“EU DIRIJO A NAÇÃO PARA O LADO QUE OS SENHORES DESEJAREM” – PARTE 2

Cris Couto

Como vimos no último post, Bolsonaro se utiliza de pautas religiosas para fins político-eleitoreiros, apresentando-se como um “HOMEM DE BEM”, que acredita em DEUS e na valorização da FAMÍLIA. Bom, podemos indagar: o que, afinal, significa para Jair Bolsonaro ser um homem de bem? Em que Deus ele acredita? E o que constitui, para ele, a valorização da família? Bolsonaro sempre se mostrou ser uma pessoa com sentimentos mesquinhos. Durante toda sua vida, por exemplo, sempre advogou pela TORTURA. Tem como seu ídolo o coronel Alberto Brilhante Ustra, comprovadamente um dos mais cruéis torturadores do período militar. Defendendo, em 2015, o afastamento da então presidente Dilma Roussef, o presidente declarou: “Espero que o mandato dela acabe hoje, infartada ou com câncer, ou de qualquer maneira”. Em relação à deputada Maria do Rosário, chegou a chama-la de “vagabunda” e vociferou contra ela: “Não te estupro porque você não merece“. Com a pandemia do Covid-19, o Brasil perdeu mais de 657 mil vidas, até o presente momento. O que fez o presidente, que se diz um homem de bem, temente a Deus? Ele disse frases como: “Eu não sou coveiro”; “E daí, lamento. Quer que eu faça o que?”; “Se tomar vacina e virar jacaré não tenho nada a ver com isso”; “Chega de frescura e mimi”; “Tem alguns idiotas que até hoje ficam em casa”; “Covid apenas encurtou a vida delas por alguns dias ou algumas semanas”; dentre outras declarações carregadas de perversidade. Mais recentemente, enquanto o Brasil chorava pelos mortos e desabrigados com as chuvas na Bahia e em Minas Gerais, o presidente não demonstrou nem um pouquinho de empatia com o sofrimento de milhares de pessoas e foi “curtir” suas férias – com dinheiro público, diga-se de passagem – no sul do país. Sim, enquanto milhares de pessoas perdiam seus entes queridos, suas casas e tudo o que tinham na vida, o presidente da República, de férias, preferia dançar um funk machista em uma lancha!!! Nenhum homem realmente de bem, religioso e que valoriza a família adotaria atitudes tão levianas quanto as de Jair Messias Bolsonaro.

Bolsonaro diz ser católico, mas vive exaltando os evangélicos. Problema nenhum nisso! Mesmo porque deve-se respeitar todas as religiões, e o ecumenismo é sempre bem-vindo. Mas o fato é que, na verdade, o presidente apenas usa a religião para conquistar votos e poder. Como se sabe, a “bancada evangélica” é muito poderosa no Congresso Nacional. Mas como podemos considerar autêntica a religiosidade de um presidente que, enquanto candidato, chegou a incentivar a morte de opositores políticos quando afirmou:  “tem que fuzilar a petralhada”!!!  Qual é o homem de Deus que apregoa a morte alheia, a tortura, o uso indiscriminado de armas? Acredito que nenhum. Qual é o homem que realmente valoriza a família e os bons costumes que diz frases como “esse dinheiro do auxílio moradia eu usava para comer gente“? Nenhum!!!

Bolsonaro é uma farsa! Para ficar no poder, o presidente faz qualquer coisa. E isso é um perigo!!! Estamos em ano de eleição e o presidente, que nunca desceu do PALANQUE e que decidiu passar 4 anos fazendo CAMPANHA POLÍTICA, ao invés de governar, busca por apoio interno e externo – não esqueçamos da aliança da família Bolsonaro com Steve Bannon – líder da extrema-direita ocidental -, da aproximação com Donald Trump e com o regime autoritário de Vladimir Putin, e da embaraçosa amizade com o premiê da Hungria, Viktor Orbán, de extrema-direita. Bolsonaro, inclusive, chamou Orbán de “irmão” e proferiu lema fascista em sua recente viagem à Hungria.

Engana-se quem acredita que Bolsonaro é “carta fora do baralho” nas próximas eleições e que seu adversário direto já venceu. Infelizmente, Bolsonaro conta com a máquina pública. Além disso, o presidente conseguiu incutir na mente de seus “fiéis seguidores” que o sistema eleitoral brasileiro de urnas eletrônicas é sujeito a fraudes – o que se sabe ser mentira. Parte dos militares está sim ao lado do presidente – maculando a credibilidade das Forças Armadas. Parte do judiciário também está com Bolsonaro – Moro foi apenas uma peça, fundamental, diga-se de passagem, para a eleição do presidente em 2018. Parte considerável do agronegócio também está com o presidente. Alguns líderes religiosos de denominações evangélicas fazem verdadeira “lavagem cerebral” em seus fiéis em favor do voto em Bolsonaro. E, é claro, que não se deve esquecer que o chamado “Gabinete do Ódio” sabe, como ninguém, inventar e disseminar fake news.

A luta pela sobrevivência da democracia brasileira vai ser árdua! Desde 2013, as instituições democráticas vêm sofrendo constantes ataques e, infelizmente, não houve uma resposta à altura por parte dos que lutam pela democracia. Estamos vivenciando um período muito importante para a história do nosso país. Não dá para flertar com candidatos amadores ou que também flertam ou flertaram com ações antidemocráticas e golpistas. Nossa democracia foi duramente reconquistada há apenas 35 anos. Não podemos permitir que ela seja ameaçada ou destruída mais uma vez. As eleições de 2022 serão difíceis. Nem todos os candidatos agem conforme as regras do jogo! As instituições devem ficar atentas. A Justiça Eleitoral tem que ser tempestiva na punição daqueles que agirem contra as leis. O povo tem que ficar atento e não se orientar por informações obtidas de conversas de whatssap. E aqueles que têm mais instrução, não devem votar movidos pelo ódio. Só assim conseguiremos deixar para trás as páginas mais tristes de nossa história!

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Diálogo Político

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading