Cris Couto
Neste post, concluímos a análise da atual escalada autoritária e golpista do bolsonarismo.
Atentos para a situação dramática que enfrentamos, os governadores de 23 estados e o do Distrito Federal se reuniram para estabelecer um “Pacto pela Democracia”, preocupados com os possíveis acontecimentos antidemocráticos do dia 7 de setembro. Resolveram enviar uma carta ao presidente solicitando DIÁLOGO PELA DEMOCRACIA. Sério isso?! Essa iniciativa pode até estar carregada de boas intenções, mas será que os governadores são tão ingênuos a ponto de tentar dialogar com um presidente que já deixou bem claro ser avesso à democracia? Os governadores poderiam ser um pouco mais sensatos e lembrar que o presidente do STF, Ministro Luiz Fux, de igual modo, tentou realizar uma reunião com Bolsonaro e com o presidente do Congresso Nacional, mas foi em vão, pois como se sabe, o presidente não quer conversa, não quer solução democrática. Ele quer conflito e confusão, e, pelo visto, desemprego, inflação, fome e, acima de tudo, criar as condições para um golpe!
Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa e da Segurança Pública, afirmou, em agosto, que Bolsonaro determinou que jatos sobrevoassem o STF acima da velocidade do som para estourar os vidros do prédio, com o objetivo inequívoco de intimidar e ameaçar os ministros. Segundo Jungmann, foi por não endossar os achaques ao Supremo Tribunal Federal, ao Congresso Nacional e aos governadores, que os chefes da Aeronáutica, Marinha e Exército foram demitidos. Inacreditável, né? Essas coisas não parecem estar acontecendo no Brasil, mas infelizmente estão, o que corrói ainda mais a nossa imagem internacional.
Diante de tudo isso, Bolsonaro parece estar cada dia mais transtornado! Em conversa com apoiadores no Palácio do Planalto, o presidente voltou a estimular a população a adquirir arma de fogo. Disse o presidente: “O CAC [caçador, atirador e colecionador] está podendo comprar fuzil. O CAC, que é fazendeiro, compra fuzil, o 762. Tem que comprar é… tem que todo mundo comprar fuzil, pô. O povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Tem um idiota: ‘ah, tem que comprar é feijão’. Cara, se não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”. Para início de conversa, essa fala do mandatário do país demonstra, apenas e tão somente, sua falta de empatia perante as milhares de pessoas que estão passando fome no país. Com a inflação corroendo o poder de compra do povo brasileiro e com o Brasil podendo voltar ao mapa da fome, fazer uma comparação assim, só corrobora a falta de sensibilidade de Bolsonaro. Maquiavel dizia que o governante não precisa ter todas as qualidades para governar, porém, deve, pelo menos, aparentar ter tais qualidades. Ou seja, já que Bolsonaro não tem nenhuma sensibilidade e empatia, atributos que ele e sua turma explicitamente desprezam, ele deveria, pelo menos, se esforçar para demonstrar que tem tais atributos, por um mínimo de respeito à população brasileira. Ademais, fica cada vez mais claro que Bolsonaro quer armar a população com o intuito de semear o caos e a violência, que fornecerão as justificativas e criarão as condições de viabilidade de um GOLPE DE ESTADO e, quiçá, da implantação de um novo período ditatorial no Brasil. E uma última análise sobre essa fala infeliz do presidente: por meio desse discurso, Bolsonaro consegue USAR E DISTRAIR A MÍDIA. Sim, pois ao proferir falas deprimentes como essa, ao pedir o impeachment de ministro do Supremo, ou ao promover as famosas “motociatas”, Bolsonaro DESVIA O FOCO das notícias realmente importantes para a população: a falta de vacinas, a corrupção na compra de vacinas, as mortes de brasileiros que poderiam ter sido evitadas, a incitação ao uso indevido de medicamentos sem comprovação cientifica durante a pandemia, a compra de mansão pelo seu filho zero 1, a inacreditável mansão de seu filho zero 4, os inexplicáveis cheques depositados na conta da primeira dama, o desemprego, a fome, a evasão escolar, dentre tanto outros assuntos de efetivo interesse nacional.
Jair Bolsonaro, no dia 28 de agosto, durante um culto evangélico em Goiânia, fomentou ainda mais a CRISE INSTITUCIONAL do país. Bolsonaro afirmou: “Temos um presidente que não deseja nem provoca rupturas, mas tudo tem um limite em nossa vida. Não podemos continuar convivendo com isso”. Na ocasião, o presidente voltou a dizer que, caso seja derrotado, não aceitará o resultado das eleições de 2022 e pediu aos evangélicos para que participem dos atos antidemocráticos a seu favor no dia 7 de setembro. Disse o presidente: “Eu tenho três alternativas para o meu futuro: estar preso, ser morto ou a vitória. Pode ter certeza: a primeira alternativa (preso) não existe! Nenhum homem aqui na terra vai me amedrontar”. Sério isso? É nítido que, além de transtornado, BOLSONARO ESTÁ ACUADO E AMEDRONTADO. Como o “jogo democrático” não é e nunca será seu forte, não consegue seguir os conselhos de seu principal jogador e, momentaneamente, aliado, Ciro Nogueira. Bolsonaro prefere partir para o combate. E como um coronel de uma republiqueta de bananas, chama seus seguidores para atos que objetivam FRAGILIZAR ainda mais a nossa DEMOCRACIA. Há governadores que proibiram que opositores ao presidente saiam às ruas para protestarem no dia 7 de setembro. Diante da situação em que vivemos, talvez seja uma atitude prudente. Bolsonaro e sua turma já mostraram que não valorizam a vida. A convocação feita pelo presidente aos seus seguidores, além de ser potencialmente muito violenta, pode ser uma isca para que a oposição vá protestar, acabe se envolvendo em tumultos e leve a culpa por atos realizados pela ultradireita bolsonarista!
Conforme a Constituição Federal, mais precisamente o art. 5º, XLII, ‘b’, “constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático de Direito”. Assim, o presidente e seus aliados deveriam saber que os atos antidemocráticos que pretendem realizar são CRIMINOSOS! Mas eles não estão preocupados com isso. Querem o golpe. Querem rasgar a Carta Magna. Para o presidente, seria apenas mais um item para sua lista de práticas ilegais que cresce a cada dia!
Cabe a nós tentar entender a PSICOLOGIA de um PRESIDENTE OPRIMIDO, ou seja, as causas que levam Bolsonaro, acuado pelas instituições, a partir para o “tudo ou nada”. BOLSONARO SABE QUE NÃO TEM CONDIÇÕES INTELECTUAIS OU MORAIS PARA ESTAR NA PRESIDÊNCIA. Sabe que ganhou a disputa presidencial devido ao ódio implantado na sociedade e ao frágil discurso de ser contra a corrupção. Tem plena ciência de que, se não fosse a ajuda de seu ex-aliado, Sérgio Moro, não teria vencido o pleito presidencial, pois é notório que, se Lula não tivesse sido preso, Bolsonaro não teria sequer chegado ao segundo turno. E a prisão de Lula deu-se como resultado de um processo que, como sabem os juristas especialistas em Direito Penal e Processual Penal, carecia de provas. O presidente também sabe que seu “Posto Ipiranga” parece estar com “água na gasolina”, pois as falas e ações do Ministro da Economia, Paulo Guedes, demonstram que ele não possui aptidão para o cargo! E, por fim, a pandemia evidenciou a TOTAL INCOMPETÊNCIA DO PRESIDENTE PARA GERIR O PAÍS. Em tal cenário, fica difícil garantir a reeleição! Mas essa é a foto do momento. Com a vacinação futuramente concluída e uma possível retomada da economia, além, é claro, das manobras políticas de Ciro Nogueira, a situação do presidente até poderia melhorar. Mas isso Bolsonaro não é capaz de entender! Assim, sentindo-se totalmente ACUADO, Bolsonaro tem a meta de provocar o CAOS NO PAÍS, dividir ainda mais a população para incitar ataques ao Congresso Nacional e ao STF e, em última instância, um conflito com proporções de guerra civil. Tudo isso a fim de continuar no poder.
Acredito ser muito difícil que a empreitada de Bolsonaro se concretize, a despeito do crescente receio de que parte da polícia – civil e militar – e das Forças Armadas, por serem tão leais ao presidente, usem as armas da instituição em eventual motim. Independentemente dos acontecimentos dos próximos dias, porém, o que mais aflige é saber que o caos instalado em nosso país está longe de ser solucionado e que não só a democracia corre sério risco, como também, principalmente, a vida de milhares de brasileiros, pois sem emprego, sem comida, sem habitação digna, sem saúde e sem educação, um país não sobrevive.
Temos acompanhado as ações e falas do Bolsonaro e temos que admitir numa coisa ele tem extrema competência : Armar conflito e confusão, Só nisso mesmo, mais nada. Não iria conseguir sobreviver sem isso, sempre foi assim.
A questão que me preocupa não é mais o que Bolsonaro faz ou fala. Mas o que fazemos nós: o povo, os cidadãos de bem, as instituições. E estou com séria impressão que não estamos fazendo nada. Só assistindo
Realmente isso! Tanto as instituições, como a população ficaram muito silentes diante dos desmandos de Bolsonaro. Foi a verdadeira “política do apaziguamento” tupiniquim. O problema é que, diante da inércia do povo, do Poder legislativo e do Poder judiciário Bolsonaro foi se fortalecendo, foi ganhando maior espaço. E isso é muito perigoso!