Cris Couto
Neste post, concluímos nossa discussão sobre o descalabro que tem sido a condução da crise econômica e social pelo governo Bolsonaro.
Os efeitos da severa crise econômica iniciada em 2014 já não se fazem presentes. Hoje, vivemos uma crise muito diferente e também muito pior. Paulo Guedes, por duas vezes, veio à público dizer que o Brasil estava decolando. Mentira! O ministro da Economia mente de forma descarada apenas com o intuito de permanecer no cargo de ministro, no qual, como vimos, está se beneficiando, e muito, com o dólar elevado. Na verdade, o Brasil vem sofrendo QUEDA ABRUPTA NO INGRESSO DE INVESTIMENTOS ESTRANGEIROS PRODUTIVOS, e até empresas nacionais estão evitando trazer ao país dólares obtidos em exportações. Hoje, o Brasil passa por um problema que os economistas convencionaram chamar de “CUSTO BOLSONARO”. Esse “custo Bolsonaro” pode ser compreendido como sendo a transferência, para a economia, da instabilidade política alimentada diariamente pelo presidente, com declarações golpistas, confronto com outros Poderes e questionamentos sobre o processo eleitoral.
O Brasil se encontra em um momento muito difícil. Está com níveis pífios de crescimento e, para piorar, com o dólar e a inflação nas alturas. O Brasil voltou a registrar inflação na casa dos dois dígitos, com o maior índice observado desde 1994. A miséria aumentou exponencialmente em nosso país. Há pessoas que, literalmente, nada têm para comer. Dezenove milhões de brasileiros não sabem se conseguirão algum alimento para passar o dia. Muitas famílias foram despejadas e estão em situação de rua. Tristes imagens assolam nosso país nesse momento. Ver brasileiros na fila do osso, a qual virou símbolo da miséria nacional, para conseguir alguma doação para não morrer de fome é muito triste. E isso quando se consegue a doação de ossos, pois já há quem os esteja vendendo. E o presidente, o que diz sobre os brasileiros passando fome? Bolsonaro diz que “não há fome no Brasil”. Ora, presidente, em que país o senhor vive?! Já passou da hora desse governo parar de fazer campanha política e começar a trabalhar. Pessoas estão morrendo e o presidente, enquanto isso, gasta nosso dinheiro e pensa em reeleição. A gasolina e o gás de cozinha estão mais caros a cada dia. E o presidente chegou ao cúmulo de dar a si mesmo uma medalha de Mérito Científico. Onde está o mérito científico do presidente? Estaria na prescrição indevida e criminosa de medicamento sem comprovação científica durante a crise pandêmica que, inclusive, levou milhares de pessoas à morte?
E por falar em eleição, Bolsonaro, vendo que hoje está longe de ser o favorito das urnas, extinguiu o Bolsa Família, programa social muito bem avaliado, consolidado e de mais de 18 anos de vigência e propôs o Auxílio Brasil. Muitos comentaristas econômicos e políticos dizem que o Auxilio Brasil nada mais é do que o Bolsa Família rebatizado. Particularmente, não concordo. Para mim há uma diferença basilar: o Bolsa Família era um programa social do governo federal. Já o Auxílio Brasil é um programa para fins de eleição, com data certa para acabar, do governo e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. Para viabilizar este “programa eleitoreiro” e demais ações para conseguir êxito nas urnas, Bolsonaro ofereceu uma proposta escandalosa e inconstitucional de adiar o pagamento de precatórios (dívidas judiciais). Além disso, a equipe econômica passa os dias estudando como furar o chamado teto de gastos, que corrige a despesa pública pela inflação e é o principal instrumento de controle da elevada dívida pública brasileira. Inacreditável, né???
Como dissemos no post anterior, no contexto da crise de 2014, não havia nenhum risco de o nosso país “virar uma Venezuela”. No entanto, atualmente, devido À CRISE ECONÔMICA, POLÍTICA E, PRINCIPALMENTE, SOCIAL, ESSE RISCO SE TORNA IMINENTE. Interessante notar, nesse contexto, que podem ser verificadas muitas semelhanças entre Bolsonaro e o ex-presidente venezuelano, Hugo Chávez. Tanto Bolsonaro, como Chávez nasceram em cidades pequenas, tiveram infância simples e ingressaram jovens em academias militares. Chávez se tornou coronel. Bolsonaro, capitão. Ambos foram indisciplinados e incorreram em faltas disciplinares graves, o que os afastou da carreira nas Forças Armadas e os lançou definitivamente na política. Talvez, Bolsonaro não seja assim tão crítico da ‘ditadura’ venezuelana, como quer fazer o povo acreditar. Aliás, Bolsonaro, em uma entrevista ao jornal Estado de São Paulo, em 1999, chegou a afirmar que “[Hugo Chavez] É uma esperança para a América Latina e gostaria muito que essa filosofia chegasse ao Brasil (…)”.
O fato é que Bolsonaro é louco pelo “poder” e quer ser, de qualquer forma, blindado contra os mal feitos e quiçá crimes por ele cometidos durante a crise pandêmica. Para tanto, seus aliados do “centrão” articulam um projeto de emenda constitucional (PEC) para que o presidente se torne “senador vitalício”. Essa ideia nefasta foi copiada do ditador chileno Augusto Pinochet, que criou para si esse mesmo cargo, com o objetivo de se blindar dos crimes cometidos ao longo de quase duas décadas de governo, que matou cerca de três mil pessoas. Aliás, vamos lembrar que Bolsonaro chegou a defender Pinochet em diversas oportunidades, afirmando que o ex-ditador “fez o que tinha que ser feito” ou que “devia ter matado mais gente”.
O Brasil vive um dos momentos mais críticos de sua história e a digital dessa crise é a do presidente Bolsonaro que se esquiva de trabalhar em prol do povo brasileiro e vive para blindar sua família. Apesar de toda a corrupção havida no cenário político nos governos anteriores, o Brasil havia saído do mapa da fome, houve crescimento econômico, estabilidade monetária e redução da desigualdade social. Hoje, o Brasil de Bolsonaro está a um passo de “virar uma Venezuela”. O Brasil não pode se deixar enganar com promessas eleitoreiras. Não pode, nas eleições de 2022, cair mais uma vez na armação do “mito”. Não podemos deixar nosso país nas mãos de quem louva ditadores, a tortura e a morte. Como disse Anne Frank “o que aconteceu não pode ser desfeito, mas podemos impedir que volte a acontecer.”