ERNESTO ARAÚJO: UM VERDADEIRO PÁRIA DO BRASIL – PARTE 2

Cris Couto

Dando continuidade à série de posts dedicados à desastrosa política externa de Ernesto Araújo, hoje analisaremos como foram às relações com os três principais parceiros do Brasil.

A China é, desde 2009, o MAIOR PARCEIRO COMERCIAL DO BRASIL, absorvendo quase 30% de todas as nossas exportações. Além disso, a China é também um dos maiores investidores externos no Brasil. Em 2012, Brasil e China assinaram a chamada PARCERIA ESTRATÉGICA GLOBAL, aprofundando o compartilhamento de interesses e a cooperação bilateral. A articulação entre o Brasil e o país asiático está presente em vários temas da agenda internacional, como a temática ambiental e o comércio internacional. Brasil e China cooperam em agrupamentos como BRICS e BASIC, justamente por possuírem interesses em comum. Lembremos também que a China é um dos maiores fabricantes mundiais de insumos farmacêuticos, essenciais à fabricação de medicamentos e vacinas. Com esse histórico, a China deve ser uma prioridade para o Brasil, né? Sim, mas não é isso que pensa Bolsonaro, nem seu ex-ministro das Relações Exteriores! Bolsonaro, durante a campanha presidencial, viajou para Taiwan, o que foi considerado pelas autoridades chinesas como uma violação do “Princípio de uma Só China” e uma afronta à soberania chinesa, bem como uma fonte de turbulência na Parceria Estratégica Global entre os dois países. Ernesto Araújo também não perdeu nenhuma oportunidade de atacar o maior parceiro comercial do Brasil. Em texto publicado em seu blog “Metapolítica 17: contra o globalismo”, em abril de 2020, o ex-chanceler disse que o coronavírus fazia parte de um “projeto globalista” e que o medo causado pela nova doença “nos faz despertar novamente para o pesadelo comunista“. Ernesto ainda disse que o “comunavírus” era mais perigoso que a Covid-19, pois, segundo ele, seria um “vírus ideológico”! Como se não bastasse, Araújo ainda se envolveu em uma crise diplomática constrangedora com o embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming. O episódio teve início quando o deputado federal Eduardo Bolsonaro, em seu Twitter, culpou a China pela pandemia do coronavírus, acusando a “ditadura comunista” de ter ocultado informações. O embaixador chinês rebateu as acusações e classificou as palavras de Eduardo Bolsonaro como “extremamente irresponsáveis“, exigindo que o deputado pedisse “desculpas ao povo chinês“. Diante dessa troca de farpas, ERNESTO ARAÚJO SAIU PUBLICAMENTE EM DEFESA DO FILHO DO PRESIDENTE, afirmando ser “inaceitável que o embaixador da China endosse ou compartilhe postagem ofensiva ao Chefe de Estado do Brasil“.

Em outra ocasião, Eduardo Bolsonaro voltou a atacar a China, ao declarar que o interesse das empresas chinesas nos leilões da tecnologia 5G no Brasil estava diretamente ligado à espionagem” praticada pelo Partido Comunista Chinês (PCC). Em nota, a embaixada chinesa manifestou “forte insatisfação e veemente repúdio”. O Itamaraty, sob a gestão de Araújo, disse, em nota, que o tom da resposta dada pela embaixada chinesa ao deputado Eduardo Bolsonaro foi “ofensivo”, além de afirmar que “prejudica a imagem da China junto à opinião pública brasileira”. Situação lastimável, constrangedora e totalmente desnecessária! Em que país do mundo, um ministro das Relações Exteriores, que deve procurar estabelecer relações pragmáticas e duradouras com países da envergadura da China, perde seu tempo fazendo postagem no Twitter ou em blog confrontando autoridades estrangeiras, fazendo acusações e ilações levianas e desrespeitando a política interna de outros países? Tal comportamento é desastroso, ainda mais em se tratando de um parceiro tão importante para o Brasil como a China! Ernesto ocasionou GRAVE CRISE NAS RELAÇÕES COM A CHINA, o que, sem dúvida alguma, dificultou a compra de insumos e vacinas contra o Covid-19. É certo que a China, apesar de ser grande fabricante de insumos farmacêuticos, possui uma capacidade limitada de oferta diante da demanda estratosférica gerada pela pandemia. Todavia, é certo também que, se em vez de lançar acusações falsas e midiáticas, o Brasil tivesse mantido os fortes laços de amizade que sempre cultivou com a China, teria sido muito mais fácil importar os insumos de que o país tanto necessita.

Jair Bolsonaro, seus filhos e seu ex-chanceler nunca esconderam a adoração a Donald Trump! Ah, mas é bom ter relações saudáveis com os EUA, né? É bom manter boas relações com todos os países do mundo, ainda mais com os EUA que são o nosso SEGUNDO MAIOR PARCEIRO COMERCIAL! Mas a relação que estava sendo cultivada pelo governo brasileiro não era com os EUA e sim com o então presidente americano. Bolsonaro bateu continência para a bandeira norte-americana para chamar a atenção de Trump. Vexame!!! Sob a gestão Bolsonaro-Araújo, o Brasil foi um dos últimos países do mundo a reconhecer a vitória do Democrata Joe Biden nas eleições norte-americanas. Além disso, Ernesto Araújo chancelou a tese fantasiosa de Trump de que as eleições americanas haviam sido fraudadas. Com isso, nosso ex-chanceler colocou em risco as futuras relações do Brasil com os EUA. Em 6/1, uma turba violenta de apoiadores de Donald Trump, instigada por ele, cercou e invadiu o Congresso americano na tentativa de impedir a cerimônia de certificação de Joe Biden como presidente eleito dos EUA, resultando na morte de cinco pessoas. Um dia depois da invasão ao Capitólio, Araújo se pronunciou sobre as cenas de violência, dizendo que era preciso “investigar se houve participação de elementos infiltrados”. O ex-chanceler tentou minimizar as atitudes dos vândalos, dizendo que era necessário “reconhecer que grande parte do povo americano se sente agredida e traída por sua classe política e desconfia do processo eleitoral”, colocando em dúvida a legitimidade da vitória de Biden. Dado que não houve nenhuma evidência de fraude nas eleições americanas, qual foi o objetivo de Ernesto Araújo ao se pronunciar dessa maneira? Para que criar rusgas desnecessárias com os EUA? Mais uma vez, a ideologia do ex-ministro falou mais alto, estremecendo dessa vez as relações entre Brasil e a maior potência mundial. Que desastre!!!

Ernesto também não deixou de provocar a Argentina, nosso TERCEIRO MAIOR PARCEIRO COMERCIAL e principal destino das nossas exportações de manufaturados. Em dezembro de 2020, o Senado argentino aprovou o direito de a mulher optar pelo aborto até a 14ª semana de gestação. O tema é polêmico, e pode suscitar várias dúvidas e opiniões divergentes. Mas não cabe ao Estado brasileiro opinar sobre o direito interno de nenhum país! Ernesto, porém, em seu Twitter, sem citar diretamente o país vizinho, fez críticas à histórica decisão argentina. O ex-chanceler afirmou que “o Brasil permanecerá na vanguarda do direito à vida e na defesa dos indefesos, não importa quantos países legalizem a barbárie do aborto indiscriminado, disfarçado de ‘saúde reprodutiva’ ou ‘direitos sociais’. Provocação desnecessária e totalmente contraproducente!

Ernesto Araújo, sem sombra de dúvidas, nada aprendeu em seus 30 anos de carreira diplomática. O ex-ministro, em dois anos à frente do Itamaraty, conseguiu criar CONSTRANGIMENTOS COM OS TRÊS MAIORES PARCEIROS DO BRASIL! Inacreditável!!!

No próximo post, serão apresentadas mais evidências do desastre que foi a atuação de Ernesto Araújo à frente do Ministério das Relações Exteriores, e também discutiremos o que esperar do novo chanceler, Carlos Alberto França.

Um comentário em “ERNESTO ARAÚJO: UM VERDADEIRO PÁRIA DO BRASIL – PARTE 2

  1. Representou um retrocesso gigantesco na política externa do Brasil. Foi responsável pela deterioração da imagem do Brasil perante o resto do mundo. Consertar o estrago feito por ele não vai ser tarefa fácil.
    Pelo menos desse estamos livres. Vai poupar nossa inteligência de ouvir tantas coisas idiotas, que é só que ele dizia.

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