Cris Couto
Garantem os especialistas que o Brasil se encontra no pior momento desde o início da pandemia. O sistema de saúde encontra-se colapsado e o número diário de mortes cresce assustadoramente, chegando a 3000 mortes em 24 horas. Dor, fome, medo e insegurança são os sentimentos dos milhares de brasileiros. Enquanto o BRASIL SANGRA, o presidente Bolsonaro e seus aliados vivem em uma bolha negacionista e constrangem famílias que vivem o luto. O deputado Ricardo Barros (PP), líder do governo na Câmara, em entrevista à Globonews (17/03), afirmou, sem nenhum constrangimento, que a situação do Brasil “é até confortável”. Confortável para quem?! Para o povo brasileiro, com absoluta certeza, não é! A Fiocruz assinala que o Brasil passa pelo MAIOR COLAPSO HOSPITALAR DE NOSSA HISTÓRIA: muitos estados sem leitos de UTI, sem medicação, sem oxigênio e com profissionais de saúde esgotados. O ritmo da vacinação no país é considerado lento por especialistas. Se a vacinação continuar nesse ritmo, a Fiocruz prevê dois anos e meio (!) para imunizar, somente com a primeira dose, todos os brasileiros com mais de 18 anos. Sem vacinação, aumenta o número de mortos e de infectados e há o risco real de novas variantes mais perigosas. E lógico que, sem vacinação em massa, a economia fica paralisada. Diante desse cenário assustador, qualquer governante estaria focado única e exclusivamente em salvar as vidas de seu povo. Mas Bolsonaro não é qualquer governante. Bolsonaro, o mito, brinca de governar e, desde o início da pandemia, debochou do vírus, dos doentes e dos mortos. O que dizer de um governo assim?
Em conversa com apoiadores (18/03), o presidente voltou a criticar medidas de distanciamento social e afirmou – mais uma vez sem nenhuma prova – que estão querendo derrubá-lo: “Um dos raros países do mundo onde querem derrubar o presidente é aqui. Eles não apresentam soluções. Ah, comprar vacina. Onde é que tem vacina para vender? Tem uma vacina que tem uns dez países que não vão aplicar mais. Um cara inteligente me ligou perguntando por que eu não compro. Eu respondi: no mínimo é um lote suspeito. A que ponto chegou a cabeça de algumas pessoas! Não está aplicando lá, então, a gente compra”. Em primeiro lugar, ninguém está tentando derrubar o governo, salvo o próprio Bolsonaro e sua família, pois o que não faltam são crimes de responsabilidade, que fundamentam seguramente um processo de impeachment. O presidente ainda fez menção à vacina de Oxford. Alguns países realmente suspenderam sua aplicação, por suspeita de que estava havendo reações adversas sérias, como casos de formação de coágulos em pacientes imunizados; todavia, a Agência de Saúde da União Europeia confirmou posteriormente que tal imunizante É SEGURO E EFICAZ no combate ao coronavírus, após analisar as suspeitas. A Anvisa também recomendou a continuidade do uso da vacina de Oxford. Bolsonaro tentou, novamente, colocar dúvida na população sobre a vacina!!! E se não há vacina, presidente, é porque o senhor não se preocupou em comprar no período em que todos os países estavam se mobilizando para isso! Bolsonaro ainda incutiu a dúvida sobre a veracidade da lotação dos leitos de UTIs: “Os hospitais estão com 90% de UTIS ocupadas. Agora o que precisamos fazer: [separar] quantos são de Covid e quantos são de outras enfermidades“. Ora, presidente, será que o senhor não sabe que há leitos apenas para Covid-19? Será que o senhor não sabe que a UTI está lotada e há pessoas morrendo na fila esperando conseguir um leito? Será que o senhor não sabe que há hospitais sem oxigênio e sem medicamentos necessários para a intubação? Ah, o senhor sabe!!! Claro que sabe, mas não se importa, pois, caso contrário, teria ao menos visitado algum hospital público, demostrando um mínimo de preocupação. Se o governo federal estivesse se importando, não teria cancelado, no meio da pandemia – agosto de 2020 -, a compra de medicamentos necessários para intubação, além, é claro, do contrato para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, que Bolsonaro mandou Pazuello cancelar.
Na habitual live de quinta-feira (18/03), Bolsonaro conseguiu se superar! Além de voltar a defender medicamentos sem comprovação científica, o presidente, assim como nas últimas transmissões ao vivo, se posicionou de forma contrária às medidas de isolamento social, além de criticar seu ex-ministro da Saúde, Mandetta. E, no auge da pandemia, Jair Messias Bolsonaro chegou a imitar uma pessoa com falta de ar!!! Total falta de empatia e de sensibilidade! Ao invés de brincar de influenciador digital, porque o presidente não vai trabalhar para tentar mitigar o mal que já fez ao Brasil? Ah, mas não foi Bolsonaro quem inventou o Covid-19, né? Claro que não, mas que o presidente ajudou, e muito, a propagação do vírus, ah, isso ele fez! Indicou medicamentos inapropriados, incentivou o não uso da máscara, falou inverdades sobre o distanciamento social, causou várias aglomerações, dentre outros absurdos – consequentemente, aumentando o número de mortos. E por falar em máscaras, mais um absurdo: o Ministério da Saúde distribuiu máscaras impróprias para profissionais da saúde que estão na linha de frente ao enfrentamento da Covid-19. Descaso ou incompetência?
Outro indicador da falta de empatia do presidente foi que, ainda na live do dia 18/03, Bolsonaro sequer citou a morte do Senador Major Olímpio, por complicações de Covid-19, sendo que o senador, apesar de ter se tornado um crítico do governo nos últimos tempos, foi um aliado durante a campanha presidencial.
Com o caos instalado, o governo federal troca novamente o ministro da saúde. Sai o General Pazuello – o especialista em logística! – e assume o Dr. Marcelo Queiroga, amigo da família Bolsonaro e que participou da equipe de transição do governo. Mas é bom um médico assumir a pasta, não? Sim, porém, Queiroga já deixou claro que “O ministro da Saúde executa a política do governo”. Em outras palavras, Queiroga disse a mesma coisa que Pazuello: “Um manda [Bolsonaro] e o outro obedece [o ministro]”. O que se vislumbra, portanto, é a continuidade da política negacionista do governo federal. Queiroga chegou a dizer que iria a alguns hospitais para verificar se realmente as pessoas estão morrendo de Covid-19! Tal declaração, por si só, já é repugnante! Vinda de um médico, que sabe – ou deveria saber – da seriedade da pandemia, a fala torna-se ainda mais abjeta e desrespeitosa. O senhor, ministro, deveria sim ir aos hospitais e TRABALHAR para tentar diminuir os erros cometidos na gestão anterior e acabar com o negacionismo evidente do governo federal. Mas não! Isso é muito trabalhoso e pode custar o seu cargo, né? É preciso agradar o presidente, mesmo que, para isso, mais vidas sejam perdidas! Lamentável!!!
Inacreditável, mas Bolsonaro ajuizou uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI) no STF para derrubar decretos dos governadores do Distrito Federal, da Bahia e do Rio Grande do Sul que, corretamente, impuseram medidas restritivas na tentativa de barrar a transmissão do vírus. Essa ação tem dois escopos: passar a impressão de que o presidente tentou agir, mas o Supremo impediu – o que não é verdade! – e constranger os governadores que, diferentemente de Bolsonaro, estão tentando salvar vidas. Na verdade, o presidente já sabia que essa ação não iria dar em nada. O Supremo já havia decidido que a competência é CONCORRENTE, o que significa dizer que, além do governo federal, os governos estaduais e municipais têm o poder para determinar regras de isolamento, quarentena e algumas restrições, desde que se mostrem necessárias à realidade local. Ademais, os governadores atuam com base na Lei 13.979/20, assinada pelo próprio presidente. Aliás, o instrumento utilizado – ADI – é impróprio para o feito. Conclusão: tudo errado!!! O ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, rejeitou a ação movida pelo presidente e, em trecho do despacho, salientou que “É impróprio, a todos os títulos, a visão totalitária. Ao presidente da República cabe a liderança maior, a coordenação de esforços visando o bem-estar dos brasileiros”.
Diante de todo esse cenário, explodiram as críticas da população contra a condução da pandemia pelo governo federal. Felipe Neto – youtuber e influenciador – disse que Bolsonaro era “genocida”, defendendo o uso deste termo pela “nítida ausência de política de saúde pública no meio da pandemia“, a qual, “contribuiu diretamente para milhares de mortes de brasileiros“. O youtuber foi intimado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro a depor por suposto crime previsto na Lei de Segurança Nacional – ABSURDO JURÍDICO!!! – , devido a um pedido de Carlos Bolsonaro – filho “zero dois” do presidente e chefe do “gabinete do ódio”. Houve, conforme Felipe Neto, uma “clara tentativa de silenciamento”. O youtuber ainda disse: “Eles querem que eu tenha medo, que eu tema o poder dos governantes. Já disse e repito: um governo deve temer seu povo, nunca o contrário. Carlos Bolsonaro, você não me assusta com seu autoritarismo“. A juíza Gisele Guida de Faria, da 38ª Vara Criminal do Rio, proferiu liminar que suspendeu as investigações e destacou que a competência do caso não é da Polícia Civil, mas sim da Polícia Federal. Não é a primeira vez que Bolsonaro usa a Lei de Segurança Nacional para intimidar seus opositores. Não é segredo para ninguém que o presidente não gosta de democracia, não aceita opiniões divergentes e que nutre uma forte admiração pelo período ditatorial. Também não é segredo que Bolsonaro e seus seguidores adorariam que o AI-5 voltasse a vigorar no país, além de quererem fechar o STF. Porém, estamos em uma DEMOCRACIA, com todos os seus defeitos e qualidades, onde há liberdade de opinião e de crença, e a censura deve ser totalmente repelida, presidente! É importante aprender a conviver com críticas ásperas e opiniões diversas, tá ok? A Defensoria Pública da União e um grupo de advogados, por meio de um HC coletivo ajuizado no STF, pleiteiam que a Lei de Segurança Nacional não possa ser usada como instrumento para constranger os críticos de Bolsonaro.
A situação do Brasil é realmente preocupante: vidas sendo perdidas, empregos sendo destruídos, economia desabando, corrupção escancarada. O Brasil sendo visto como uma ameaça por outros países, devido ao total descontrole da covid-19 e surgimento de novas cepas. E o “mito” está brigando com governadores, não se preocupa em comprar vacinas, nem medicamentos necessários à intubação, não gosta de ser contrariado, portanto, processa opositores, faz live imitando doentes e proferindo fake news e coloca um ministro da Saúde que tem o objetivo de abafar o número assustador de mortes. O que dizer de um presidente assim?