Cris Couto
Dando continuidade à série de posts dedicados à desastrosa política sanitária do governo Bolsonaro, hoje analisaremos os itens 20, 21, 22 e 23 da lista elaborada pela Casa Civil da Presidência da República contendo as ações e omissões do governo federal no combate à pandemia.
20-General Pazuello, General Braga Netto e diversos militares não apresentaram diretrizes estratégicas para o combate à Covid: Se estivéssemos em guerra armada com outro país e se a condução do nosso Exército fosse da mesma qualidade das ações tomadas pelo General Pazuello, pelo General Braga Netto e pelos militares que estão alocados na pasta da Saúde, já teríamos perdido o conflito de forma vergonhosa! Pazuello, o general especialista em “logística”, enquanto ministro interino da Saúde, em 06/20, afirmou que “Para efeito da pandemia, podemos separar o Brasil em Norte e Nordeste, que é a região que está mais ligada ao inverno do Hemisfério Norte, são as datas do Hemisfério Norte que temos inverno, e ao Centro-Sul, Sudeste, Centro-Oeste, que é a região que tá mais ligada ao inverno do Hemisfério-Sul”, mostrando profunda ignorância sobre a geografia e o próprio território brasileiro. Pazuello, em 01/21, durante a crise de Manaus, relatou uma conversa que havia tido com sua cunhada: “Quando cheguei na minha casa ontem, estava a minha cunhada. O irmão não tinha oxigênio nem para passar o dia. Ah, acho que chega amanhã. O que você vai fazer? Nada. Você e todo mundo vai esperar chegar o oxigênio para ser distribuído”. A verdade é que Pazuelllo havia recebido avisos sobre a escassez crítica de oxigênio em Manaus por vários meios: por integrantes do governo do Amazonas, pela empresa fornecedora de oxigênio e até mesmo por uma cunhada! E o que fez o então ministro? NADA!!! E pior, três dias antes do caos absoluto no estado, Pazuello e a cúpula do Ministério da Saúde estavam em Manaus para incentivar o uso de cloroquina! Pazuello mentiu, afirmando que não tinha sido avisado da possibilidade de faltar oxigênio, mas depois voltou atrás. O general especialista em logística conseguiu ser incompetente até mesmo no envio de vacinas: enviou para o Amapá uma carga de 78 mil doses do imunizante Oxford/Astrazeneca que deveria ter sido destinada ao Amazonas! Diante dos atrasos e da falta de vacinas, o então ministro Pazuello, após ter recomendado o uso da dose de reforço para a primeira aplicação, enviou um ofício à Frente Nacional de Prefeitos pedindo que os municípios reservassem vacinas para a segunda dose. Foi um vai e vem de informações que os estados já não sabiam o que fazer: aplicar todas as vacinas que receberam ou guardar uma parte para a segunda dose? Isso se deveu ao fato de que nunca houve um verdadeiro plano nacional de imunização! Houve também, sob a gestão Pazuello, um inacreditável fluxo de informações desencontradas sobre a expectativa do recebimento de doses de imunizantes. A cada dia, a quantidade prevista era menor! Sem contar com a obscura e criminosa plataforma TrateCov, criada pelo Ministério da Saúde, a qual recomendava o tratamento precoce com medicamentos como a cloroquina para qualquer paciente que apresentasse sintomas, mesmo que os sintomas não fossem de Covid-19. Esse aplicativo foi criado para agilizar o diagnóstico do Covid-19 em Manaus, durante a crise do oxigênio, mas qualquer pessoa de qualquer estado brasileiro conseguia acessá-lo. Diante das inúmeras críticas, a pasta da Saúde disse que o aplicativo teria sido disponibilizado indevidamente, devido a um ataque de hackers, porém, jamais demonstrou nenhuma evidência de referido ataque. Por sua vez, o general Braga Netto, não demonstrando qualquer preocupação com a situação sanitária do país, saiu de férias na semana em que o país ultrapassou 300 mil mortes!
21-O Presidente Bolsonaro pressionou Mandetta e Teich para obrigá-los a defender o uso da Hidroxicloroquina: Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich possuem várias coisas em comum: ambos são médicos, ex-ministros da Saúde do governo Bolsonaro e tanto um como o outro deixaram o Ministério da Saúde devido aos embates com o presidente, que insistia para que eles indicassem o tratamento precoce com cloroquina. Mandetta, aliás, chegou a afirmar que o presidente desejava alterar a bula do remédio por meio de um decreto.
22-O Governo Federal recusou 70 milhões de doses da vacina da Pfizer: A farmacêutica Pfizer encaminhou mais de CINQUENTA E-MAILS para o governo brasileiro, para uma possível aquisição, pelo Brasil, de 70 milhões de doses de vacinas. O GOVERNO FEDERAL, NO ENTANTO, MANTEVE-SE SILENTE. Houve INCONTESTÁVEL OMISSÃO DA GESTÃO DE BOLSONARO, pois sequer retornaram os e-mails da farmacêutica!!! Segundo informações do gerente-geral da farmacêutica Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, o governo de Jair Bolsonaro rejeitou três ofertas de 70 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech, cujas primeiras doses poderiam ter sido entregues em dezembro de 2020. Quantas vidas poderiam ter sido salvas se as vacinas tivessem chegado nos braços dos brasileiros nessa data? O governo federal ignorou por completo a oferta. A Pfizer ainda procurou as autoridades brasileiras outras duas vezes até o fim do ano, sem sucesso. Bolsonaro, tentando se esquivar do erro de não ter comprado as vacinas propostas pela Pfizer, disse: “E outra coisa que tem de ficar bem claro… Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema de você. Se você virar Super-Homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver isso. E o que é pior mexer no sistema imunológico das pessoas“. Em que país sério do mundo contemporâneo um presidente se porta dessa maneira? Em pleno século XXI, colocando medo nas pessoas em relação à vacina? Quase todos os países do mundo estavam comprando imunizantes contra a Covid e, assim que possível, começaram a aplicar em suas populações. Mas, o Brasil de Bolsonaro passou o vexame de ser visto como negacionista e expôs a população à morte pelo vírus!
23-O Governo Federal fabricou e disseminou fake news sobre a pandemia por intermédio do seu gabinete do ódio: O chamado “gabinete do ódio” sempre esteve presente na gestão Bolsonaro, e já atuava mesmo durante a campanha presidencial. A expressão refere-se a um grupo de apoiadores, amigos e filhos do presidente que se reuniram para desferir fake news e ataques ofensivos, com conteúdo de ódio e subversão à ordem democrática, dirigidos a diversas pessoas, autoridades e instituições. Durante a pandemia, esse gabinete teve a função de tentar legitimar as ações e omissões de Bolsonaro, disseminando notícias falsas e tentando desacreditar ações legitimas de outros mandatários. A deputada federal (PSL), Carla Zambelli, fiel escudeira do presidente, em entrevista à Rede Bandeirantes, afirmou que havia caixões vazios sendo enterrados para inflar as estatísticas de morte por Covid-19. Absurdo! O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), divulgou nota repudiando as declarações da deputada e disse estar tomando as medidas judiciais cabíveis. Alguns seguidores do presidente chegaram a postar foto de caixão vazio nas redes sociais. Revelou-se posteriormente, entretanto, que a referida foto havia sido tirada em 2017, no interior de São Paulo, mas foi difundida como se fosse no Amazonas no contexto da pandemia, segundo o site Aos Fatos. Tudo isso para dizer que a pandemia estava sendo “superdimensionada”, como afirma Bolsonaro de forma completamente irresponsável.
Nessa série de posts, buscamos resumir um extenso conjunto de provas de que o governo federal atuou de forma contrária ao combate da Covid-19 no Brasil. Há muitas outras evidências de que BOLSONARO BOICOTOU DELIBERADAMENTE AS MEDIDAS SANITÁRIAS NECESSÁRIAS PARA CONTER A DISSEMINAÇÃO DO VÍRUS E DE QUE NÃO TINHA O INTUITO DE COMPRAR VACINAS PARA A POPULAÇÃO BRASILEIRA – só o fez após intensa pressão social e política! Não restam dúvidas de que, caso Bolsonaro e sua equipe tivessem agido em conformidade com as regras sanitárias recomendadas pelos especialistas, muitas pessoas ainda estariam vivas e muitas outras não teriam que conviver, durante o resto de suas vidas, com as sérias sequelas ocasionadas pela Covid-19. Houve INCOMPETÊNCIA, OMISSÃO E AÇÕES CRIMINOSAS sim!
A CPI da Covid tem o objetivo de averiguar os casos concretos e de levantar provas suficientes dessas ações e omissões. Contudo, pelo que foi visto até agora, essa Comissão, apesar da boa intenção da maioria de seus parlamentares, parece sofrer de certo amadorismo por parte de alguns senadores. Há provas de sobra para desbancar toda e qualquer mentira proferida pelas testemunhas governistas. E olha que mentira foi o que prevaleceu nas falas de algumas dessas testemunhas, principalmente, o ex-chanceler Ernesto Araújo e o ex-ministro Eduardo Pazuello. Como mentiram! E com a maior desfaçatez!!! Nada, absolutamente nada do que responderam estava lastreado na verdade. Os senadores deveriam tê-los desmentido, no momento exato em que proferiram suas mentiras! É bem verdade que alguns senadores o fizeram. Mas deveriam ter colocado em um telão os vídeos e pronunciamentos deles e do presidente da República, a fim de exibir de forma mais contundente e pedagógica para a população as mentiras e armações do governo federal. Muitas das ações criminosas desse governo estão comprovadas nas redes sociais. É público e notório! Os senadores devem trazer tudo isso à tona IMEDIATAMENTE APÓS A MENTIRA SER PROFERIDA!
Mas o fato é que essa Comissão Parlamentar de Inquérito tem objetivo mais político do que propriamente o de levantar provas. Sim, pois como dito oportunamente, as provas já estão dadas. Não há o que se argumentar. Elas existem de forma incontroversa. Pazuello, Araújo, Waingarten, podem mentir à vontade! Bolsonaro e seus filhos podem gritar e espernear o quanto quiserem! O CONJUNTO PROBATÓRIO EXISTENTE É TÃO FARTO QUE NÃO HÁ NEM ESPAÇO PARA DÚVIDAS OU QUESTIONAMENTOS! Assim, entendo que a CPI realmente foi instaurada para ter a função de publicizar essas provas, de desmoralizar os envolvidos nessas ações ou omissões criminosas e para angariar o apoio da opinião pública nas futuras ações judiciais. Pois, se a CPI tivesse a mera função de angariar provas, ela seria completamente desnecessária, haja vista que, como já observado, as provas estão em todos os lugares, em todas as mídias sociais e com a “marca registrada” do governo federal. Agora, é esperar para ver se o Poder Judiciário vai cumprir seu dever institucional e não vai sucumbir frente ao “poder”.