ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS, ATENTADOS TERRORISTAS, CARTÃO CORPORATIVO, YANOMANIS, MORTES NA PANDEMIA. A CULPA É DO PT? (PARTE 7)

Cris Couto

Resumidamente, pode-se dizer que o Mensalão, esquema arquitetado por alguns integrantes do PT, visava desviar dinheiro público com o objetivo de pagar propina a deputados federais – de quase todos os partidos – na Câmara dos Deputados em troca de votos favoráveis para projetos propostos pelo governo. Será que sem o Mensalão projetos sociais como o “Minha Casa Minha Vida” teriam sido aprovados? De qualquer forma, houve prática de corrupção e, após a denúncia feita pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB), muitos políticos foram presos. Vários políticos, inclusive opositores à Lula, afirmaram que o então presidente não sabia da existência do esquema. Valdemar da Costa Neto – hoje aliado de Bolsonaro -, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mensalão, chegou a afirmar que Lula não sabia da troca de dinheiro por apoio parlamentar ao seu governo. O STF negou a inclusão de Lula no processo do Mensalão inúmeras vezes. O MPF alegou não poder incluir o nome do então presidente em tal processo pelo fato de inexistir qualquer evidência de seu envolvimento no esquema. Mas será que Lula não sabia mesmo? Ilações podem ser feitas. Mas o fato é que muitos opositores de Lula tentaram produzir fatos que comprovassem a ligação do presidente com o Mensalão, mas nada foi provado.

Por sua vez, o Petrolão foi um gigantesco esquema de cobrança de propinas de empreiteiras, evasão de divisas, superfaturamento e lavagem de dinheiro. Os beneficiários eram políticos, de diversos partidos, e funcionários da estatal – a grande maioria dos quais atuava na Petrobrás há mais de 10 anos, antes mesmo da gestão do petista. O Petrolão foi investigado pela Polícia Federal, por meio da Operação Lava Jato. Centenas de procuradores federais e delegados da Polícia Federal se empenharam para conseguir ao menos uma prova do envolvimento de Lula no esquema de corrupção. Montaram, inclusive, verdadeiro circo midiático, pois a imprensa reproduzia exatamente o que o então juiz Sérgio Moro queria. Não se pode esquecer que, conforme afirmou a jornalista Christianne Machiavelli, assessora de imprensa da 13ª Vara de Curitiba, em entrevista ao site The Intercept, tudo o que Moro mandava, a imprensa publicava. Ela afirmou que a imprensa cobriu a Operação Lava Jato de maneira acrítica. Disse a jornalista que “a imprensa comprava tudo” e nem se dava ao trabalho de checar os conteúdos divulgados pela equipe da força-tarefa. Quem não se lembra dos helicópteros sobrevoando o apartamento de Lula, em São Bernardo, poucos dias após sua espetacular condução coercitiva determinada por Moro? A propósito, o então juiz errou ao determinar a condução coercitiva de Lula pois, segundo o Código de Processo Penal, somente haverá tal determinação após o investigado se recusar a comparecer em juízo, o que no caso de Lula não aconteceu, pois, o presidente sequer chegou a ser intimado. Nesse dia, a imprensa acreditava que Lula seria preso por furtar um objeto valioso que era da presidência, informação dada pelo então procurador Deltan Dallagnol. Policiais e procuradores vasculharam o apartamento do presidente, em São Bernardo do Campo, a sede do Instituto Lula, o sítio de amigos que ele frequentava, em Atibaia, casas e empresas de amigos e de familiares do petista. O objeto, segundo o procurador, era uma imagem de madeira de Jesus Cristo que teria sido esculpida por Aleijadinho. Ocorre que, como se comprovou posteriormente, a imagem NUNCA fez parte do acervo da presidência da República, nem tinha sido esculpida por Aleijadinho. Tal imagem foi presente de José Alberto de Camargo, diretor da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que a comprou de Dom Mauro Morelli, então bispo de Duque de Caxias. Não pertencia, portanto, ao patrimônio público. Sempre pertenceu a Lula e, hoje, entrou no Planalto junto com o presidente, por ocasião de seu terceiro mandato.

Vale destacar que, mesmo com o empenho dispensado pela “Turma de Curitiba”, nenhuma prova contra o presidente Lula foi encontrada, como explicam diversos especialistas em Direito Penal. Moro condenou Lula sem provas, a fim de tirá-lo da disputa eleitoral de 2018. Aceitou ser Ministro da Justiça de Bolsonaro, candidato que se beneficiou diretamente pela prisão de Lula, visto que o petista aparecia liderando as pesquisas eleitorais. Moro se baseou em delações premiadas – que são um meio de prova e não prova – para maquiar a falta de provas na sentença condenatória. Ocorre que TODA DELAÇÃO PREMIADA DEVE ESTAR ACOMPANHADA DE PROVAS E, NO CASO DE LULA, NÃO HAVIA QUALQUER EVIDÊNCIA QUE CONFIRMASSE AS DELAÇÕES, sendo que algumas foram rejeitadas, inclusive, pelo próprio Ministério Público Federal. Ou seja, delação premiada sem ser acompanhada de provas, não possui valor jurídico, nem moral. É no máximo uma fofoca que, na maioria das vezes, é mentirosa!

Moro também havia aceitado a promessa de ser, posteriormente, Ministro do STF – o que não aconteceu, pois, o ex-juiz passou a ter ambições ainda maiores e, por isso, deixou o ministério da Justiça. Apesar de parte da mídia não comentar esse fato, Moro aceitou PROMESSA INDEVIDA – ministério da Justiça, algum pagamento, como um tipo de aposentadoria para deixar a magistratura e possível lugar no STF -, ou seja, o “herói do combate à corrupção” cometeu crime de CORRUPÇÃO. O jornalista Reinaldo Azevedo, conservador e de direita, crítico ao PT, mas que leva a sério sua profissão, não comprou as narrativas de Moro e Dallagnol. Foi um dos primeiros a observar, corretamente, que NÃO HAVIA PROVAS nas sentenças que condenavam Lula. Aliás, o próprio ex-juiz Sérgio Moro, em resposta aos embargos de declaração afirmou INEXISTIR PROVAS CONTRA LULA NO CASO DO TRIPLEX. O site The Intercept, por meio da VAZA JATO, conseguiu as conversas entre procuradores, TRF4 e Moro. Ficou claro o conluio existente para tirar Lula das eleições de 2018 e, para isso, seria necessário condená-lo de qualquer jeito, a fim de deixá-lo inelegível. Ah, mas Lula foi condenado em outras instâncias, superiores a Moro, né? De fato, o TRF4, por exemplo, confirmou a sentença do juiz de Curitiba. Porém, como descoberto pelo The Intercept, e confirmada a autenticidade e procedência dos diálogos pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal, o TRF4, impropriamente, também estava em conluio com Moro e os procuradores de Curitiba a fim de condenar Lula. Dallagnol afirma ter tido encontro fortuitos com Gibran Neto, desembargador do TRF4, e ironiza ao afirmar que ambos estariam praticando “nova modalidade de investigação”.

O Ministério Público Federal estava mesmo empenhado em tirar o petista do cenário político nacional. A procuradora Lívia Tinôco, diretora cultural da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) disse que “TRF, Moro, Lava Jato e Globo têm um sonho: que Lula não seja candidato em 2018. Não querem Lula de volta porque pobre não pode ter direito”. “E o outro sonho de consumo deles é ter uma fotografia dele (Lula) preso para terem um orgasmo múltiplo, para ter tesão. Kkkkkkkkk”, disse a procuradora. O então presidente da ANPR, José Robalinho, fala ainda sobre avião que iria levar Lula de São Paulo para Curitiba, onde ficaria preso. “Estão dizendo que o avião é igual ao do Teori….Mas para mim parece mais velho…kkk”. Só lembrando: o ministro do STF, Teori Zavascki havia falecido pouco tempo antes dessa conversa em um acidente de avião. Teria o procurador José Robalinho dado ensejo à possibilidade – criminosa – de haver um acidente de avião que mataria Lula? Há muitas mensagens às quais o Poder Judiciário ainda não deu publicidade. Tanto que, aos poucos, surgem novas mensagens, como as que revelaram que a força-tarefa de Curitiba ocultou provas da inocência de Lula, pressionou testemunhas a incriminá-lo e abriu acusações para ocupar a defesa.

Mas porque tanto empenho da elite e da classe média alta brasileira em querer eliminar Lula do pleito eleitoral? Aqui vale ressaltar que o petista, nos dois mandatos como chefe do Executivo Federal, apesar de ter se empenhado em muitas políticas sociais, também facilitou a vida da elite que, incontestavelmente, aumentou seu patrimônio. Bancos lucraram 8 vezes mais no governo de Lula do que no de Fernando Henrique Cardoso. O então senador Aloysio Nunes (PSDB) afirmou que “Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propagandeou que havia sido o pai dos pobres, os números evidenciam que, na verdade, ele foi a mãe dos ricos”. Isso pelo fato de que os bancos lucraram 550% a mais no governo Lula do que na gestão de FHC! O agronegócio também se deu bem com a política adotada pelo petista. Houve aumento do financiamento da produção, que passou de R$ 59 bilhões na safra 2002/2003 para cerca de R$ 256,5 bilhões em 2015/2016. Ou seja, os investimentos mais do que dobraram, um aumento de 335%. No governo petista, o campo passou a ser compreendido como uma das bases do desenvolvimento nacional. Lula ainda provou que o país cresce mais quando cresce junto e, por tal motivo, implementou políticas para que o agronegócio e a agricultura familiar pudessem conviver em uma relação complementar. E é isso que Lula busca fazer nesse terceiro mandato: uma política no campo em que agronegócio, agricultura familiar e Movimento Sem Terra (maior produtor de arroz orgânico) possam conviver e se complementar! O petista também abriu várias linhas de crédito como o PRONAMP, MODERFROTA e o INOVAGRO que ajudaram no crescimento da produção de grãos do país, que cresceu 98% em 12 anos, saltando de 96 milhões de toneladas (safra 2001/2002) para 191 milhões de toneladas (2013/2014). O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio cresceu 34% em dez anos, chegando a R$ 1,03 trilhão em 2014. As exportações dos produtos agropecuários cresceram 478% entre 2003 e 2014. Tudo isso dentro da lógica de ter o “pobre incluído na economia”.

Mas voltando à pergunta original: de quem é a culpa pelo surgimento de Bolsonaro, da extrema-direita e dos graves problemas sociais que o Brasil enfrenta atualmente? Lula é o culpado? É o que continuaremos analisando no nosso próximo post.

4 comentários em “ATOS ANTIDEMOCRÁTICOS, ATENTADOS TERRORISTAS, CARTÃO CORPORATIVO, YANOMANIS, MORTES NA PANDEMIA. A CULPA É DO PT? (PARTE 7)

  1. A culpa nunca foi do Sr. Presidente Lula. Essa enfermidade, maldita nao faz parte de homem que ajuda os pobres.

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