O FORTE DISCURSO DE LULA NA ONU E OS RECADOS QUE O MUNDO – E OS ELEITORES DOS EUA – PRECISA ENTENDER

Cris Couto

No dia 24/09, o presidente Lula discursou, em Nova York, na abertura da 79ª edição da Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU). Cabe ao Brasil, por tradição, abrir os discursos no encontro anual dos líderes dos mais de 190 países da Organização das Nações Unidas (ONU).  Lula realizou um discurso contundente e abordou os principais desafios globais, além de propor mudanças significativas na governança internacional. Os principais pontos abordados pelo presidente foram: 1) Palestina; 2) Guerra entre Ucrânia e Rússia; 3) fome e insegurança alimentar; 4) reforma da ONU; 5) democracia; 6) América Latina; 7) Sul Global; 8) inteligência artificial; 9) recurso para países pobres e crítica a bilionários. Lula fez uma abordagem séria, certa e óbvia acerca dos principais problemas enfrentados pelas nações. No entanto, o óbvio muitas vezes precisa ser dito e explicado, sob pena de problemas piores acontecerem. Mas o que esse discurso tem a ver com o futuro mundial? Por que os eleitores estadunidenses deveriam ter prestado atenção nas abordagens do presidente brasileiro antes de votarem nas últimas eleições presidenciais?

De início, o presidente Lula mostrou sua preocupação com o aumento das guerras no mundo. Ressaltou que, em 2023, houve o recorde do maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial. E destacou que os gastos militares globais cresceram pelo nono ano consecutivo e atingiram 2,4 trilhões de dólares. Mais de 90 bilhões de dólares foram mobilizados com arsenais nucleares. Após apontar esses dados, Lula afirmou que esse dinheiro deveria estar sendo usado para o enfrentamento de problemas sérios, como a fome vivida por cerca de 9% da população mundial, bem como no enfrentamento da crise climática que vem causando danos irreversíveis mundo a fora.

No entanto, Donald Trump, assim como toda a extrema-direita mundial, é negacionista climático. Para a extrema-direita, o aquecimento global sequer existe, e todos os desastres naturais que vêm se intensificando nos últimos anos são apenas “obra de Deus”. Os adeptos da extrema-direita não acreditam na ciência nem em dados de especialistas. Quando foi presidente dos Estados Unidos, Trump retirou o país do Acordo de Paris, um compromisso mundial sobre as mudanças climáticas que estabelece metas para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Aliás, para a extrema-direita, proteger o meio ambiente é “coisa de comunista”. A falta de compromisso com as questões climáticas e ambientais é cada vez mais evidente nos discursos de políticos dessa vertente, tornando o mundo mais caótico. O aquecimento global é uma realidade e não uma teoria fantasiosa da esquerda, como a extrema-direita alega para justificar a destruição irresponsável do meio ambiente, visando exclusivamente o lucro. O meio ambiente, após anos de devastação, começou a “cobrar a conta”. Eventos como as chuvas e enchentes no Rio Grande do Sul, furações e tornados como ocorreram na Flórida, bem como as recentes e devastadoras enchentes na Espanha tendem a se repetir e de forma ainda mais agressiva. Trump, porém, deverá ser ainda mais radical em seu segundo mandato presidencial na tentativa de prejudicar as pautas ambientais.

Uma das principais bandeiras do presidente Lula sempre foi o combate à fome. O programa Fome Zero foi criado em 2003 para combater a fome e as suas causas estruturais que geram a exclusão social. Ao criar tal programa, Lula acabou colocando o combate à fome no centro da política nacional e, portanto, fez desse objetivo uma prioridade na agenda do governo. Em 2014, devido ao Fome Zero, Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família e demais programas de transafência de renda, O BRASIL SAIU DO MAPA FOME produzido pela ONU, ou seja, começou a ter segurança alimentar. Havia ainda muito a ser feito para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros, mas o país estava no caminho certo. Contudo, em 2019, sob o governo de Jair Bolsonaro, o Brasil infelizmente retornou ao Mapa da Fome. Isso se deveu ao fato de que Bolsonaro, assim como outros políticos de extrema-direita, não se importava em reduzir a pobreza. O salário mínimo, durante o governo Bolsonaro, nunca teve aumento acima da inflação. Durante todo o mandato, o ex-presidente congelou salário mínimo, mas a inflação disparou 27%!!! Ou seja, ao longo dos quatro anos da gestão Bolsonaro, os alimentos tiveram inflação generalizada e encareceram, em média, 57%. Além disso, os direitos sociais foram sucateados! Menos dinheiro para o programa MINHA CASA MINHA VIDA, fim da FARMÁCIA POPULAR, BOLSA FAMÍLIA DEFASADA são exemplos disso. Toda essa má gestão e descaso para com a população mais pobre, fez com que o Brasil retornasse ao Mapa da Fome.  A situação estava tão dramática que havia filas de ossos para que muitos brasileiros tivessem acesso a algum alimento. Mais de 30 milhões de pessoas passavam fome no Brasil! A inflação em alta e queda na renda dos brasileiros levaram grande parte do povo para a insegurança alimentar!

Em seu terceiro mandato, Lula busca uma solução para a fome não só em âmbito nacional. A fome voltou a estar presente na agenda internacional do Brasil. A Força-tarefa para Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa proposta pela presidência brasileira do G20, tem como objetivo estabelecer uma Aliança Global para angariar recursos e conhecimentos para a implementação de políticas públicas e tecnologias sociais para a redução da fome, desigualdade e da pobreza no mundo. Em termos nacionais, a edição de 2024 do Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial revela queda de 85% na insegurança alimentar severa no Brasil, sob a gestão do presidente Lula. O governo federal prevê a saída do país do Mapa da Fome no triênio de 2023 a 2025.

O presidente Lula da Silva recebeu o prêmio GoalKeepers da Fundação Bill e Melinda Gates pelas políticas de combate à fome implementadas em seus três governos, como o programa Fome Zero e Bolsa Família. Na ocasião, Gates exaltou a trajetória pessoal de Lula, ressaltando a infância pobre do petista e seu percurso até a Presidência da República e afirmou que o presidente brasileiro é “inspirador”. Lula disse ter “obsessão” em combater a fome no mundo e ressaltou que “A fome não é um fenômeno da natureza. A fome é irresponsabilidade dos governantes do mundo, que não querem enxergar as pessoas mais pobres”. É exatamente isso que a extrema-direita faz: ignora os pobres, não respeita seus poucos direitos conquistados e busca explorar ainda mais a classe trabalhadora. Quem não se lembra da Reforma Trabalhista de Temer, que retirou direitos dos trabalhadores? Ou das declarações de Bolsonaro, que afirmava que “as minorias devem se curvar à maioria” e que o pobre só tem uma utilidade: “votar, com o título de eleitor na mão e o diploma de burro na outra“.

Os políticos de extrema-direita defendem o discurso da meritocracia e do Estado mínimo, alegando que basta querer para que uma pessoa tenha sucesso, e que o Estado não deve financiar saúde, educação e outros direitos fundamentais. No entanto, esse discurso é falso! Pessoas mais pobres que precisam trabalhar para estudar jamais terão as mesmas oportunidades de ingressar em uma universidade ou no mercado de trabalho que alguém nascido em um berço de ouro. Daí a importância de políticas públicas como o programa Pé de Meia. O Estado, por sua vez, deve sim garantir saúde, educação, moradia, lazer e todos os direitos fundamentais previstos na Constituição Federal e em leis internacionais, para diminuir a desigualdade social. É evidente que milionários como Elon Musk, alinhados com a extrema-direita, e políticos que trabalham em prol desses milionários não pensam assim, já que, quanto menor a qualidade da educação e menores os direitos sociais, mais os pobres se sujeitarão a executar trabalhos degradantes em condições ruins e com baixos salários.

Em seu discurso na AGNU, o presidente Lula também saudou a presença do presidente Mahmmoud Abbas, da Palestina, e sua delegação que integrou pela primeira vez a sessão de abertura da Assembleia Geral, mesmo que ainda na condição de membro observador. Aproveitou para reafirmar que o Brasil condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, bem como os atos terroristas do Hamas contra Israel. Porém, também repudiou a forma em que a Ucrania e Israel estão agindo. Lula afirmou que “Na Ucrânia, é com pesar que vemos a guerra se estender sem perspectiva de paz. O Brasil condenou de maneira firme a invasão do território ucraniano. Já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar. O recurso a armamentos cada vez mais destrutivos traz à memória os tempos mais sombrios do confronto estéril da Guerra Fria. Criar condições para a retomada do diálogo direto entre as partes é crucial neste momento. Essa é a mensagem do entendimento de seis pontos que China e Brasil oferecem para que se instale um processo de diálogo e o fim das hostilidades”. O presidente brasileiro ainda destacou que “Em Gaza e na Cisjordânia, assistimos a uma das maiores crises humanitárias da história recente, e que agora se expande perigosamente para o Líbano. O que começou como ação terrorista de fanáticos contra civis israelenses inocentes, tornou-se punição coletiva de todo o povo palestino. São mais de 40 mil vítimas fatais, em sua maioria mulheres e crianças. O direito de defesa transformou-se no direito de vingança, que impede um acordo para a liberação de reféns e adia o cessar-fogo”.

A extrema-direita brasileira sempre contestou a forma como Lula lida com a questão da Ucrânia. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, também de extrema-direita, já desrespeitou o Brasil e seu mandatário inúmeras vezes, exigindo que o Brasil interviesse diretamente no conflito. Inacreditável! O Brasil tem uma tradição de respeito à soberania dos Estados e, principalmente, de acreditar na solução pacífica das controvérsias internacionais. No entanto, em relação à guerra entre Rússia e Ucrânia, o presidente eleito Donald Trump tem uma postura bastante semelhante à da diplomacia brasileira. Embora ainda seja incerto o que ele fará, Trump prometeu acabar com a guerra em um dia. É possível que os EUA deixem de ajudar economicamente a Ucrânia, assim como é certo que deixarão de ser os garantidores da segurança europeia. Essa visão de Trump contraria diretamente o pensamento da extrema-direita mundial, incluindo os bolsonaristas. Porém, é óbvio que eles jamais admitirão que essa visão do presidente americano eleito é muito parecida com a de Lula. Deve-se, contudo, ressaltar um fato: Trump deseja sim acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia, mas não porque os conflitos armados são prejudiciais à vida humana, e sim porque os EUA gastam muito dinheiro. Trump quer apenas economizar.

Em relação ao que Israel faz com a Palestina, o presidente eleito dos EUA tem uma postura diferente da que adota no conflito Ucrânia-Rússia. Vale lembrar que Trump já afirmou várias vezes ter sido o presidente mais pró-Israel da história moderna e chegou a elogiar sua relação próxima com Netanyahu. Durante a campanha eleitoral americana, Benjamin Netanyahu visitou Trump para estreitar ainda mais seu relacionamento. Portanto, é óbvio que Trump continuará a apoiar o primeiro-ministro israelense. Na verdade, nem Trump, nem Kamala Harris, nem Biden se importam com o genocídio que Israel comete na Palestina. E há um motivo para isso: os EUA ocupam o 1º lugar no ranking de maiores exportadores de armas do mundo, seguidos pela Rússia, França, China e Alemanha. Em agosto de 2024, os EUA aprovaram a venda de caças e outros equipamentos militares para Israel no valor de mais de US$ 20 bilhões de dólares. Ou seja, o “mercado da guerra” é muito rentável para os EUA. Além disso, Israel representa um ponto estratégico para os EUA no Oriente Médio, local de grande produção de petróleo. E, dessa forma, jamais os EUA irão concordar que Israel comete crime de guerra e crime contra a humanidade em solo palestino. Dados da ONU mostram que quase 70% das vítimas fatais verificadas na guerra de Gaza eram mulheres e crianças, sem contar homens inocentes que nada tinham a ver com os atos terroristas do Hamas.

O presidente Lula, ainda em seu discurso na ONU, fez uma forte ponderação acerca da necessidade de se diminuir a desigualdade social e a disparidade entre os Estados Soberanos. Ele destacou que a falsa oposição entre Estado e mercado foi abandonada pelas nações desenvolvidas, que voltaram a praticar políticas industriais ativas e forte regulação da economia doméstica”, como fizeram os EUA e a França. No entanto, a extrema-direita brasileira é contrária a isso, o que impede o crescimento dos países em desenvolvimento. Ressalte-se que há outra contradição entre Trump e a extrema-direita, pois o presidente eleito dos EUA é totalmente a favor do protecionismo, o que vai contra o falacioso discurso de liberdade que os extremistas adotam.

Na área de Inteligência Artificial, o presidente brasileiro afirmou quevivenciamos a consolidação de assimetrias que levam a um verdadeiro oligopólio do saber. Avança a concentração sem precedentes nas mãos de um pequeno número de pessoas e de empresas, sediadas em um número ainda menor de países. Interessa-nos uma Inteligência Artificial emancipadora, que também tenha a cara do Sul Global e que fortaleça a diversidade cultural. Que respeite os direitos humanos, proteja dados pessoais e promova a integridade da informação. E, sobretudo, que seja ferramenta para a paz, não para a guerra”. Com isso, Lula demonstrou ser a favor da ciência, do avanço da tecnologia e de novas pesquisas, desde que esses novos conhecimentos estejam à disposição de todos, sob pena de se tornarem mais um instrumento de opressão e desigualdade. Não surpreende que esse discurso não tenha sido bem recebido por aqueles que oprimem e se tornam cada vez mais poderosos e ricos, como Elon Musk, que usa seu poder e fortuna para disseminar notícias falsas e interferir negativamente na política interna de inúmeros países. O bilionário da tecnologia, que como se sabe, quer conseguir o monopólio das redes sociais, interferindo até no judiciário de alguns países, distribuiu US$ 1 milhão em prêmios de US$ 100 para eleitores que se registrarem no aplicativo de votação da X Corp, o que pode ser uma possível influência indevida no processo eleitoral americano. Em março de 2024, Musk anunciou uma doação de US$ 1 bilhão para o Fundo “Free Speech America” acompanhada de um sorteio de US$ 5.000 para 100.000 seguidores no X que compartilhassem sua mensagem. A ação, realizada em pleno período eleitoral, aumentou significativamente o alcance e a influência de Musk da plataforma, além de ser uma forma de se propagar Fake News e mensagens de ódio de maneira. Ademais, essa interferência pode ter contribuído para a vitória de Trump e o retorno da extrema-direita à Casa Branca.

Musk, Trump, Zelensky, Bolsonaro, Netanyahu, Milei e outros políticos de extrema-direita não apreciam a democracia. São golpistas, preconceituosos e violentos. Defendem a liberdade apenas para enganar as pessoas, quando na verdade querem liberdade apenas para continuar cometendo crimes e conquistando poder. E, para isso, visam destruir a democracia no mundo. Como bem afirmou Lula, “a liberdade é a primeira vítima de um mundo sem regras”.

Lula, por outro lado, é um verdadeiro democrata. Podem falar o que quiserem sobre ele, mas nunca que desrespeitou as regras democráticas. Mesmo durante o golpe de 2016, quando a presidenta Dilma Rousseff sofreu um impeachment ilegal, ou quando foi preso sem provas por um juiz incompetente e suspeito, Lula jamais deixou de seguir a lei. E, ainda em seu discurso na ONU, o mandatário do Brasil afirmou que No Brasil, a defesa da democracia implica ação permanente ante investidas extremistas, messiânicas e totalitárias, que espalham o ódio, a intolerância e o ressentimento. Brasileiras e brasileiros continuarão a derrotar os que tentam solapar as instituições e colocá-las a serviço de interesses reacionários. A democracia precisa responder às legítimas aspirações dos que não aceitam mais a fome, a desigualdade, o desemprego e a violência. No mundo globalizado não faz sentido recorrer a falsos patriotas e isolacionistas. Tampouco há esperança no recurso a experiências ultraliberais que apenas agravam as dificuldades de um continente depauperado”. Essa parte do discurso certamente deixou a extrema-direita em pânico, visto que Donald Trump e Jair Bolsonaro incentivaram atos golpistas em seus países, como a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e a invasão e destruição da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Infelizmente, uma parte significativa da população ainda não compreendeu as verdadeiras intenções desses políticos golpistas, o que fica evidente com a reeleição de Trump.

Diante das crescentes distorções na política externa e dos conflitos armados devastadores, que podem levar a uma terceira guerra mundial com poderio nuclear, Lula alertou para a necessidade urgente de uma verdadeira reforma na Organização das Nações Unidas (ONU). Afirmou Lula que Prestes a completar 80 anos, a Carta das Nações Unidas nunca passou por uma reforma abrangente. Apenas quatro emendas foram aprovadas, todas elas entre 1965 e 1973. A versão atual da Carta não trata de alguns dos desafios mais prementes da humanidade. Na fundação da ONU, éramos 51 países. Hoje somos 193. Várias nações, principalmente no continente africano, estavam sob domínio colonial e não tiveram voz sobre seus objetivos e funcionamento. Inexiste equilíbrio de gênero no exercício das mais altas funções. O cargo de Secretário-Geral jamais foi ocupado por uma mulher. Estamos chegando ao final do primeiro quarto do século XXI com as Nações Unidas cada vez mais esvaziada e paralisada. É hora de reagir com vigor a essa situação, restituindo à Organização as prerrogativas que decorrem da sua condição de foro universal. Não bastam ajustes pontuais. Precisamos contemplar uma ampla revisão da Carta”.É verdade que a reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) sempre foi uma reivindicação da diplomacia brasileira, que nunca aceitou o fato de apenas cinco países – EUA, Rússia, França, China e Reino Unido – terem poder de veto sobre decisões das outras 190 nações. Contudo, independentemente da visão histórica da política externa brasileira, Lula acertou ao trazer para seu discurso a necessidade de uma reforma da ONU como um todo – não apenas do Conselho de Segurança. Diante dos conflitos armados e do desrespeito aos direitos humanos, como no recente episódio de Israel dizimando a população palestina, alguma coisa precisa ser feita. Não podemos esperar uma terceira guerra mundial para reformular as diretrizes a serem seguidas pelos países. No entanto, reformar o CSNU e outros órgãos da ONU não é fácil. Os países membros do Conselho de Segurança sentem-se ameaçados por qualquer proposta de reforma, pois não querem perder seu poder e ingênua hegemonia. Sim, ingênua, pois a ONU está a cada dia mais descredibilizada. E ter poder em algo ineficiente, em que o mundo já não mais acredita, é, na verdade, não ter esse poder. Lula também acentuou a necessidade de a ONU ter uma presidenta, ressaltando a necessidade de se valorizar as mulheres. Mais um ponto que a extrema-direita não aceita, já que são preconceituosos e misóginos.

O discurso de Lula na ONU foi uma síntese da postura do Brasil em busca de um papel mais ativo no cenário internacional, defendendo mudanças estruturais na governança global e abordando questões cruciais para o futuro do planeta. As mensagens transmitidas pelo presidente brasileiro deveriam ter sido destaque não apenas na imprensa, mas também nas mesas de negociação dos principais líderes mundiais, dada a importância dos temas abordados. Além disso, os eleitores americanos deveriam ter prestado mais atenção às reflexões de Lula antes de votarem.

É inegável que o mundo atravessa um momento delicado, com guerras de potencial impacto global, uma crise climática em desenvolvimento e a ascensão da extrema-direita em várias regiões. Diante desse cenário, é imperativo que todas as pessoas alinhadas ao campo progressista, que defendem a verdadeira liberdade, a democracia, os direitos humanos, a eliminação da desigualdade social e, acima de tudo, a preservação da vida humana, unam-se para pôr fim às guerras e ao negacionismo. Do contrário, corremos o risco de não haver mais raça humana para contar a história.

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