Cris Couto
No dia 25 de maio, por volta das 11h00, no KM 180 da BR-101, mais precisamente na cidade sergipana de Umbaúba, três policiais rodoviários federais (PRF) abordaram um cidadão por não usar capacete enquanto dirigia uma motocicleta. Os policiais – Paulo Rodolpho Lima Nascimento, Kleber Nascimento Freitas e William de Barros Noia – mandaram Genivaldo de Jesus Santos parar a moto e, em seguida, segundo relato dos próprios policiais, exigiram que Genivaldo erguesse a camisa e colocasse as mãos na cabeça. Ainda segundo eles, Genivaldo teria se negado a fazer o que os policiais haviam solicitado e, por tal motivo, teria havido a necessidade de confronto físico! Argumento sem o menor sentido, pois, independentemente de qualquer outra coisa, Genivaldo já estava imobilizado e em menor número. Se fosse o caso – o que não era, como veremos mais adiante nessa série de posts – bastaria algemá-lo e levá-lo para a delegacia. Mas é claro que isso seria esperar muito, diante da TRUCULÊNCIA POLICIAL QUE VEM CRESCENDO A CADA DIA! Truculência essa que, como veremos, é constantemente encorajada e fomentada pelo PRESIDENTE DA REPÚBLICA!
Genivaldo de Jesus Santos, um homem negro, tinha 38 anos, era aposentado em virtude de sofrer de esquizofrenia e tomava remédios de uso controlado há mais de vinte anos. Era casado com Maria Fabiana dos Santos, tinha um filho de sete anos e um enteado de 18 e, segundo sua esposa, apesar da doença, sempre foi trabalhador, pacífico e amoroso com a família. Era de uma família pobre e morava em uma casa de apenas dois cômodos, num bairro simples da cidade de Umbaúba. Era uma pessoa boa, sem ficha criminal e não tinha feito nada demais. É claro que andar de motocicleta sem capacete é errado, mas isso é motivo para ser torturado até a morte? Lembrem-se que, Bolsonaro, em suas motociatas milionárias, pagas pelos contribuintes brasileiros, já andou várias vezes sem capacete.
É incontestável que os policiais agrediram Genivaldo. Há cenas que comprovam a TOTAL DESNECESSIDADE DA ABORDAGEM CRUEL. Houve confronto físico ainda fora do camburão. Corroboro, como dito anteriormente, que os policiais já teriam imobilizado Genivaldo, muito embora isso sequer fosse necessário. Posteriormente, colocaram Genivaldo dentro do camburão. Nervoso e desesperado, Genivaldo teria se debatido contra o veículo e, conforme os próprios policiais, houve a necessidade de “uso de tecnologia”. Mas o que seria essa tecnologia? Conforme jargão policial, é o uso de GÁS DE PIMENTA E GÁS LACRIMOGÊNIO.
Os policiais envolvidos no ASSASSINATO de Genivaldo, portanto, disseram em boletim de ocorrência, que Genivaldo se recusou a obedecer às ordens dadas, sendo necessário o emprego do uso “diferenciado da força”. Afirmaram, ainda, que Genivaldo teria praticado os delitos de desobediência e resistência! E, se não bastassem tantas invenções abjetas presentes no referido BO, os policiais ainda tiveram o atrevimento e a arrogância de dizer que a morte de Genivaldo não estava vinculada aos atos policiais. Disseram que a “fatalidade estava desvinculada da ação policial legítima”. Afirmaram que, após o uso das tais “tecnologias” (gás de pimenta e gás lacrimogênio), Genivaldo estava bem e fora levado para a delegacia. E que somente durante o trajeto é que Genivaldo teria passado mal, tendo sido levado ao hospital, onde veio a falecer.
No entanto, conforme LAUDO DO INSTITUTO MÉDICO LEGAL (IML), Genivaldo morreu por ASFIXIA MECÂNICA E INSUFICIÊNCIA RESPIRATÓRIA. Assim, o laudo do IML demonstra as mentiras narradas no boletim de ocorrência e comprovam o assassinato de Genivaldo cometido por agentes da Polícia Rodoviária Federal, funcionários públicos pagos com dinheiro público para trabalharem para nós, brasileiros, e não para nos matarem. Ah, e só um esclarecimento: policial rodoviário federal (PRF) NÃO É AUTORIDADE POLICIAL E SIM DE TRÂNSITO e, portanto, além das atrocidades já narradas, os policiais envolvidos no caso em tela, extrapolaram e muito suas funções!
Na tentativa inequívoca de se esquivar do assassinato de Genivaldo, a Polícia Rodoviária Federal, no dia 25 de maio, soltou uma nota afirmando que, devido à necessidade de conter um homem que havia cometido alguns ilícitos, policiais tiveram que utilizar “técnicas de imobilização e instrumentos de menor potencial ofensivo” e que, infelizmente, essa pessoa fora levada a óbito. Essa nota da PRF é tão VERGONHOSA, ASQUEROSA E MENTIROSA que o governo federal deveria tomar algumas atitudes e, inclusive, EXONERAR ALGUNS DOS DIRETORES DA CORPORAÇÃO. No entanto, o chefe do Executivo Federal, Jair Bolsonaro, é totalmente a favor da tortura, do fuzilamento e de tantas outras atrocidades, como será demonstrado neste e nos próximos artigos, “tá ok?”
Convém destacar que a abordagem da PRF em relação ao Genivaldo, além de ter tido testemunhas oculares, foi filmada. E pasmem! Nem isso fez com que os policiais tivessem receio de torturar um cidadão. Sabem porquê? Pelo simples fato de terem certeza de que o presidente da República protege toda e qualquer atrocidade cometida por policiais. Afinal de contas, quantas foram as vezes que Bolsonaro já defendeu os abusos cometidos por agentes de segurança pública?
Nos próximos posts, continuaremos discutindo as circunstâncias do assassinado de Genivaldo de Jesus Santos por policiais rodoviários federais e, principalmente, as causas profundas que têm levado à banalização da truculência e da violência por parte de agentes do Estado brasileiro.
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