Cris Couto
Este é o primeiro de uma série de 3 posts sobre a desastrosa atuação de Ernesto Araújo à frente do Ministério das Relações Exteriores e as graves consequências dessa atuação para a política externa brasileira.
Ernesto Araújo, um dos expoentes da ala ideológica do governo, na manhã da segunda-feira, dia 29/03, pediu para deixar a chefia do Ministério das Relações Exteriores. Araújo colecionou, em pouco mais de dois anos à frente da pasta, uma série de polêmicas e frases controversas que culminou na bancarrota da política externa brasileira. Crítico ferrenho do chamado “globalismo”, o agora ex-ministro é considerado por seus pares o PIOR CHANCELER DE TODA A HISTÓRIA DO BRASIL. O ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Roberto Abdenur, afirmou que Ernesto Araújo demoliu a política externa brasileira, e que suas ações, endossadas pelo presidente Bolsonaro, tornaram o Brasil um pária internacional. O Brasil, que já foi referência internacional em diversas agendas, passou a ser visto como um pária!!! Mas isso é bom ou ruim? A pergunta faz sentido, afinal de contas o próprio Ernesto Araújo, em discurso no Instituto Rio Branco, afirmou que era bom ser pária. Sim, o ex-chanceler, em uma fala completamente desastrosa, afirmou que era bom ser pária, desde que sua ideologia doentia fosse seguida. Contudo, ser pária significa ser colocado à margem, ou seja, perder espaço, perder credibilidade, perder poder de barganha, perder investimentos externos, perder, perder e perder!!! E realmente é isso que vem acontecendo com o Brasil, infelizmente! Ernesto Araújo pediu o desligamento do governo por pura pressão do Congresso Nacional, dos prefeitos, governadores e mais de 300 diplomatas que publicaram uma carta pedindo a saída de Ernesto e ressaltando os “graves prejuízos para as relações internacionais e para a imagem do Brasil”. Ainda assim, o ex-chanceler poderá “cair para cima”! Araújo é o típico “bolsonarista raiz”: amigo dos filhos do presidente, adorador de uma ideologia desvairada e foi indicado pelo “filósofo” ultradireitista, Olavo de Carvalho. Com todas essas “credenciais”, Bolsonaro, muito provavelmente, irá arrumar para o ex-chanceler um cargo importante, tal como se deu com o ex-ministro da educação, Abraham Weintraub, que se tornou diretor executivo do Banco Mundial! Mais uma vergonha internacional para o Brasil!
Em 4 de abril de 2019, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE) do Senado, o senador Randolfe Rodrigues questionou o então chanceler acerca dos rumos que a política externa brasileira vinha tomando. O senador, na oportunidade, salientou que a diplomacia brasileira tinha tradição e que o ministro das Relações Exteriores poderia ser visto como um “cartão de visitas” do Brasil. Ernesto, entretanto, não entendeu – ou se fez de desentendido – e respondeu que: “a expressão que o senhor usou, que o ministro das Relações Exteriores é o cartão de visitas do Brasil, eu acho interessante porque ela dá expressão a algo que é realmente uma percepção que eu considero equivocada, de que o ministro das Relações Exteriores ou a política externa que ele representa tem que ser algo bidimensional, chapado e puramente nominal, né? Eu acho que eu não sou um cartão de visitas ”. Resposta truncada, sem nexo e com total desentendimento e, relação à pergunta do senador! O fato é que Ernesto Araújo nunca possuiu estatura psicológica, quiçá moral, para assumir um cargo de tamanha importância, infelizmente. Sim, pelo que consta, Araújo é uma pessoa muito culta, fala várias línguas e possui uma vida acadêmica admirável. No entanto, como já observado em vários estudos, uma coisa é a educação formal recebida por uma pessoa e outra coisa, bem diferente, é a inteligência. O ex-chanceler até pode ter adquirido vasto conhecimento, mas isso não o fez uma pessoa inteligente, nem competente!
Araújo nunca se furtou de demonstrar que sua passagem à frente do Itamaraty seria tumultuada, para dizer o mínimo. Na cerimonia de posse, em janeiro de 2019, o ex-chanceler já polemizou com um discurso nacionalista extremado, com fortes ataques ao “globalismo”, trechos em latim, grego e tupi, citações bíblicas e letras de Renato Russo e Raul Seixas, além de falas do “guru” Olavo de Carvalho. Loucura? Pois é, isso era só o começo! Na formatura do Instituto Rio Branco (Turma 2019), Ernesto comparou Bolsonaro a Jesus Cristo!!! Revelando sua visão de mundo lunática, Araújo, também durante cerimônia de formatura do Rio Branco (Turma 2020), disse que João Cabral de Melo Neto, autor de “Morte e vida severina”, clássico da literatura brasileira, era comunista!!! O ex-ministro não entendeu que nem toda pessoa que se preocupa com questões sociais é comunista ou de esquerda.
Mas e quanto à política externa? Completo desastre. O Itamaraty sempre se baseou em tradições que acompanharam a história da política externa brasileira e que sempre foram capazes de sobreviver às mudanças de governo, pautadas pelo pragmatismo e pelo interesse nacional. O ex-chanceler, no entanto, com o objetivo de agradar os interesses pessoais da família Bolsonaro, e em linha com suas próprias alucinações fantasiosas, rompeu com as tradições do Itamaraty e afundou a política externa brasileira no lodo do OBSCURANTISMO e do NEGACIONISMO. Nenhuma das ações de Ernesto à frente da pasta foi para valorizar a diplomacia brasileira ou para fortalecer laços com parceiros comerciais. Não! Todas as ações foram pautadas apenas por sua ideologia, que empurrou o Brasil para o isolacionismo.
Livrar o Itamaraty do “marxismo cultural” era um dos objetivos declarados de Ernesto, assim como combater a ideologia de gênero, pois segundo ele, “Ideologia de gênero é um ninho de rato ideológico. É uma coisa que tem que tacar fogo, porque, isso causa danos a saúde, à família humana”. Outra opinião abjeta e sem sentido do ex-chanceler é que a ditadura militar no Brasil é “uma questão de interpretação da história brasileira”. Inacreditável, né?
Mas ainda há muito mais!!! No próximo post, continuaremos apresentando e analisando as evidências do desastre da atuação de Ernesto Araújo à frente do MRE, que levou a uma INÉDITA DETERIORAÇÃO DA IMAGEM DO BRASIL na comunidade internacional, com consequências catastróficas para a economia, a saúde, o comércio e o interesse nacional.
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