O BRASIL DEIXOU DE SER UM PAÍS PACÍFICO E PASSOU A SER UM PAÍS VIOLENTO: NA CALADA DA NOITE OU COM CHEIRO DE FUMAÇA DE ÓLEO DIESEL – PARTE 6

Cris Couto

Como vimos no post anterior, após o policial bolsonarista Jorge José da Rocha Guaranho ter assassinado o petista Marcelo Aloizio de Arruda, por motivação política, em plena festa de aniversário da vítima, a imprensa foi informada de que Guaranho estava hospitalizado em estado grave. No dia 10 de agosto, um mês após o enterro de Marcelo Arruda, o bolsonarista conseguiu sair do hospital e ir para sua casa, pois o juiz Gustavo Germano Arguello, determinou PRISÃO DOMICILIAR do assassino, com tornozeleira eletrônica!!!! Após muitas críticas do Ministério Público do Paraná e, logicamente, dos familiares da vítima e do Partido dos Trabalhadores, a prisão domiciliar foi revogada, e Guaranhos atualmente encontra-se no Complexo Médico Penal (CMP) de Pinhais. A prisão domiciliar somente foi revogada após intervenção da Secretaria de Segurança Pública. No entanto, a defesa de Guaranho afirmou que ‘a prisão é ilegal e desumana’. Ora, se a prisão de um homem que cometeu homicídio “duplamente” qualificado, por motivo torpe e por causar perigo comum, segundo conclusão da delegada civil, preso em flagrante, for ilegal, nada mais é legal no Brasil! Ridículo o argumento da defesa. Alegam ser a prisão desumana, pois o policial bolsonarista necessitaria de cuidados médicos, devido aos chutes que recebeu na cabeça após ter atirado em Marcelo Arruda.

Para começar, o ASSASSINO BOLSONARISTA não está em um CDP –Centro de detenção provisória. Conforme dito acima, ele se encontra em um Complexo Médico Penal (CMP), onde receberá todos os cuidados médicos necessários, o que é correto, visto que está sob a custódia do Estado. A Secretaria da Segurança Pública informou que “o paciente passa bem” e que passará por tratamento de reabilitação com fisioterapia diariamente, de segunda a sexta-feira no Complexo Médico Penal e que, se necessário, poderá ser assistido por equipes multidisciplinares no local ou escoltado em outros centros de saúde. Oportunidade que Marcelo Arruda não pode receber, justamente porque não resistiu aos tiros quando foi ASSASSINADO por Guaranho.

Outro fato a ser salientado é que a polícia civil do Paraná disse que não houve premeditação no crime, tampouco crime político. Vamos por partes. É óbvio que houve PREMEDITAÇÃO! Guaranho, após discussão com Marcelo foi embora e, de maneira planejada, retornou, pouco tempo depois, com arma na mão, pronto para atirar no petista. Conforme o art. 59 do Código Penal, a premeditação, perante o caso concreto, pode ser levada em consideração para agravar a pena base. E se o julgamento for justo e imparcial, é o que deverá acontecer, independentemente da opinião pouco técnica da delegada de polícia.

A delegada também disse não ter havido crime político. Concordo totalmente! O que houve foi CRIME COM MOTIVAÇÃO POLÍTICA, que são coisas totalmente distintas. Não sei se a delegada não sabe dizer a diferença entre tais conceitos ou, se fez tal confusão para manipular a população leiga. Para esclarecer, crime com motivação política nada mais é do que a prática criminosa impulsionada pela ideologia política. Cumpre notar que na hora dos disparos da arma de fogo pelo policial BOLSONARISTA, ele gritava “aqui é Bolsonaro!”. Sendo assim, desnecessário o levantamento de novos argumentos ou provas.

Outro fato bastante curioso é que, como já visto oportunamente, Guaranho teve conhecimento da festa de aniversário do tesoureiro do PT, por meio de um “amigo”. Para tentar desvendar quem era esse amigo, foi pedido o acesso às imagens das câmeras de segurança da Associação Esportiva Saúde Física Itaipu. Ocorre que somente uma pessoa tinha as senhas para a liberação COMPLETA de tais imagens, e essa pessoa era Caludinei Esquarcini, o qual apareceu morto dias depois. A polícia afirmou ter sido um suicídio! Será mesmo? Suicídio ou “queima de arquivo”? Acredito que esse “suicídio” devesse ser muito bem investigado, mas provavelmente vão encerrar as investigações. Os advogados da vítima, Marcelo Arruda, solicitaram a busca e a apreensão dos celulares de Guaranho e de Esquarcini, para tentar desvendar, ao menos, quem foi o “amigo” que avisou o ASSASSINO sobre a festa. Estranho a polícia do Paraná não ter tido tal ideia, não é?

Mas apesar de toda essa história ser terrivelmente triste e sem fundamento, há uma preocupação muito maior que gira em torno dela. Essa morte totalmente desnecessária, sem fundamento, tende a não ser um caso isolado. Isso pelo fato de que –  não é novidade para ninguém –  o presidente da República, Jair Bolsonaro, sempre foi truculento, violento, homofóbico, machista, racista, preconceituoso e usa todo e qualquer artifício para estimular seus apoiadores a agirem da mesma forma.

Bolsonaro, durante a campanha eleitoral de 2018, no Acre, chegou a pegar um fuzil nas mãos e dizer “vamos fuzilar a pretralhada aqui do Acre”. Também chegou a dizer que, durante a ditadura militar, “deveriam ter sido fuzilados uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique Cardoso”, em 1999, durante uma entrevista ao programa Câmara Aberta”; “O grande erro da Ditadura Militar foi torturar e não matar”; “Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra [um dos mais violentos torturadores da ditadura militar], o pavor de Dilma Rousseff”, “Eu jamais ia estuprar você porque você não merece”,  “Eu não sou coveiro, tá certo?”, e tantas inúmeras outras falas vis e abjetas. Bolsonaro chegou ao ponto de imitar, por duas vezes, em suas lives, uma pessoa passando mal e morrendo com covid-19.

As falas do chefe do Executivo, acima reproduzidas, são meros exemplos do DESTEMPERO, DA TRUCULÊNCIA E DA VIOLÊNCIA que se fazem presentes em todas as lives presidenciais, em todos os discursos e entrevistas concedidas por Bolsonaro. E sabe o que é o pior? Grande parte dos eleitores que votaram em Bolsonaro achava que ele nunca tinha dito tais absurdos – que eram “invenção da mídia”, demonstrando total desconhecimento da verdadeira face do “mito” – ou, o que é pior, concorda com tudo o que ele fala, mesmo que seja algo tipificado como crime no Código Penal ou em outras leis. Porém, como pode ser facilmente percebido, o presidente, desde o seu discurso de posse, ao dizer que “nossa bandeira jamais será vermelha”, sempre tentou estimular a divisão da nação, o famoso “nós contra eles”, esquecendo-se de que, como presidente da República, deveria governar para todos, sem exceção.

Não foram raros os movimentos violentos, vergonhosos e claramente golpistas praticados por Bolsonaro nos últimos ano. E isso no pior momento sanitário da história do país, durante o qual Bolsonaro não só se furtou a defender a saúde do povo brasileiro, como também estimulou aglomerações e o não uso de máscaras! Ademais, Bolsonaro, além de ter conseguido facilitar ao máximo a aquisição de armas de fogo por qualquer pessoa, praticamente, pede para que os cidadãos, pelo menos seus fiéis seguidores, tenham armas. Isso tem um motivo claro: o presidente tem consciência dos inúmeros crimes cometidos por ele e por sua família e, no caso de não conseguir se reeleger, pode vir a tentar a via do golpe!

Diante deste contexto, é INQUESTIONÁVEL que a retórica violenta, truculenta, desrespeitosa, anti-institucional e destruidora da democracia brasileira do presidente Bolsonaro é ameaça real, como se fosse um chamado a seus seguidores para poder alimentar, incentivar e legitimar ações concretas contra as instituições e o Estado de Direito. Da mesma forma, ninguém em sã consciência pode duvidar de que tais falas violentas de Bolsonaro têm motivado agressões, ofensas e mortes por todo o país. É ÓBVIO QUE OS BOLSONARISTAS MAIS FANÁTICOS QUEREM “FUZILAR A PETRALHADA”!

No próximo post, continuaremos analisando como a retórica agressiva de Bolsonaro tem contribuído para alimentar uma onda de ódio e de violência política no país.

Deixe um comentário