Cris Couto
Hoje iremos dar início à uma série de três post que analisarão como está a economia brasileira sob a gestão do governo Bolsonaro e suas consequências para o futuro.
Jair Bolsonaro, em 18 de outubro de 2018, poucos dias antes do segundo turno da eleição presidencial, disse em seu Twitter que: “Sempre dissemos que não existe salvador da pátria, mas graças a união do brasileiro temos a chance real de não virarmos a próxima Venezuela. Juntos, daremos o pontapé para fazermos do Brasil uma das mais respeitáveis potências mundiais“. Com isso, Bolsonaro alimentava o medo de parte da população brasileira de que a crise política, econômica e social que atravessava a Venezuela poderia se tornar realidade em nosso país e, assim, arregimentou grande quantidade de eleitores. É bem verdade que o país vizinho se encontra, talvez, na pior crise vivida em sua história. Mas o questionamento que fica é: o Brasil corria risco de ter uma crise tal como a vivida na Venezuela? E o que fez Bolsonaro para que fossemos “uma das mais respeitáveis potências”, tal como afirmou em sua rede social? Após 3 anos sob o governo Bolsonaro, como está o Brasil?
Como se sabe, há alguns anos o Brasil vem enfrentando problemas econômicos, o que inclusive fez com que muitas pessoas votassem em Bolsonaro, como se ele fosse uma alternativa segura para a economia. Afinal de contas, ele tinha a seu lado o ‘grande’ economista da Escola de Chicago, Paulo Guedes – o “Posto Ipiranga” -, um ultraliberal que se vendia como a salvação para todos os problemas econômicos do país. Hoje, o Brasil sabe que Paulo Guedes não tem nem competência, nem envergadura moral para ficar no comando da pasta. Quem não se lembra do nosso ministro da Economia dizendo que o dólar mais alto é “bom para todo mundo”. Na verdade, dólar alto é bom somente para Paulo Guedes que – como foi revelado recentemente – possui conta com US$ 9,55 milhões em paraíso fiscal, que rendeu cerca de R$ 300 mil por dia com a crise econômica!!! Mas para entender como chegamos na atual situação, voltemos um pouco no tempo. O que realmente aconteceu para que o Brasil entrasse nessa crise econômica? O presidente atribui ao governo do PT a culpa pela crise. Isso é verdade?
De 2002 até 2013, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro teve uma alta expressiva, com crescimento médio anual de quase 4%. Há muito tempo a economia brasileira não tinha uma expansão tão significativa. E não se pode esquecer que em 2008 tivemos uma grave crise internacional que afetou o mundo inteiro e, mesmo assim, o Brasil apresentou alta em seu PIB. Mas, em 2014, surgiram TRÊS FATORES QUE ALTERARAM A TRAJETÓRIA DO PIB BRASILEIRO, dando início à crise econômica. Em primeiro lugar, os preços das “commodities” tiveram uma queda expressiva em 2014, ainda como consequência da crise econômica internacional de 2008, chegando a cair quase 50% no período de um ano. E como o Brasil é um país que vende muitas commodities, como soja e minérios de ferro, isso impactou, e muito, nossa economia.
Em segundo lugar está a operação Lava Jato, uma operação que começou muito bem intencionada, mas que, como se sabe atualmente, foi deturpada por alguns procuradores e juízes que objetivavam fins políticos. Essa operação investigou e puniu algumas das maiores empresas do Brasil, que juntas respondem por parcela considerável do PIB brasileiro. Observe-se, entretanto, que a Lava Jato POUPOU A GRANDE MAIORIA DOS EXECUTIVOS envolvidos nos crimes, enquanto muitas das empresas punidas foram à falência ou foram severamente prejudicadas. Isso foi um erro enorme, que gerou DESEMPREGO e RETROCESSO ECONÔMICO. A Lava Jato deveria ter focado na pessoa física, e não na pessoa jurídica que estava gerando emprego e renda. Ou seja, se houve corrupção das empresas, os responsáveis por tais empresas é que devem ser punidos e inclusive, se for o caso, presos. Ao penalizar pessoas jurídicas, gerando a falência de muitas empresas, a Lava Jato contribuiu com a alta do desemprego e a destruição da engenharia nacional e da indústria pesada de construção. Segundo a Dra. Érica Gorga, doutora em Direito Comercial pela USP, com pós doutoramento pela Universidade do Texas, “estratégias jurídicas inadequadas tomadas pela Operação Lava Jato fizeram com que penalizações recaíssem sobre empresas em vez de recaírem sobre os acionistas responsáveis pelos atos ilícitos, o que prejudicou setores da economia e acarretou perdas para trabalhadores e credores. O ACORDO DE LENIÊNCIA FIRMADO COM A BRASKEM CAUSOU À PETROBRÁS PREJUÍZO BEM SUPERIOR AO BENEFÍCIO ALARDEADO”. O DIEESE fez um estudo que apontou que o CUSTO (e não ganho) para o Brasil gerado pela Operação Lava Jato, por ter sido conduzida de forma atabalhoada, com desrespeito às regras e com fins políticos e eleitorais, foi de mais de 170 bilhões de reais em investimentos não realizados e mais de quatro milhões de empregos perdidos.
Antes de verificarmos o terceiro fator que levou o Brasil à grave crise econômica, vale lembrar que estamos falando de 2014, ano de eleição presidencial. A ex-presidente Dilma Rousseff concorria à reeleição, mas com a economia estagnada, ela dificilmente teria êxito no pleito. Vale lembrar que Dilma havia mudado drasticamente a política econômica do governo Lula, adotando alto grau de intervencionismo estatal, o que certamente contribuiu para a deterioração dos principais indicadores econômicos do país. Para ser reeleita, a presidente fez inúmeras promessas, inclusive de que iria alterar sua política econômica. Em janeiro de 2015, assume o Ministério da Economia Joaquim Levy, tendo como principal missão implantar um rigoroso ajuste fiscal. Ou seja, diante das enormes incertezas na economia, em um momento em que a maioria dos agentes econômicos interrompeu investimentos no país, o Estado resolveu parar de gastar! Com isso, desenhou-se um cenário em que não só as empresas pararam de investir e de apostar no Brasil, como também o Estado decidiu cortar investimentos. Esse foi o fator decisivo para que, em 2015 e 2016, a economia brasileira iniciasse um período de performance desastrosa. Mas mesmo diante da grave crise, O BRASIL NÃO CORRIA NENHUM RISCO DE SE TORNAR UMA VENEZUELA, muito embora Bolsonaro tentasse incutir tal ideia no imaginário do povo brasileiro com menor instrução.
No próximo post, analisaremos a atual política econômica do governo e como o chamado “custo Bolsonaro” impõe pesadas perdas ao país.
Com certeza não vamos virar uma Venezuela, mas se Bolsonaro continuar no poder o risco será maio: Virarmos um Afeganistão
O risco, sob a gestão Bolsonaro, com certeza é grande. O Brasil passa por um momento muito crítico de sua história.