DUAS FACES DE UMA MESMA MOEDA FALSA – PARTE 3

Cris Couto

Neste post continuaremos analisando o projeto político de Sérgio Moro, suas relações com o bolsonarismo e os ilícitos cometidos pelo ex-juiz.

No dia 24 de abril de 2020, Sérgio Moro anunciou sua demissão do Ministério da Justiça. Chamou a imprensa para uma entrevista coletiva mas, ao invés de uma entrevista, fez um pronunciamento de pouco mais de 40 minutos. Talvez Moro tivesse receio de que a imprensa o confrontasse com perguntas embaraçosas e, portanto, resolveu apenas dar uma declaração, tentando mostrar seu “bom caráter” e, por consequência, o “mau caráter” do governo Bolsonaro. Contudo, cabe salientar que durante todo o tempo em que ficou sob o comando da Pasta, Sérgio Moro não só defendeu o governo, como levantou todas as bandeiras de Bolsonaro, até mesmo as mais indefensáveis e que nada tinham a ver com suas funções de ministro da Justiça. Ademais, no meio de seu pronunciamento, Moro disse que “(…) tem uma única condição que eu coloquei isso, eu acho não faz mais sentido manter em segredo e pode [ser] confirmado tanto pelo presidente quanto pelo General Heleno. Contribuí 22 anos para a previdência, entendia saindo da magistratura essa previdência (sic), pedi apenas, (…) se algo acontecesse, pedi que a minha família não ficasse desamparada, sem uma pensão. Foi a única condição que eu coloquei para assumir essa posição específica do Ministério da Justiça”. Bom, esse pedido “inocente” de Moro ao presidente caracteriza mais um crime de CORRUPÇÃO PASSIVA. Sim, ao solicitar que o governo pagasse para sua família uma pensão que não está prevista em lei, caso lhe acontecesse algo, há a evidente caracterização de crime!!! Ah, mais coitado, ele deixou de ser juiz. Deixou porque quis!!! Deixou porque tem interesse em algo maior. Deixou por ambição. Ninguém compeliu Moro a deixar a magistratura. Agora, fazer o povo brasileiro pagar algo que não está previsto em lei só pelo simples fato de ele ter deixado a magistratura, é mais que complicado. É crime!!! O atual ministro do STF, Alexandre de Moraes, também deixou sua carreira no Ministério Público de São Paulo para tentar a vida política, nem por isso fez exigências. Triste ver, contudo, que a grande mídia nem uma nota fez a respeito.

Com certeza, Moro, ao tornar esse pedido público, pretendeu dizer ao povo brasileiro que deixou 22 anos de magistratura para trás porque acreditou no governo Bolsonaro, o que sabemos não ser verdade. O ex-ministro tinha um único objetivo: adentrar na política ou, se isso fosse muito difícil, conseguir, ao menos, uma vaga vitalícia no STF. Bolsonaro foi apenas um trampolim para que Moro não deixasse o povo esquecer quem era ele. E essa conversa de ter acreditado e, posteriormente, se decepcionado com o presidente é a mais pura lorota, pois uma coisa é verdade: Bolsonaro simplesmente vem cumprindo, durante todo o seu governo, o que prometeu durante a campanha eleitoral.

Ainda na coletiva, Moro afirmou que o presidente Bolsonaro tentou interferir na Polícia Federal para ter acesso a investigações sigilosas, inclusive sob a tutela do Supremo Tribunal Federal. As declarações do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, para justificar sua demissão do governo, contudo, soaram como uma confissão de crimes!!! Para juristas renomados, a afirmação de Moro é a demonstração de um crime cometido pelo presidente, por tentar obstruir a justiça. Mas, segundo juristas, tal afirmação também é a confissão de um crime praticado pelo próprio Moro, que é o crime de PREVARICAÇÃO, previsto no art. 319 do Código Penal, visto que o ex-ministro sabia, há um bom tempo, dos atos do presidente e nada havia feito a respeito. Aliás, o ex-ministro encobriu Bolsonaro. Moro, durante todo o tempo em que permaneceu no governo, somente teceu elogios a Bolsonaro e à sua administração, tal como ocorreu no episódio do vazamento de óleo nas praias do Nordeste, em que o governo federal quase nada fez, a não ser dizer, de forma caluniosa, que o óleo era proveniente da Venezuela, quando na verdade comprovou-se, posteriormente, que havia vazado de um navio grego. Moro, para defender Bolsonaro, ignorou esforço de voluntários na limpeza das praias e afirmou que quem estava recolhendo o óleo era o governo.

Moro, seguindo os passos de Jair Bolsonaro, diz ser uma figura não atrelada à política e que é contra a corrupção. Será mesmo?

Enquanto juiz da Operação Lava Jato, Moro começou a ter aparição na mídia e parece ter gostado muito disso. Começou a participar de eventos com personalidades e nunca demonstrou constrangimento em ser fotografado ao lado de políticos que estavam envolvidos em casos de corrupção. Há uma foto de um evento onde Moro aparece bem descontraído ao lado de Aécio Neves, citado diversas vezes em delações da Odebresch e da OAS. Há quem diga que isso é prova de que Moro foi condescendente com o PSDB. Há um diálogo entre Moro e o procurador Dallagnol um tanto quanto suspeito. Nele, Moro adverte Dallagnol sobre a inconveniência de investigar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso no âmbito da Lava Jato. Disse Moro sobre a investigação a FHC: “Melindra alguém cujo apoio é importante”. Meu Deus, sem comentários!!!

No próximo post, continuaremos analisando o projeto político de Moro e as diversas polêmicas nas quais o ex-juiz se envolveu nos últimos anos.

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