícia Federal. Carros e ônibus foram danificados e incendiados. A Polícia Militar entrou em confronto com os bolsonaristas, porém, NINGUÉM foi preso! Bolsonaro, à época presidente da República, ficou em silêncio. Os bolsonaristas declararam não aceitar o resultado das urnas, propagando a ideia mentirosa e golpista de Jair Bolsonaro sobre a existência de fraude, além de defenderem abertamente um golpe, por meio de intervenção militar no governo, o que representava uma afronta à Constituição Federal e à democracia.

A véspera de Natal em 2022 foi marcada por mais um ato da extrema-direita bolsonarista contra a sociedade brasileira, visto que houve a tentativa de explodir um caminhão-tanque no Aeroporto Internacional de Brasília. Bolsonaro, no entanto, havia fugido para os EUA, como parte do plano golpista, mais um fato que deixaremos para outro post.

O que aconteceu em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023 também está na conta de Jair Bolsonaro. Pessoas lunáticas que compraram o discurso golpista de Bolsonaro foram a Brasília “tomar o poder” para o “mito”. Quem não se lembra da famosa frase dita por apoiadores do ex-presidente: “Intervenção federal com Bolsonaro no poder”? Como parte considerável da alta cúpula do Exército não aderiu ao plano de golpe, Bolsonaro mudou de tática: saiu do país para demonstrar um falso conformismo em perder as eleições, além de mostrar distância dos atos golpistas. Assim, ele poderia “voltar ao poder devido à vontade popular”, ou melhor dizendo, à vontade dos golpistas. Lembrando que a verdadeira vontade popular deu a vitória ao presidente Lula!

Francisco Wanderley foi apenas mais um bolsonarista que adotou o discurso de ódio de Bolsonaro. A motivação de seu atentado terrorista foram as falas do ex-presidente. O que faz uma pessoa aparentemente normal rezar para um pneu, pedir intervenção militar para extraterrestres e acreditar que Jair Bolsonaro é um homem honesto? Bom, isso é algo a ser muito estudado pela Academia, mas, em uma resposta simplista, podemos dizer que os apoiadores de Bolsonaro, em sua grande maioria, são pessoas que nunca aceitaram de verdade a igualdade social. São racistas, machistas, preconceituosos, homofóbicos e intolerantes religiosos, tal como o ex-presidente. E por falar em intolerância religiosa, vale destacar que o atentado de Tiu França teve um tom religioso, na medida em que, tal como terroristas islâmicos, ele colocou bombas em seu próprio corpo e se explodiu em nome de uma ideologia!

Como a PF já comprovou, Tiu França esteve no STF, no dia 24/8, e no Congresso Nacional no dia 26/8, visitando, inclusive, gabinetes de parlamentares bolsonaristas! Ora, será que ninguém percebe a gravidade disso? Tiu França poderia ter se explodido e matado inúmeras pessoas inocentes ao visitar tais prédios! Tudo em nome de uma ideologia criminosa e insana! A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) poderia e deveria ter descoberto e agido para evitar qualquer tipo de aventura golpista e criminosa. No entanto, se a ABIN tivesse agido para impedir tais visitas, que hoje sabemos terem sido perigosas, e até mesmo o atentado terrorista em frente ao STF, a extrema-direita bolsonarista iria acusar a ABIN, Alexandre de Moraes e Lula de “ferir a liberdade das pessoas”. Eles, em regra, usam direitos caros a todo cidadão, como a família, a liberdade e a religião, para enganar e manipular pessoas ingênuas, a fim de pôr em prática seus planos golpistas.

O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, afirmou que o atentado a bomba contra a sede da Corte na praça dos Três Poderes foi um ato “tipicamente terrorista”. Já o decano da Suprema Corte, o ministro Gilmar Mendes, disse que “O discurso de ódio, o fanatismo político e a indústria de desinformação foram largamente estimulados pelo governo anterior (Bolsonaro). Símbolos e feriados nacionais foram sequestrados com objetivos eleitorais. (…) A revisitação dos fatos que antecederam aos ataques de ontem é pressuposto para a realização de um debate racional sobre a defesa de nossas instituições, sobre a regulação das redes sociais e sobre eventuais propostas de anistiar criminosos”. Por usa vez, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que “no mundo todo alguém que coloca na cintura artefatos para explodir pessoas é considerado um terrorista”. Moraes continuou dizendo que queria “Lamentar essa mediocridade que também normaliza ou pretende normalizar o contínuo ataque às instituições. Essas pessoas não são só negacionistas na área da saúde, são negacionistas do Estado de direito, e devem ser responsabilizadas, e serão responsabilizadas”.

Por mais inacreditável que possa parecer, alguns apoiadores de Bolsonaro tentaram colocar a culpa do atentado praticado por Tiu França no presidente Lula! O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, por exemplo, disse que a culpa do atentado ao STF é do presidente Lula, pois, segundo ele, o Governo Federal é “fraco e apático”. É óbvio que Caiado tenta “lacrar” nas redes sociais com tal pronunciamento, pois visa manchar ao máximo a imagem do presidente Lula, visto que pretende se lançar candidato à presidência em 2026. Mas tudo tem limites, Caiado! Essa fala não poderia ser mais repugnante e rasteira, ainda mais vinda de um aliado de primeira hora do ex-presidente golpista! Na verdade, esse pronunciamento de Caiado só comprova que NÃO EXISTE BOLSONARISMO MODERADO, embora parte da mídia tente afirmar que exista, no intuito de lançar Tarcísio de Freitas como líder da direita. Sim, Tarcísio, aquele que levou toda a truculência e as ações da milícia carioca para a polícia militar de São Paulo e que acabou com a educação paulista.

Engana-se quem pensa que a democracia brasileira foi salva pela vitória da frente democrática da chapa do presidente Lula. Infelizmente, a extrema-direita mundial e, em especial, a bolsonarista, não possui nenhum limite ético ou moral. Continuará investindo contra as instituições democráticas e, como visto, planos de golpes e até de assassinatos de autoridades fazem parte do cotidiano desse setor ideológico. Só há uma coisa capaz de conter — pelo menos um pouco — a ânsia golpista da extrema-direita: a prisão dos arquitetos das investidas golpistas, ou seja, a condenação criminal de Bolsonaro e dos militares envolvidos. Note-se que essas prisões esfriarão, mas não eliminarão, o intuito golpista da extrema-direita. Nada é capaz de eliminar o espírito golpista que essas pessoas encarnaram. Porém, com a aplicação da lei criminal, essas pessoas irão se recolher, temerão o Poder Judiciário, e poderemos retornar à normalidade por mais um longo tempo, tal como se deu nos anos pós-redemocratização até 2018. Assim, teremos tempo para pensar melhor em como educar nossas crianças para que sejam verdadeiros democratas, a fim de salvar nossa democracia. Não faltam provas para que Gonet, procurador-geral da República, denuncie Bolsonaro, o que resultará em uma condenação pelo STF. Aliás, há EXCESSO DE PROVAS contra o ex-presidente. Então, bora trabalhar, Gonet?

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