Cris Couto
O presidente Jair Bolsonaro, em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, no dia 22 de setembro de 2020, afirmou que “Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios acontecem praticamente, nos mesmos lugares, no entorno leste da Floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas”. Na tentativa inócua de mostrar ao mundo que não havia grandes queimadas na Floresta Amazônica, acabou colocando a culpa nos índios e nos caboclos. Verdadeiro absurdo! Na ocasião, Bolsonaro salientou ainda que o Brasil é vítima de uma “brutal campanha de desinformação” em relação aos incêndios na Amazônia e no Pantanal, cujo objetivo é atacar seu governo. Disse também que “em 2019, o Brasil foi vítima de um criminoso derramamento de óleo venezuelano, vendido sem controle, acarretando severos danos ao meio ambiente e sérios prejuízos nas atividades de pesca e turismo”, mesmo sem ter provas de que o óleo era da Venezuela, ocasionando mais um mal estar diplomático. Mas o curioso é que, Bolsonaro, que sempre diz que se deve acabar com o coitadismo e o vitimismo, em um único discurso, colocou o Brasil como sendo vítima duas vezes. Contudo, o presidente está certo em uma coisa: o Brasil está sim sendo vítima, mas não dos fatos alegados por ele, e sim de uma política desastrosa, quiçá criminosa, executada pelo governo federal.
Não é de hoje o desrespeito e o desapreço de Bolsonaro com o meio ambiente. Aliás, o presidente possui vasto histórico de polêmicas relacionadas com o tema ambiental. Em 2012, Bolsonaro foi multado pelo Ibama por ter praticado PESCA ILEGAL na estação ecológica de Angra, no Rio de Janeiro, o que é PROIBIDO. Augusto Morelli, fiscal que aplicou a multa e que foi exonerado pouco depois da posse presidencial, afirma que seu afastamento se tratou de uma vingança pessoal do presidente. Bolsonaro, em 2013, mostrando seu desprezo pelas leis ambientais, impetrou um mandado de segurança para poder pescar na estação ecológica de Angra. Ora, o Brasil possui vasta biodiversidade, cinco biomas espalhados em uma grande extensão territorial, vários rios em que se poderia pescar à vontade. Por que insistir na pesca na estação ecológica de Angra? Por pura obsessão, para mostrar que ele está acima da lei. O verdadeiro lema do presidente é “EU acima de tudo; EU acima de todos”! Ainda obcecado com o episódio da multa, Bolsonaro apresentou um projeto de lei para desarmar os fiscais do Ibama e do ICMBio durante fiscalizações. A iniciativa foi interpretada como uma tentativa de retaliação ao trabalho do Ibama. Mas o presidente não quer armar o “cidadão de bem”? Sim, Bolsonaro quer liberar armas. Basta saber o que é, em sua visão, um cidadão de bem. Em 2018, o presidente afirmou que “não vou mais admitir o Ibama sair multando a torto e a direito por aí, bem como o ICMBio. Essa festa vai acabar”.
O tema “meio ambiente” foi pouco explorado no plano de governo do então candidato a presidência, Jair Bolsonaro. As declarações e as poucas propostas, contudo, sempre foram polêmicas. Logo após as eleições, o presidente ameaçou retirar o Brasil do Acordo de Paris. Bolsonaro chegou a anunciar a intenção de fundir o Ministério da Agricultura e o do Meio Ambiente e ainda disse que o ministro das pastas seria alguém ligado ao setor produtivo. Isso se daria porque, segundo o presidente, “as leis ambientais interferem diretamente na atividade agropecuária“. Mas agricultura e meio ambiente realmente não possuem interesses antagônicos? Foi-se o tempo em que se pensava assim. O agronegócio possui, cada vez mais, a necessidade de ser sustentável devido às próprias exigências para a exportação, bem como devido aos anseios do consumidor final. O Brasil já conseguiu mostrar ao mundo o seu potencial produtivo: utiliza apenas 8,5% do território para a agricultura e já é o quarto maior produtor agrícola e o segundo maior exportador mundial, com possibilidades reais de se tornar o primeiro, conforme a FAO. Para isso, não é necessário desmatar ou ser inimigo do meio ambiente. Basta diminuir a área da pecuária, tornando-a mais intensiva e obter crescimento vertical (ganho de produtividade com introdução de tecnologia). É totalmente possível ter um agronegócio pujante e, ao mesmo tempo, ter uma produção sustentável. Aliás, não só é possível, como necessário. Ah, então o presidente está só desatualizado, né? Não! Bolsonaro é inimigo do meio ambiente, sempre foi. Mas no caso específico do agronegócio, age contra as causas ambientais apenas para agradar parte dos ruralistas que, ao invés de investir no aumento produtividade, quer apenas lucrar às custas do desmatamento e outras práticas lesivas ao meio ambiente.
Cedendo a pressões, Bolsonaro não unificou as pastas, mas deixou claro que quem mandava era ele e designou para o ministério do meio ambiente o advogado e político, Ricardo Salles. Mas os ministérios não seriam técnicos? Essa foi a promessa do presidente, porém, não cumprida. E pior, Ricardo Salles já tinha sido CONDENADO POR CRIME AMBIENTAL e sua escolha para esta pasta só corrobora o descaso do governo com o tema. Ricardo Salles, ministro do meio ambiente, negacionista, só causou dissabores e vergonha internacional. O ministro Salles chegou a questionar a contribuição humana para o aquecimento global. Afirmou que o aquecimento global é “um tema acadêmico e que será um problema daqui a 500 anos“. Haja ignorância e falta de conhecimento! Salles, além de não dar a devida importância para o aquecimento global, defende abertamente os interesses do agronegócio em detrimento da temática ambiental. O ministro do meio ambiente, em reunião ministerial, no dia 22 de abril de 2020, em meio à pandemia, não buscou sequer maquiar sua intenção de desmonte e disse “Precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de covid, e ir PASSANDO A BOIADA, e mudando todo o regramento (ambiental), e simplificando normas“. Ora, era nítida a intenção de alterar regras de proteção ambiental e regras ligadas à agricultura, de forma rápida, sem discussão pelos setores interessados, sem a atenção da imprensa e, por conseguinte, sem o conhecimento da população. Mas por que fazer tudo tão rápido? Porque são alterações abjetas, por vezes, criminosas e, para evitar criticas e até mesmo ações judicias, melhor fazer enquanto as atenções de todos estavam voltadas à pandemia. Covardes! Querem acabar com a política nacional do meio ambiente e não aguentam críticas. Incontestável é a DESCONSTRUÇÃO DA POLÍTICA AMBIENTAL BRASILEIRA, sob a gestão Bolsonaro-Salles. Vários são os exemplos do desmonte: a desestruturação do Ibama e do ICMbio; transferência do Serviço Florestal Brasileiro do Ministério do Meio Ambiente para o Ministério da Agricultura; proposta de revisão das Unidades de Conservação do país; propostas para redução de terras indígenas e áreas remanescentes de quilombos; o aumento da violência no campo e contra os indígenas; liberação excessiva de agrotóxicos, mesmo aqueles proibidos em grande parte dos países; revisão de tributos ambientais aplicados a empresas causadoras de impacto ambiental negativo; revisão das espécies aquáticas ameaçadas após um pedido do Ministério da Agricultura; revogação do decreto que proibia o avanço das plantações de cana-de-açúcar sobre os biomas do pantanal e amazônico; regulamentação da exploração de minerais, recursos hídricos para construção de hidrelétricas e de petróleo e gás em terras indígenas; posicionamento contrário ao Acordo de Paris – Bolsonaro só não seguiu o exemplo de seu ídolo, Donald Trump, retirando o Brasil do Acordo, por pressão do próprio agronegócio que percebeu, acertadamente, que seria péssimo para as exportações; dentre outros descalabros.
O presidente Bolsonaro não se cansa de fazer discursos que incentivam a exploração de áreas ambientalmente protegidas, encorajando ações dos infratores, desmatamento e queimadas. Em live (03/10/2019), Bolsonaro defendeu o extrativismo mineral na região amazônica e afirmou que “garimpeiros não são bandidos” e que “merecem toda a consideração”. Jair Bolsonaro, no passado, em seus momentos de folga, já foi garimpeiro. Ah, isso é mentira! Pelo contrário, o ex-capitão do exército sempre foi um entusiasta do garimpo. O pai de Bolsonaro – dentista protético sem diploma – também praticou garimpo. O presidente recebeu em mãos um abaixo-assinado de cerca de 500 garimpeiros da Serra Pelada, que pedia o fim das restrições ambientais que proibia o garimpo mecanizado em áreas que são hoje protegidas. Na ocasião, Bolsonaro disse que “o garimpeiro é um ser humano e não pode continuar sendo tratado como algo de terceira ou quarta categoria. Se Deus quiser, vamos buscar meios para que vocês possam trabalhar com dignidade e segurança”. Notícias recentes mostram que o garimpo ilegal, realizado em áreas protegidas, aumentou significativamente durante a pandemia. O Instituto Socioambiental informou que a extração de minérios destruiu uma área de floresta relativa ao tamanho de 560 campos de futebol, causando grave impacto no modo de viver das populações estabelecidas no entorno. Neste contexto, está o PROJETO DE LEI 191, proposto pelos Ministérios de Minas e Energia e da Justiça, quando Sérgio Moro ainda era ministro. Este PL libera a mineração em terras indígenas, retira o poder de veto dos povos originários – previsto na Constituição – autoriza a construção de hidrelétricas e o plantio de transgênicos e facilita a pecuária, a exploração de gás, petróleo e o turismo em terras indígenas. É o DESMONTE AMBIENTAL se tornando realidade, infelizmente!
O governo federal ainda contestou os dados oficiais de desmatamento do sistema Deter, operado pelo INPE, um dos responsáveis pelo diagnóstico de áreas desmatadas. Bolsonaro demitiu o diretor do Instituto, Ricardo Galvão, que confrontou o governo, mostrando a lisura dos dados. O presidente insinuou que Galvão estaria “a serviço de alguma ONG”. Sem contar a interrupção do bilionário Fundo Amazônia, que financiava mais de uma centena de projetos de proteção da Amazônia e que teve os recursos suspensos pelos países doadores – Alemanha e Noruega – devido ao gritante aumento do desmatamento e à extinção dos conselhos que faziam a gestão dos recursos.
Em meio à crise internacional causada pelo desmatamento e as queimadas na Amazônia, Ernesto Araújo, ministro das relações exteriores, afirmou não acreditar em aquecimento global. O chanceler disse ainda que o Brasil não está queimando a Amazônia e que, atualmente, há uma “ditadura climática” que impede o debate ambiental. Disse ele: “Não acredito em aquecimento global. Vejam que fui a Roma em maio e estava tendo uma onda de frio enorme. Isso mostra como as teorias do aquecimento global estão erradas”. Sério que isso foi dito pelo nosso chanceler? Complicado, né? Mas vamos lá, ministro. O aquecimento global causado pelo homem já está mais do que comprovado pela ciência: aumento da temperatura média global; aumento do nível do mar, devido ao derretimento de geleiras; alteração do regime de chuvas; frio mais rigoroso em alguns lugares. Sim, o aquecimento global pode ocasionar ondas de frio sem precedente. O argumento dos negacionista é sempre o mesmo “frio desse jeito não há que se falar em aquecimento global”. Ao contrário, pois devido ao aquecimento global, um dia mais quente no Ártico pode levar frio extremo tanto para a Europa, como para a América do Norte. Isso porque o calor acaba fazendo com que o frio, que era concentrado no Ártico, se dissipe a outras regiões. Ernesto, durante uma audiência no Congresso Nacional, ainda disse que “Nos Estados Unidos, foi feito um estudo sobre estações meteorológicas, e diz que muitas estações que, nos anos 30 e 40, ficavam no meio do mato, HOJE FICAM NO ASFALTO, na beira do estacionamento. É óbvio que aquela estação vai registrar um aumento extraordinário da temperatura, comparado com a dos anos 50. E isso entra na média global”. E para completar o devaneio do ministro, disse “Não há um termostato que meça a temperatura global. Existem vários termostatos locais”. A dúvida que fica é saber quais as matérias foram exigidas no concurso de admissão à carreira diplomática no ano em que Ernesto Araújo foi aprovado. Geografia e política internacional não foram solicitadas, nem estudadas, né ministro?
Preocupado com a repercussão internacional sobre as queimadas, Bolsonaro criou o Conselho da Amazônia, em janeiro de 2020, para coordenar as ações de proteção, defesa e desenvolvimento sustentável na região, sendo que o vice-presidente, Hamilton Mourão, seria o responsável por toda a coordenação. Outubro, entretanto, entrará para a história como um dos piores meses de queimadas na Amazônia e no Pantanal. Mas o que o governo está efetivamente fazendo? Nada!!! Ao invés de medidas efetivas para o combate das queimadas, o governo prefere investir em narrativas que, obviamente, contradizem os dados, bem como continuamente tenta desacreditar as ONGs que trabalham em prol do meio ambiente. E o Mourão? É notório que o vice-presidente não quer desagradar Bolsonaro. Inúmeras foram as declarações de Mourão que ficam “em cima do muro”. Em alguns casos, Mourão até que tem opinião razoável acerca de alguns temas – razoável não significa acertada, é apenas “razoável”, tá ok? – mas após as falas de Bolsonaro, Mourão volta atrás ou tenta se explicar, a fim de se alinhar com o presidente. Mas por que isso? Porque Mourão espera ser novamente vice de Bolsonaro em 2022. Gostou da política, né, General?
Em relação às queimadas na Amazônia, Bolsonaro já fez de tudo, menos, é óbvio, tentar “estancar a sangria”, opa, essa frase será detalhada em outro encontro, melhor dizer, estancar o fogo. O presidente já disse não haver queimada, que o fogo era culpa dos índios e caboclos (discurso do presidente na AGNU), que os culpados pelo incêndio eram as ONGs, que a queimada sempre existiu e sempre vai existir, dentre outras falas. Já declarou que “Quer que eu culpe os índios? Quer que eu culpe os marcianos? É, no meu entender, um indício fortíssimo que é esse pessoal de ONG que perdeu a teta deles, é simples”. Quando foi questionado sobre provas do que afirmava, Bolsonaro respondeu: “Não se tem prova disso. Ninguém escreve isso – eu vou queimar lá”; “A Amazônia é maior do que a Europa, como que você vai combater incêndio criminoso nessa área? Você tem que pegar o cara em flagrante, fora isso não vai pegar quem tá tacando fogo lá. As ONGs perderam dinheiro que vinha da Noruega e da Alemanha, estão desempregados, tem que fazer o quê? Tentar me derrubar”; “Vocês querem provas que estão queimando a Amazônia. Vou falar uma prova aqui para vocês, que vai sair completamente distorcida amanhã na imprensa. Uma das imagens, uma pessoa de carro, está queimando a rodovia do lado, todinha. O fogo exatamente da mesma altura. Dá para reparar, o fogo da mesma altura, um quilômetro, típico de queimada feitas como? Um CARA DE BICICLETA ou motocicleta, uma vara queimando, pingando aquilo na beira da pista.” Ah sim, um “cara de bicicleta” conseguiu com que a Amazônia – maior floresta tropical do mundo -, tivesse um dos maiores índices de queimadas de toda a história!!! Apesar de trágica, chega a ser cômica a declaração do presidente que, infelizmente, não entendeu o RIDÍCULO de seu pronunciamento. É verdade que queimadas na Amazônia sempre existiram, mas durante a gestão Bolsonaro-Salles, a Amazônia teve a maior taxa de desmatamento desde 2008, segundo dados do INPE. E nunca houve um presidente que tentasse negar as queimadas, e pior, tentasse culpabilizar ONGs, índios, caboclos. Um presidente que, ao invés de tomar medidas necessárias para coibir as queimadas, os desmatamentos ilegais e todas as infrações que vêm aumentando assombrosamente, se mostra, a cada dia, um inimigo do meio ambiente, comprando briga com o mundo, promovendo o desmonte das políticas ambientais e deixando o Brasil em uma situação vexatória.
Devido à situação dramática da Amazônia, o presidente da França, Emmanuel Macron, convocou os países do G7 para discutirem as queimadas. Bolsonaro acusou Macron de ser “sensacionalista”. O filho “zero três” do presidente, Eduardo Bolsonaro – aquele que queria ser embaixador do Brasil nos EUA -, publicou vídeo dizendo que Macron era um “idiota”. Quanta diplomacia, né, “zero três”? O então ministro da Educação, Abraham Weintraub disse, em postagem no Twitter, que o presidente da França era “cretino”. E a crise diplomática não pára por aí. Um internauta, apoiador de Bolsonaro, postou no Facebook a foto da primeira-dama Michelle Bolsonaro, de 37 anos (à época) e, na imagem, foi feita uma montagem com a primeira-dama francesa, Brigitte Macron, de 66 anos (à época) com a seguinte postagem; “entende agora por que Macron persegue Bolsonaro?”. Bolsonaro, por sua vez, reagiu comentando “Não humilha, cara Kkkkkk”, fomentando ainda mais a crise diplomática.
O Pantanal, infelizmente, também vivenciou queimadas fortíssimas em 2020. Segundo a UFRJ, entre janeiro e outubro, cerca de 4,1 milhões de hectares do bioma foi queimado, o que representa cerca de 28%do Pantanal brasileiro. Há sim fatores naturais que desencadeiam as queimadas, tais como seca extrema na região; contudo, levantamentos e investigações apontaram que muitos dos focos de incêndios nesse período foram causados pelo homem. Investigações da Polícia Federal apontaram que ao menos cinco fazendeiros foram responsáveis por parte do trágico acontecimento. As cenas no pantanal eram típicas de um filme de terror: animais morrendo queimados, tentando fugir do fogo. Sério, a pessoa não precisa ser amante da natureza, mas o mínimo de compaixão pelo próximo todo “cidadão de bem” deve ter. É o mínimo que se espera de um ser humano para viver em sociedade. Se tais cenas não foram suficientes para chocar e mobilizar uma pessoa, é porque, infelizmente, esta pessoa deixou de ser humano há muito tempo. E o presidente? Então, parece que Bolsonaro não se importou muito.
Mas o Brasil não deixa de passar vergonha no cenário internacional. Em Davos, o ministro da economia, Paulo Guedes, afirmou que o grande inimigo do meio ambiente é a pobreza, pois “destroem porque estão com fome”, talvez para justificar o injustificável. Alguém avisa ao “Posto Ipiranga” que, infelizmente, fome sempre existiu no nosso país, mas, mesmo diante dessa triste realidade, o Brasil era considerado, até recentemente, um líder mundial no combate ao desmatamento e em políticas ambientais, um país que soube conciliar a expansão do agronegócio com a preservação do meio ambiente. A partir do governo Bolsonaro, entretanto, o desmatamento na Amazônia disparou, sendo o maior dos últimos 10 anos. Só em 2020, o aumento foi de 30% em relação ao ano anterior.
A única verdade é que Bolsonaro está apenas cumprindo o que havia prometido durante a campanha presidencial de 2018. Triste, mas é verdade. O presidente jamais escondeu a sua predileção ao agronegócio não sustentável e o fato de não se importar com políticas ambientais. Nunca ocultou seu desprezo às comunidades indígenas e quilombolas. O Brasil já está sendo visto, internacionalmente, como um vilão ambiental. E isso pode nos custar muito, até mesmo em termos comerciais. Bolsonaro, o mais próximo que chegou do meio ambiente foi quando ofereceu cloroquina à uma ema no Palácio da Alvorada! Brincadeiras à parte, a verdade é que Bolsonaro está PASSANDO A SUA BOIADA e o custo disso permanecerá nas costas de nosso país por gerações.