Cris Couto
Jair Messias Bolsonaro, durante sua campanha presidencial, nunca mentiu sobre seus projetos. Ou melhor, sobre sua FALTA DE PROJETOS de verdadeiro interesse nacional. Porém, não se pode dizer que o presidente tentou esconder sua incompetência ou seus pensamentos preconceituosos. Não! Todas as intenções de Bolsonaro sempre foram muito claras. O problema é que muitas pessoas compartilham essas intenções, enquanto outras se deixaram ser enganadas. Bolsonaro, em 8 de fevereiro de 2017, em um comício em Campina Grande, disse que “as minorias têm que se curvar para as maiorias”, em uma demonstração inequívoca de que seu projeto é excluir todos aqueles que não compartilham seus pensamentos, crenças ou ideologias, como se o Brasil fosse uma propriedade de seu grupo ideológico e não a pátria de todos os brasileiros. Em um jantar com representantes da extrema-direita nos Estados Unidos, Bolsonaro afirmou que “o Brasil não é um terreno aberto onde nós iremos construir coisas para o nosso povo. Nós temos que DESCONSTRUIR MUITA COISA”. Inacreditável, né? Mas o fato é que o presidente e seus aliados não só destruíram muitas das importantes políticas públicas que há anos o Brasil vinha implementando, como também ARQUITETARAM VERDADEIRO PROJETO DE DESTRUIÇÃO DO BRASIL. O bolsonarismo tornou o país um pária internacional e, internamente, um lugar obscuro e complicado de se viver.
O Brasil, assim como todos os demais países do globo, possui problemas que, por vezes, são intrínsecos a seu próprio percurso histórico. Não é de hoje que se fala em corrupção governamental no Brasil. Aliás, este é um problema crônico, haja vista que a corrupção que assola a política e que revolta os brasileiros vigora no país desde os tempos do Brasil colônia. Os mesmos estratagemas usados pela elite colonial, pelos políticos da Primeira República e pelos militares, durante o regime ditatorial, persistem até hoje nas práticas ilícitas daqueles que se dizem representantes do povo. Muita coisa deve ser alterada para que o câncer da corrução seja repelido de nossa história. Todavia, o discurso de Bolsonaro contra a corrupção não passou de um instrumento para angariar votos. BOLSONARO JAMAIS QUIS ACABAR COM A CORRUPÇÃO. Pelo contrário, pois além das famosas “rachadinhas” – prática comum entre a família Bolsonaro -, que na verdade é a configuração do CRIME DE PECULATO, previsto no art. 312 do Código Penal, há outras práticas familiares extremamente duvidosas: Bolsonaro conseguiu juntar uma verdadeira fortuna! Basta lembrar que Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa do presidente, comprou 14 imóveis, parte deles em DINHEIRO VIVO, enquanto casada com Bolsonaro. Ana Cristina, que não possuía nenhum bem, saiu da relação matrimonial com um patrimônio de 5,3 milhões de reais em valores corrigidos pela inflação. Os filhos do presidente também compraram vários imóveis, parte deles também com dinheiro vivo. Os valores envolvidos são absolutamente incompatíveis com a remuneração dos políticos no Brasil, por mais invejável que esta seja! Sem contar a história estapafúrdia dos cheques depositados na conta da atual primeira dama, Michelle Bolsonaro.
Graças ao trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), o maior e mais abjeto esquema de corrupção já conhecido em nossa história pode estar sendo revelado! Há sérias e fundadas suspeitas de que o governo federal, de forma proposital e com plena ciência das irregularidades contratuais, teria comprado 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin ao preço de R$ 1,6 bilhão. Essa vacina, além de ser a mais cara já negociada – preço unitário de R$ 80,70 – não possuía autorização da ANVISA. O preço unitário da vacina da Pfeizer, por exemplo, era de R$ 56, mas o governo federal chegou a recusar uma oferta de 70 milhões de doses dessa vacina, porque, segundo o então Ministro Pazuello, seu valor era muito alto!!! Ademais, o contrato da Covaxin foi fechado com velocidade anormal de 97 dias, em comparação aos 330 dias para a assinatura de contrato com a Pfizer. HOUVE SUPERFATURAMENTO E UMA RAPIDEZ ATÍPICA! Além disso, o pagamento dos imunizantes da Covaxin deveria ser feito de forma antecipada à Madison Biotech, com sede em Cingapura, e não diretamente à fabricante indiana Bharat Biontech ou à sua representante no Brasil, Precisa Medicamentos. Onyx Lorenzoni, Ministro-chefe da Casa Civil, afirmou que a Madison é um braço legal da Bharat Biotech, responsável pela exportação dos imunizantes. Contudo, o nome da empresa não consta dos contratos negociados pelo Ministério da Saúde! O servidor concursado da pasta, Luís Ricardo Miranda, diz ter se intrigado quando o nome de uma terceira empresa, com sede em outro país, surgiu no meio da transação. Realmente, há muitos pontos estranhos, para se dizer o mínimo! E O QUE DISSE O PRESIDENTE BOLSONARO DIANTE DESSE SUPOSTO ESQUEMA DE CORRUPÇÃO EM SEU GOVERNO? Nada! Isso mesmo. O PRESIDENTE SE CALOU. E, criando mais uma CORTINA DE FUMAÇA, passa os dias xingando e caluniando integrantes da CPI, fazendo propaganda da cloroquina, se posicionando contra o uso de máscaras e do distanciamento social, promovendo aglomerações e motociatas, tirando máscara de crianças e desacreditando as vacinas, em especial a Coronavac, do Butantan!
Há quem afirme que Bolsonaro se perdeu na pandemia. Não acredito! Aliás, a pandemia foi o maior presente que Bolsonaro poderia ter recebido. Triste constatação, mas a verdade é que, durante a crise pandêmica, as pessoas passaram a se preocupar, de forma dramática, com suas vidas e empregos. A imprensa passou a se dedicar à cobertura da pandemia e às informações de como as pessoas deveriam agir para se salvaguardar. E foi aí, com essa BRECHA, que o presidente pode colocar em PRÁTICA, de forma mais eficaz, todos seus PROJETOS ARQUITETADOS ao longo de décadas e anunciados claramente durante a campanha presidencial, além de conseguir esconder suas principais fragilidades. Explico. Com relação à economia, é certo que nada andava bem no Brasil, embora o Ministro Paulo Guedes goste de dizer que a economia brasileira estava decolando quando veio a crise do coronavírus. Mentira! Antes da pandemia chegar no Brasil, o IBGE já havia divulgado o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, que fora de 1,1%: ou seja, o governo Bolsonaro conseguiu a proeza de ter um desempenho pior do que o governo Temer, que alcançou um crescimento de 1,3%. Porém, o “Posto Ipiranga” e o governo federal, divulgando mais uma fake news, colocaram a culpa do problema econômico brasileiro na pandemia! É obvio que a crise do Covid-19 fez com que a economia mundial e, por conseguinte, a do Brasil sofresse uma estagnação. Porém, os problemas econômicos do Brasil já existiam antes do surgimento do vírus, tendo sido agravados por ele. Mas foi uma ótima DESCULPA para o governo, que se já mostrava TOTALMENTE PERDIDO na condução do país.
É certo que Bolsonaro já possuía a intenção de, por exemplo, DESMANTELAR A PASTA AMBIENTAL, além de incentivar apenas o agronegócio não sustentável. O presidente já vinha colocando em prática esse projeto desde a nomeação de Ricardo Salles para o Ministério do Meio Ambiente. Porém, foi durante PANDEMIA, que o governo federal conseguiu realmente “PASSAR A BOIADA”. Inúmeros foram os atos imorais e, por vezes, criminosos contra o meio ambiente. Um estudo feito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) revelou que, desde o início do governo Bolsonaro, houve cerca de 60 atos legislativos para enfraquecer regras de preservação ambiental. Porém, 49% desses atos aconteceram depois de março de 2020, ou seja, após o início da pandemia. As ações que objetivavam enfraquecer a proteção ambiental e desmantelar a legislação protetiva e as instituições se intensificaram durante a crise do Covid-19. As mudanças que mais chamaram atenção foram a redução de multas ambientais – durante o período da pandemia, a redução foi de 72% -, a anistia para áreas desmatadas ilegalmente na Mata Atlântica e a reclassificação de 47 pesticidas como categoria menos danosa, sem respaldo científico. Ricardo Salles e outros gestores do Ministério do Meio Ambiente e do IBAMA são suspeitos de envolvimento em um esquema de facilitação ao contrabando de produtos florestais.
São incontestáveis os impactos negativos da pandemia na EDUCAÇÃO. Os alunos e os professores tiveram que se adequar ao ensino remoto ou à distância. Do dia para a noite, as escolas precisaram se adaptar a essas novas tecnologias. O maior problema é que são poucos os professores que tiveram a formação adequada para lecionar à distância. Os alunos, por sua vez, em sua grande maioria, não possuíam maturidade necessária para lidar com a autonomia proporcionada pelo ensino remoto. Mas o fator que mais preocupou foi a DISPARIDADE SOCIAL, pois a grande maioria dos alunos sequer possuía um computador ou celular para poder assistir as aulas, além do fato que nem todo mundo possui acesso à internet. Parece estranho falar isso em pleno século XXI, mas é uma realidade! Isso fez com que os alunos da rede particular pudessem obter, mais uma vez, vantagem em relação aos alunos da rede pública. Atualmente, há estudos preocupantes sobre a EVASÃO ESCOLAR NO PÓS-PANDEMIA. Mas isso não é um problema para o presidente! BOLSONARO, NA VERDADE, NUNCA SE PREOCUPOU COM A EDUCAÇÃO DOS BRASILEIROS. Para o comando da pasta, foram nomeadas pessoas obscuras: primeiro, Ricardo Vélez Rodríguez – colombiano que falava muito mal o português e que chegou a dizer que “brasileiro viajando é canibal” e que “universidade para todos não existe”; depois, Abraham Weintraub, que cometia erros grosseiros ao escrever e que foi investigado por racismo, após, em uma publicação no Twitter, usar uma tirinha de gibi da Turma da Mônica para ridicularizar o sotaque asiático e sugerir que os chineses tinham um plano para dominar o mundo; mais adiante, Carlos Decotelli, que mentiu dizendo que havia concluído cursos de doutorado e pós-doutorado no exterior; por fim, o atual Milton Ribeiro, pastor presbiteriano, que polemizou ao afirmar que “não é normal ser homossexual e que gays são reflexo de famílias desajustadas”. Cabe destacar que Bolsonaro, durante a campanha presidencial, afirmou em entrevista à Globonews que “HÁ UMA CERTA TARA POR PARTE DA GAROTADA EM TER UM DIPLOMA. É importante? Sim. Eu fiz, como tenente do Exército, curso de máquina de lavar roupa e de geladeira, aqui em Madureira. Te garanto, Heraldo, se hoje em dia quiser viver disso, eu vou ganhar no mínimo uns 12 mil por mês“. Como se pode verificar, para o presidente tanto faz se as crianças ou jovens brasileiros fiquem na escola ou saiam dela. DESDE ANTES DA PANDEMIA, BOLSONARO JÁ NÃO SE IMPORTAVA EM FAZER DO BRASIL UM PAÍS COM ALTO GRAU DE ACADÊMICOS. O brasileiro deve se contentar no máximo com um curso técnico! O presidente não incentiva a educação, que, de qualquer maneira, ficou ainda mais precária durante a crise sanitária.
No próximo post, continuaremos analisando como a pandemia auxiliou Bolsonaro a levar adiante seu projeto de poder e sua política necrófila.
Boldonaro não é só o pior presidente que o Brasil já teve mas simplesmente um dos piores do mundo, e se deixarmos ele irá além. Acabou de vender a alma para o diabo, nomeando Ciro Nogueira para o principal ministério e é essa cambada do baixo clero do Centrão que vai desmandar no Brasil
comentário perfeito! Concordo plenamente!!!