Cris Couto
Neste post, concluiremos a análise das denúncias contra a operadora de saúde Prevent Senior, e como elas revelam a face mais macabra da condução da pandemia pelo governo Bolsonaro.
No dia 7 de outubro, o médico Dr. Walter Correa de Souza Neto e o paciente Tadeu Frederico Andrade compareceram à CPI para corroborarem as denúncias apresentadas pela advogada Bruna Morato contra a operadora de saúde Prevent Senior. Com isso, colocaram um ponto final nas narrativas dos senadores governistas que, sem terem o que dizer, apenas ficaram tentando desmoralizar o depoimento da advogada. Ambos os depoimentos, o do médico e o do paciente, foram, no mínimo, ESTARRECEDORES. Qualquer pessoa que tenha um pouco de empatia ficou chocada com os relatos. O Dr. Walter Correa ressaltou que a Prevent tinha um ambiente de trabalho hostil, com o lema “lealdade e obediência” – usado pelos nazistas, diga-se de passagem – e com episódios de constrangimento, como a prática de se cantar um tal “hino dos guardiões”. Denunciou que não havia, na operadora, respeito à autonomia médica, já que os profissionais eram obrigados a entregar aos pacientes o tal “kit covid” e que, para os médicos, contrariar as orientações de seus superiores hierárquicos significava sofrer represálias. Relatou, ainda, que a operadora restringia a realização de exames. Ademais, afirmou que o médico Anthony Wong – bolsonarista – morreu por Covid-19 em janeiro deste ano e que, embora ele não tivesse atendido Wong, teve acesso ao seu prontuário, podendo constatar que sua declaração de óbito havia sido fraudada. “A declaração de óbito de Antony Wong foi fraudada. Não tem a Covid lá. Ele morreu de Covid fazendo o tratamento precoce duas vezes e seria muito feio isso ficar claro, aí tentaram sustentar essa tese”, afirmou Dr. Walter. O Dr. Walter estava com receio de aparecer publicamente, pois vem sofrendo ameaças diretas de Pedro Benedito Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent.
Tadeu Frederico Andrade, paciente da Prevent Senior, revelou os percalços que sofreu durante os 120 dias em que permaneceu internado e detalhou à CPI a luta de sua família contra a empresa que o “condenou” a cuidados paliativos para morrer “de forma confortável”. Declarou que, inicialmente, passou por uma teleconsulta de menos de dez minutos, e que, ao relatar os sintomas de febre e dor de cabeça, recebeu um kit com hidroxicloroquina e ivermectina em sua residência. Ele tomou os medicamentos, piorou e foi a um pronto-socorro, onde teve o diagnóstico de Covid-19 confirmado, com o agravante de “pneumonia bacteriana já avançada”. Assim, foi internado e intubado, inicialmente, por 30 dias. Relatou, ainda, que, nesse momento, a médica Daniela de Aguiar Moreira da Silva ligou para sua filha para informar que ele seria transferido para um leito híbrido, onde receberia tratamento paliativo e teria “mais conforto” e lá morreria em poucos dias. Seria ministrado uma bomba de morfina, e todos os seus equipamentos seriam desligados. Havia, inclusive, a recomendação de que, caso Tadeu sofresse uma parada cardíaca, não se deveria proceder à sua reanimação! A não aceitação da transferência pela família foi o que salvou sua vida! Tadeu contou que suas filhas ameaçaram buscar uma liminar judicial e procurar a mídia para denunciar o caso. Com isso, a Prevent Senior recuou e o manteve na UTI, onde foi acompanhado inclusive por um médico particular, contratado pelos familiares para fiscalizar os procedimentos da continuidade do tratamento. Mas isso não é tudo. A Prevent Senior apresentou à família um quadro irreal do paciente, além do fato de que o havia submetido a tratamento experimental, já que em seu prontuário constou uso de medicação para câncer de próstata! Tadeu conseguiu se salvar, e pode deixar registrada na história a macabra política que se desenhava no Brasil. Agora, imaginemos quantas pessoas não tiveram a mesma sorte.
Essas manobras macabras da Prevent Senior, juntamente com as ações irresponsáveis do presidente Bolsonaro, revelam total falta de sensibilidade e empatia. Os episódios relatados na CPI, bem como as imagens de descaso do governo na condução da pandemia, são verdadeiras cenas de terror! Não dá para considerarmos normal! Dispor da vida e da morte de uma pessoa, fazer experiências sem autorização, sentenciar à morte um doente apenas para liberar mais um leito, querer provar uma ideologia à custa da morte de milhares de brasileiros, nada disso pode ser considerado normal! A pergunta que fica é: até quando boa parte da população continuará achando tudo isso normal? Nada, absolutamente nada nesse (des)governo tem sido normal! O medo que fica é que a possível normalização da criminalidade, do desgoverno e das manobras macabras sejam o ponto de partida para a bancarrota total de nosso país. Bolsonaro representa, sem sombra de dúvidas, o pior período de nossa história!
2 comentários em “A MACABRA POLÍTICA DE BOLSONARO: PÁGINA MAIS INFELIZ DE NOSSA HISTÓRIA – FINAL”