O BRASIL DEIXOU DE SER UM PAÍS PACÍFICO E PASSOU A SER UM PAÍS VIOLENTO: NA CALADA DA NOITE OU COM CHEIRO DE FUMAÇA DE ÓLEO DIESEL – PARTE 5

Cris Couto

Está meio complicado finalizar a série de crimes cometidos e encorajados pelos discursos irresponsáveis do presidente Jair Bolsonaro, pois a cada dia surgem novos crimes sempre motivados pelos atos e falas do chefe do Executivo. Mas hoje, terminaremos esta série com um dos mais REPUGNANTES ASSASSINATOS DE 2022, até o presente momento, pois além de ser um crime com nítida MOTIVAÇÃO POLÍTICA, houve certas peculiaridades que fizeram com que o crime ficasse ainda mais abjeto.

No dia 9 de julho de 2022, Marcelo Aloizio de Arruda, guarda municipal e tesoureiro do PT, estava na sede da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu, na Vila A, em Foz do Iguaçu, preparando a comemoração de seus 50 anos, com sua família. No local, encontravam-se sua esposa e seus quatro filhos, dentre eles, um bebê de apenas 4 meses. O tema do aniversário era o Partido dos Trabalhadores e o ex-presidente Lula. Ora, o aniversariante tem o direito de escolher o tema que melhor lhe aprouver! Isso não é crime, nem tinha intenção de irritar ou menosprezar ninguém. Note-se que se tratava de um local fechado, onde a intenção era a comemoração de um aniversário junto com familiares e amigos. Nunca houve o intento de provocar pessoas com ideologias distintas.

O policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, apoiador do presidente Bolsonaro, estava em um churrasco, quando foi avisado por algum “amigo”, que estava ocorrendo uma festa, cuja a temática era o PT. Nesse momento, o policial federal bolsonarista resolveu ir verificar o que estava ocorrendo, como se tivesse autoridade para decidir sobre a temática de uma festa de aniversário, ou como se o fato de a temática ser “Lula” constituísse algum tipo de crime que ele, por ser policial BOLSONARISTA, tivesse o direito averiguar. É realmente inacreditável o grau de loucura e prepotência dos bolsonaristas fanáticos, também conhecidos como “bolsonaristas raiz”!!!

Chegando ao local com sua esposa e seu filho no carro, Guaranho colocou uma música referente à campanha do presidente Bolsonaro e começou a OFENDER E AMEAÇAR O ANIVERSARIANTE, pelo simples fato de ele ser petista, conforme relatos da família e pessoas próximas ao local. Além disso, O POLICIAL BOLSONARISTA COMEÇOU A GRITAR PALAVRAS DE ORDEM COMO “MITO”, “BOLSONARO”, “LULA LADRÃO” E “MORTE AO PT”.O aniversariante e Guaranho começaram a discutir, cada um defendendo suas respectivas ideologias. Marcelo Arruda pede para Guaranho se retirar, mas a discussão começou a ficar mais acirrada. Foi quando o aniversariante pega um punhado de terra e joga no carro do bolsonarista, com o objetivo de que ele se retirasse do local, para o qual, aliás, nem deveria ter se dirigido, uma porque não foi convidado e outra porque foi com o objetivo inequívoco de procurar confusão. Guaranho, a pedido de sua esposa, se retira do local.

Pouco depois, o policial bolsonarista retorna à sede da Associação armado. O aniversariante, ao ser avisado de que Guaranho estava dentro da Associação, pega sua arma e coloca na cintura. A esposa de Marcelo Arruda, tesoureiro do PT, que também é policial tenta intervir e acalmar a situação. Nesse momento, cumpre ressaltar que no local HAVIA QUATRO CRIANÇAS, filhos da futura vítima. Porém, a atitude corajosa de Pamela Suellen Silva, esposa do aniversariante, infelizmente não surtiu efeito, haja vista que Guaranho disparou quatro tiros contra Marcelo, gritando “aqui é Bolsonaro”. Antes de falecer, Marcelo, em inequívoca legitima defesa própria e também de terceiros, conseguiu fazer disparos em direção a Guaranho, que é atingido por uma bala e cai no chão, mas continua tentando atirar. Nesse momento, um rapaz se aproximou de Guaranho e começou a lhe dar chutes na cabeça, enquanto outro conseguiu chutar a arma de Guaranho para longe. Obviamente, a reação desses dois rapazes deve ser encarada como evidente excludente de ilicitude, pois era nítido, pelas próprias imagens do episódio, que o policial bolsonarista, do jeito que ainda estava segurando a arma, tinha intenções de atingir mais pessoas.

Alguns bolsonaristas tentaram defender Guaranho, dizendo que ele somente cometeu o assassinato em questão, pelo fato de o petista ter jogado pedras e copo de cerveja no carro. O filho mais velho da vítima, Leonardo Arruda, disse que isso nunca aconteceu. Afirmou Leonardo Arruda que “O cara a princípio fez um movimento como se estivesse armado. A primeira reação dele (de Marcelo Arruda), foi pegar um punhado de terra e tacar nele. Ao contrário do que estão falando que era pedra ou copo de cerveja, era um punhado de terra“. E ainda que Marcelo Arruda tivesse jogado pedras e copos de cerveja, tais atitudes não legitimariam o homicídio qualificado praticado logo em seguida pelo “bolsonarista raiz”!

Inicialmente, a delegada responsável pelo caso, Dra. Iane Cardoso, começou a apresentar algumas posturas estranhas. Até que veio à tona que, em suas redes sociais, ela também apoiava Bolsonaro. Conforme a Deputada Federal, Gleisi Hoffmann, a delegada postou, em 2016, que “petista quando não está mentindo está roubando ou cuspindo”. Outra postagem da delegada, do mesmo ano, divulgou as hashtags “#foralula” e “#foraPT”.  Gleisi Hoffmann também chegou a argumentar que a Polícia Civil do Paraná ainda não apresentou os resultados da investigação dos disparos contra uma caravana de Lula em 2018.

Foi afirmado, na data dos fatos, que o tesoureiro do PT chegou a ser levado ao hospital, mas que não resistiu, vindo ao óbito. E que, de igual forma, Guaranho também havia morrido. Pouco depois, descobriu-se que Guaranho estava vivo, apesar de estar no hospital, em estado grave. Após polêmica, houve a troca da delegada. Quem passou a estar à frente das investigações foi a Dra. Camila Cecconello.

No próximo post, continuaremos analisando as circunstâncias do assassinato do tesoureiro do PT e as evidentes relações desse crime com o discurso de ódio permanentemente propagado pelo presidente Bolsonaro.

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