Cris Couto
Dando continuidade à série de posts dedicados à desastrosa política sanitária do governo Bolsonaro, hoje analisaremos os itens 2, 3 e 4 das ações listadas pela Casa Civil da Presidência da República quanto à atuação do governo federal na pandemia.
2 – O Governo minimizou a gravidade da pandemia (negacionismo): É inegável que Bolsonaro tentou por diversas vezes desacreditar a seriedade da Covid-19. Não resta dúvidas disso! Tanto os discursos, como as ações do presidente, demonstram como ele nunca se preocupou com as vidas dos brasileiros. Suas ações, justificadas pela suposta preocupação com a economia nacional, foram, na verdade, motivadas por mero cálculo eleitoreiro, com foco exclusivo nas eleições de 2022! Relembremos algumas das vezes em que Bolsonaro PROVOU seu NEGACIONISMO em relação à pandemia: “é só uma gripezinha”; “Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado o poder destruidor desse vírus“; “(…) o que eu ouvi é que outras gripes matam mais do que esta”; “esse vírus trouxe uma certa histeria e alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, mas estão tomando medidas que vão prejudicar a nossa economia”; “lamento, mas [a morte] é o destino de todo mundo”; “Eu não sou coveiro, tá certo?”; “Alguns vão morrer? Vão, ué, lamento. É a vida. Você não pode parar uma fábrica de automóveis porque há mortes nas estradas todos os anos”; “Muito do que falam [sobre o coronavírus] é fantasia”; “A previsão é não chegar a essa quantidade de óbitos [800] no tocante ao coronavírus“; “Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia na questão do coronavírus“; “Não estou acreditando nesses números [de mortes divulgadas pela Secretaria de Saúde de São Paulo]”; “Se o vírus pegar em mim, não vou sentir quase nada. Fui atleta e levei facada”; “Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”; “E dai? Lamento. Quer que eu faça o que? Sou Messias, mas não faço milagres”; “Sabia que o tio estava na praia nadando de máscara? Mergulhei de máscara também, para não pegar Covid nos peixinhos”; “não é uma gripezinha que vai me derrubar”; “Parece que só morre [gente] de covid. Você pega, você pode ver: os hospitais estão com 90% das UTIs ocupadas. O que a gente tem que fazer? Quantos são de covid e quantos são de outras enfermidades?“; “No Rio de Janeiro, até os dados de ontem, 9 óbitos, e 58 em São Paulo. Eu sei que a população tem uma diferença, mas está muito grande para São Paulo. Não pode ser um jogo de números para favorecer interesses políticos. Não estou acreditando nesses números de São Paulo, até pelas medidas que ele (Doria) tomou” ; “Procura saber por estado quantos morreram de H1N1 até o momento. Não é que eu queira que tenha morrido, mas ano passado foram 700 pessoas mais ou menos. Vai ter que ter alguém que morreu esse ano disso daí. Se for todo mundo com coronavírus, é sinal de que tem estado que está fraudando a causa mortis daquela pessoas, querendo fazer um uso político de números”; “Isso é o que está acontecendo geral, qualquer negócio é covid”. Bolsonaro chegou ao absurdo de incentivar seus seguidores, na live do dia 11/06/20, a entrar em hospitais para ver se existiam mesmo pessoas internadas, ATRAPALHANDO O TRABALHO DE PROFISSIONAIS DE SAÚDE, AMPLIANDO O RISCO DE CONTAMINAÇÃO E TRANSMISSÃO DO VÍRUS E PODENDO PROVOCAR AINDA MAIS MORTES! Na ocasião, disse o presidente: “[Se] Tem hospital de campanha perto de você, hospital público, arranja uma maneira de entrar e filmar. Muita gente está fazendo isso e mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não. Se os gastos são compatíveis ou não. Isso nos ajuda“.
3 – O Governo não incentivou a adoção de medidas restritivas: Bolsonaro não só deixou de incentivar as medidas restritivas como passou a fazer campanha contra essas medidas. É inacreditável, mas foi exatamente isso que o governo federal fez! Inúmeras foram as ocasiões em que o presidente rechaçou o distanciamento social, tentou desacreditar o uso de máscara e promoveu aglomerações. Mesmo quando a Organização Mundial da Saúde (OMS), infectologistas renomados e até mesmo os seus ministros da Saúde recomendavam a adoção de medidas restritivas, Bolsonaro INCENTIVAVA EXATAMENTE O CONTRÁRIO. Infelizmente, cabe aqui uma constatação: o Brasil é um país enorme e com evidente disparidade social, educacional e cultural. Dito isso, é incontestável que muitos dos brasileiros não possuem o discernimento necessário para decidir o que se deve ou não fazer diante de uma pandemia. Sendo assim, esperam sinais do que se deve fazer por parte do governo. Agora, se o presidente diz uma coisa e o ministro da Saúde, por exemplo, diz outra completamente diferente, muitas pessoas ficam confusas em relação à qual linha de ação adotar. Sem contar que, ao líder máximo da nação, cabe dar o exemplo, ainda mais em se tratando de um presidente que cativa tantos milhões de seguidores e admiradores. Mas o que Bolsonaro fez e continua fazendo é exatamente o contrário a todas as recomendações sanitárias. E isso, sem sobra de dúvidas, faz com que o vírus seja muito mais disseminado, provocando maior número de mortes! O mandatário brasileiro chegou a dizer: “que aquilo [máscara] é coisa de viado”; “No meu caso particular, como já fui infectado e já tenho anticorpos, eu não vou tomar a vacina”; “Uso de máscara é último tabu a cair”; “Vocês não pararam durante a pandemia. Vocês não entraram naquela conversinha mole de ‘fique em casa, que a economia a gente vê depois’ – Isso é para os fracos”; “O que enxergo como cidadão é que o efeito colateral desse isolamento vai ser muito maior que o vírus em si. A OMS, em grande parte, perdeu sua credibilidade”; Conclui-se que o lockdown matou 2 pessoas pra cada 3 de Covid no Reino Unido. No Brasil, mesmo ainda sem dados oficiais, os números não seriam muito diferentes”; A pandemia nos atrapalhou bastante, mas nós venceremos esse mal. Pode ter certeza. Agora, o que o povo mais pede e eu tenho visto, em especial no Ceará, é trabalhar. Essa politicalha do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois’, não deu certo e não vai dar certo. Não podemos dissociar a questão do vírus do desemprego. São dois problemas que devemos tratar de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. E o povo assim o quer. O auxílio emergencial vem por mais alguns meses e, daqui para frente, o governador que fechar seu estado, o governador que destrói emprego, ele é quem deve bancar o auxilio emergencial”; “Tem algum médico aí? A eficácia dessa máscara é quase nula”; “Falam tanto em máscara. O tempo todo essa mídia pobre falando ‘o presidente sem máscara’. Não encheu o saco ainda, não? Isso é uma ficção. Quando é que nós vamos ter gente com coragem, que eu não sou especialista no assunto, para falar que a proteção da máscara é um percentual pequeno? A máscara funciona para o médico, que está operando uma máscara específica. A nossa aqui, praticamente zero”. Bom, se a máscara prevenisse pouco, como disse o presidente, haveria ainda mais necessidade de isolamento social, né? Mas Bolsonaro parece se orgulhar das inúmeras aglomerações desnecessárias que promove por todo o país. Bolsonaro ainda afirmou que: “uma universidade alemã fala que elas [máscaras] são prejudiciais a crianças. E levam em conta vários itens aqui como irritabilidade, dor de cabeça, dificuldade de concentração, diminuição da percepção de felicidade, recusa em ir pra escola ou creche, desânimo, comprometimento da capacidade de aprendizado, vertigem e fadiga”. O presidente citou uma pesquisa preliminar, ou seja, NÃO CONCLUSIVA, de médicos da Universidade de Witten/Herdecke, feita a partir de uma ENQUETE ONLINE preenchida por pais ou responsáveis de crianças e adolescentes. Tratava-se de um levantamento de como as máscaras influenciam a vida desse grupo específico (crianças e adolescentes) e, em nenhum momento, negou-se a eficácia das máscaras contra a propagação do coronavírus. Em outro momento, Bolsonaro ainda insistiu: “Eu tenho minha OPINIÃO sobre as máscaras, cada um tem a sua. A gente aguarda um estudo mais aprofundado sobre isso por parte de pessoas competentes”. Não se trata de opinião, presidente! Trata-se de CIÊNCIA! As “pessoas competentes” já estudaram e concluíram categoricamente. O fato é que o mundo está vivendo a pior pandemia da história e o uso de máscara é imprescindível para se evitar a propagação de um vírus devastador! Bolsonaro, em várias ocasiões, criou aglomeração e, sem máscara, cumprimentou apoiadores como se a pandemia não existisse. Sem contar o fato de que o presidente teve a desfaçatez de recorrer contra decisão judicial que o obrigava a usar máscara. Foram inúmeros os casos em que o presidente DESRESPEITOU AS MEDIDAS DE RESTRIÇÃO e, por conseguinte, DESINCENTIVOU A ADOÇÃO DE TAIS MEDIDAS POR PARTE DA POPULAÇÃO EM GERAL!
4 – O Governo promoveu tratamento precoce sem evidências científicas comprovadas: Bolsonaro não só promoveu o tratamento precoce indiscriminado contra Covid-19, como pode ser visto como verdadeiro “garoto propaganda da cloroquina”, tamanha a obsessão do presidente por esse medicamento. Já disse o presidente em uma de suas lives que: “Quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”. Já foi relatado na CPI que o governo pretendia mudar a bula da cloroquina, a fim de “legalizar” seu uso para a Covid-19, mesmo sem nenhuma comprovação científica e mesmo sem qualquer indicação dos laboratórios fabricantes desse medicamento. Bolsonaro também já afirmou que: “No mais, essa mesma rede de TV desdenhou, debochou e desestimulou o uso da Hidroxicloroquina que, mesmo não tendo ainda comprovação científica, salvou a minha vida e, como relatos, a de milhares de brasileiros”; “por volta das 17h00, tomei um comprimido da cloroquina, é um direito meu, devidamente orientado pelo médico, recomendo que você faça a mesma coisa, caso queira, caso sinta sintomas, né?”; “eu fui tratado com cloroquina e ponto final”; “(…) passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde a sua fase inicial; “não há comprovação que [a cloroquina] tem e nem que não tem eficácia“; “Se ela [cloroquina] não tivesse sido politizada, muito mais vidas poderiam ter sido salvas dessas 115 mil que o país perdeu até o momento“. Em uma fala completamente INCONSEQUENTE E IRRESPONSÁVEL, o mandatário do Brasil chegou a afirmar que “a cloroquina não tem efeito colateral”! MENTIRA!!! Já está mais do que comprovado cientificamente que, além de não ter eficácia no tratamento do Covid-19, a cloroquina pode ocasionar sérios problemas de saúde e, por vezes, até a morte! Já há relatos de pessoas que chegaram a tomar o “kit covid” (medicamentos recomendados pelo presidente, sem comprovação científica) e que, por complicações decorrentes desse uso, morreram na fila de transplante de fígado. O presidente, inúmeras vezes, mostrou a hidroxicloroquina a seus apoiadores, saudando o medicamento como se ele fosse milagroso. Bolsonaro fez propaganda da cloroquina até para as emas do Palácio do Planalto!!! Estudo publicado na revista científica Nature já relatou que a Cloroquina não trouxe qualquer benefício aos pacientes de covid-19, e, ao contrário, ocasionou mais mortes! Justamente por agirem segundo os preceitos da ciência, os ex-ministros Henrique Mandetta e Nelson Teich se recusaram a seguir os protocolos – nada científicos – ditados por Jair Bolsonaro, o qual indicava o uso indiscriminado de cloroquina, Ivermectina, Azitromicina, Hidroxicloroquina e Annita – todos ineficazes no combate ao Covid-19! No entanto, Eduardo Pazuello, general da ativa que assumiu a pasta da Saúde, não só se submeteu aos protocolos ineficazes de Bolsonaro, como usou o Ministério da Saúde para incentivar os médicos a usarem o chamado Kit covid! Pazuello sempre defendeu uso indiscriminado de cloroquina, assim como seu chefe. Pazuello chegou a mandar uma comitiva de médicos ao Amazonas para difundir o uso da cloroquina como tratamento contra a covid-19. A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, também conhecida como “CAPITÃ CLOROQUINA”, responsável pela organização dessa comitiva, disse que o ministério incentivou o uso do fármaco também nas unidades de saúde de Manaus. A viagem aconteceu em janeiro, dias antes do colapso do sistema e da crise de falta de oxigênio, a qual já era conhecida pelo então ministro Pazuello.
No próximo post, continuaremos a análise das ações e omissões do governo federal durante a maior crise sanitária do país, verificando mais alguns pontos constantes na famosa lista preparada pela Casa Civil.