Cris Couto
Neste post, continuaremos analisando o projeto político do ex-juiz Sérgio Moro, relembrando alguns episódios e polêmicas que revelam a verdadeira face desse projeto.
Em 2016, no auge da Operação Lava Jato, Rosângela Wolff Moro, esposa do atual pré-candidato, criou uma página no Facebook chamada “Eu moro com ele”, com o objetivo de reunir os elogios ao então juiz e dar-lhe maior visibilidade. Políticos, né? Rosangela sempre ajudou o marido em suas investidas políticas. Em relação ao governo Bolsonaro, a esposa de Moro veio à público diversas vezes demonstrar seu entusiasmo. Incentivou, inclusive, a campanha da ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, que apostava na abstinência sexual como uma das formas de evitar a gravidez precoce, além de ser contra o aborto inclusive de crianças vítimas de estupro. E em relação ao presidente Bolsonaro, Rosângela avalia que, ao contrário dos antecessores, o presidente não fez loteamento político dos cargos e evitou o “toma lá, dá cá”. A esposa de Moro chegou a afirmar que “Sou pró-governo federal. Eu não vejo o Bolsonaro, o Sérgio Moro. Eu vejo o Sérgio Moro no governo do presidente Jair Bolsonaro, eu vejo uma coisa só”. Em relação a essa fala da Sra. Moro, tenho que concordar: BOLSONARO E MORO SÃO REALMENTE A MESMA COISA.
Aliás, tal como Bolsonaro, o ex-juiz também gosta de ser comparado a um “mito”. Rosangela Moro, no auge da Operação Lava Jato, foi capa da revista Cláudia, onde deu uma entrevista com o objetivo de publicizar e alimentar a figura de “mito” de seu marido. Rosangela já afirmou que dedica uma hora de seu dia para cuidar da imagem de Moro nas redes sociais. Ora, um juiz, ainda mais de primeira instância, não deve ter essa preocupação excessiva com a exposição pública, justamente para que possa atuar da forma mais isenta possível e não alimentar a AMBIÇÃO do homem/mulher que existe por trás da toga. Um juiz somente deve se manifestar nos autos! Aliás, na suposição de que Moro tivesse exercido corretamente o seu papel de juiz – o que, hoje, sabemos que não ocorreu – isso não faria dele um “mito”, pois o magistrado estaria apenas e tão somente desempenhando o trabalho pelo qual era pago – e muito bem pago – pelo Estado.
Outra polêmica vivida pelo casal Moro se deu quando o ex-juiz já compunha o governo. Em um shopping de alto padrão da zona sul de São Paulo, a advogada Rosangela Moro teve um encontro com algumas empresárias e socialites para debater “empreendedorismo social”. Rosangela usava roupa vermelha e bolsa da grife Gucci – só a bolsa custava 15 mil reais – e estava acompanhada por vários seguranças da Polícia Federal para um evento privado. Na ocasião, a advogada defendeu o fim do assistencialismo e afirmou que quem deve transferir dinheiro para ONGs é o mercado e não o Estado. Ora, pelo jeito Rosangela, que almeja ser primeira dama, não conhece a realidade do Brasil. Seria necessário ler, estudar antes de querer discutir a necessidade ou não do que ela chama de “assistencialismo”. Mas pelo jeito, tal como o marido – que, em uma entrevista com Pedro Bial, não soube responder qual foi o último livro que tinha lido -, a advogada não lê muito. Devido a desigualdade social existente em nosso país, à inoperância e ineficiência do Estado e a grande concentração de renda nas mãos de poucos, a assistência social tem sido um elemento fundamental na tentativa de se garantir condições minimamente dignas de sobrevivência para milhares de brasileiros. Mas o pensamento da Sra. Moro é o mesmo pensamento de Bolsonaro e de Paulo Guedes. Não esqueçamos, por exemplo, que o ministro da Economia acha um absurdo que empregas domésticas possam viajar para a Disney. Ademais, a jornalista Talita Marchao, que escreveu essa matéria sobre Rosangela Moro, passou a ser ameaçada e xingada nas redes sociais. Alguma semelhança do que acontece com a imprensa no atual governo???? Não é mera coincidência.
Em mais uma polêmica, Rosangela, aquela que quer ser a próxima primeira dama, fez um post atacando as feministas. A esposa do então ministro da Justiça dizia que “Mesa posta. Esperando o ministro da Justiça chegar ao lar! Curitiba gelada e sopinha para aquecer o corpo e coração. Sorry, feministas. Mas AMO cuidar de quem eu amo. Eu trabalho, eu pago boletos, eu dou emprego e eu motivo, mas amo cuidar!! Bom@final de semana! Beijo gelado de Curitiba“. Bom, mais uma vez, o casal Moro demonstra ignorância, nesse caso sobre o que significa feminismo. Independentemente de alguns possíveis exageros por parte de alguns segmentos do feminismo, não há como deixar de valorizar a luta das feministas pela igualdade de direitos e condições para as mulheres na sociedade. Se Rosangela estudou, trabalha, casou com quem quis, se usa calça jeans, se ela teve direito à licença maternidade, se ela vota, dentre outros direitos conquistados, foi graças ao movimento feminista, que lutou para assegurar esses direitos. Nesse episódio, a escritora e cineasta, Antonia Pellegrino, esposa do deputado federal Marcelo Freixo, contestou a fala da Sra. Moro e postou em suas redes sociais a seguinte mensagem: “Mesa posta. Esperando o mais gato Deputado de Brasília pra jantar @marcelofreixo ! Rio de Janeiro gelado e sopinha para aquecer o corpo e ❤. Sorry @RosangelaWMoro. Mas também AMO cuidar de quem eu Amo. Eu também trabalho, também pago boletos, emprego e motivo, e também amo cuidar! Pobres das que tem acesso à informação mas optam pela ignorância e preconceitos típicos de quem ignora o que diz. De nada adianta ter poder e dinheiro para pagar boletos e não buscar aprender o conceito básico daquilo que se predispõe a falar (achava que era um mal apenas do marido, mas pelo visto é de família). Você vai fazer muito bem ao seu marido se entender melhor o que é feminismo. Da próxima vez, ao tentar expor sua felicidade, sugiro que não tente atacar milhões de mulheres que lutam por um mundo mais igual, inclusive para você. Bom final de semana! Beijo caloroso (de muito amor) do Rio”. Irretocável!
Não contente com todas as suas atuações suspeitas, o ex-ministro Sérgio Moro confirmou, pelo Twitter, seu ingresso como sócio-diretor na consultoria internacional Alvarez & Marsal, nos EUA. A consultoria atua nos processos de recuperação judicial dos grupos Odebrecht e OAS, ambos flagrados por pagamento de propina pela Operação Lava-Jato. Ou seja, Moro esteve à frente da Lava-Jato de 2014 a 2018 e condenou, como juiz da 13ª Vara Criminal de Curitiba, dirigentes e sócios das principais construtoras brasileiras envolvidas num esquema de corrupção na Petrobras, que envolvia executivos da empresa e políticos. Abandonou, no fim de 2018, a carreira de juiz para ingressar no governo Bolsonaro. Largou o governo e foi trabalhar na empresa encarregada da recuperação judicial da Odebrecht! Há evidente CONFLITO DE INTERESSES!!! Moro conhece os detalhes da Lava Jata e, por conseguinte, das empreiteiras. Há coisas que a “turma da Lava Jato” não quis compartilhar nem mesmo com a Procuradoria Geral da República. Mas o ex-juiz, conhecedor de detalhes da Operação, iria atuar na defesa da Odebrecht?? Em um país sério, com instituições realmente consolidadas, Sérgio Moro correria sério risco de, no mínimo, responder a um processo criminal!
No próximo post, encerraremos esta série sobre o projeto político de Moro e suas obscuras ligações e similaridades com o bolsonarismo e a extrema-direita.